Carnaval suspenso afeta até catadores

 


A falta da folia de carnaval mexeu com os que amam os bloquinhos, com os que se dedicam profissionalmente a esse período, mas atingiu diretamente também aqueles que dependem de subprodutos da festa: catadores de latinhas e recicláveis que vivem da venda desses materiais.

Carina Pereira dos Santos tem 35 anos e trabalha na Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável (Asmare) há 28 anos. Ela, seus irmãos e sua mãe sempre atuaram no setor e atualmente sobrevivem de doações, cestas básicas e poucos quilos de material que conseguem catar.

 

“A dificuldade é grande. Minha mãe tá com o carrinho vazio, ela tem 70 anos. Meus irmãos também estão tentando, mas os carrinhos sempre ficam vazios. Estamos pegando com Deus e na fé, vivendo da cesta básica da prefeitura e da ajuda dos que ainda têm coração e são solidários com a associação”, diz ela. “Somos vulneráveis, né?!”.

 

Fundadora da Asmare, Maria das Graças Marçal diz que a mudança na arrecadação foi muito grande e que os catadores faturam mais no Natal e carnaval, mas, com o comércio fechado e poucas festas, a renda despencou: “Para quem não tinha quase nada, ficou pior”, observa.

Em outros carnavais, a arrecadação de recicláveis era de toneladas. “Todos os anos, o carnaval é o momento em que a gente mais recolhe. Os caminhões vinham com três ou quatro toneladas e demorávamos de sete a 15 dias para limpar. Agora, está com 900 ou 1 mil quilos. Em dois ou três dias limpamos o caminhão todo” conta Carina.

 

De acordo com a Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat), entre os dias 15, 16, 21 a 25, e 29 de fevereiro de 2020, foram arrecadados 49,3 toneladas de materiais recicláveis somente em Belo Horizonte. Desse total, 29,7 toneladas eram plástico, 11 toneladas de alumínio e 8,6 toneladas de papelão.

 

O carnaval tem uma função muito importante para os catadores e consegue sustentar a reciclagem por muito tempo. “O faturamento triplica e isso contribui para o resto do ano. Pode garantir pelo menos os próximos seis meses. Neste ano, vamos perder muita renda”, prevê Roberto Laureano, presidente da Ancat.

 

QUEDA BRUTAL Alguns catadores, como Valdete Luiz Ferreira, de 38, passaram de uma arrecadação média diária de R$ 100 para algo entre R$ 10 e R$ 20. Sem auxílios, ele consegue alimentos de doações e bares que são solidários, às vezes, doando marmitex. O material que ele arrecada é vendido para ferros-velhos.

 

Um desses locais é o depósito de recicláveis que Eduardo Pereira gerencia. Segundo ele, o recuo no peso recebido foi brutal: “Dá umas 3 ou 4 toneladas todo ano. Neste, eu conseguiu só 200kg”, diz o gerente.

Estado de Minas

Enviar um comentário

0 Comentários