Conselho Municipal de Educação recomenda modelo híbrido para volta às aulas presenciais em BH

 


Para o retorno das atividades presenciais, as escolas de Belo Horizonte devem estar fisicamente adaptadas para a adoção dos protocolos sanitários contra a Covid-19, mapear trabalhadores e estudantes que pertencem ao grupo de risco para a doença e, portanto, precisam permanecer em casa, e instituir um comitê interno para garantir o cumprimento das medidas preventivas.

As instituições devem implementar um modelo híbrido de ensino, com atividades presenciais e remotas, de forma a garantir a conclusão da carga horária de 1.600 horas, 800 referentes ao ano letivo de 2020 e 800 relativas a 2021.

Estas são algumas das orientações do Conselho Municipal de Educação (CME) de Belo Horizonte para a retomada das atividades na capital, descritas em um documento publicado no Diário Oficial do Município nesta quarta-feira (24). A prefeitura pode ou não adotar as recomendações do conselho.

"O tempo máximo de permanência dos alunos na escola será de quatro horas e meia, então precisamos ter atividades avaliadas tanto no âmbito presencial quanto no modelo remoto. Nós não estamos voltando para a escola que deixamos em março de 2020, precisamos instituir uma nova escola, do ponto de vista dos espaços físicos, do número máximo de alunos permitido, da proposta curricular e da forma de ensinar", diz a presidente do CME, Bernadete Quirino.

O documento vem sendo elaborado por uma comissão especial do CME desde o ano passado e traz uma série de orientações para o planejamento do retorno das atividades presenciais.

A Prefeitura de Belo Horizonte já anunciou a expectativa, ainda não confirmada, de que a retomada ocorra em março, inicialmente voltada a crianças de 0 a 5 anos de idade. Nesta quarta-feira (24), o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da capital vai se reunir e discutir, justamente, a volta às aulas.

O texto admite que os prejuízos causados pelo fechamento das escolas há quase um ano "são incalculáveis”, mas ressalta que a volta às aulas presenciais exige diálogo e planejamento e não deve ocorrer de forma "abrupta".

"A instituição escolar, por ser um ambiente aglomerativo e de grande movimentação de pessoas, apresenta riscos consideráveis de contaminação e exige um planejamento criterioso de retorno que garanta a integridade física, mental, psicológica e social de todos os trabalhadores da educação, estudantes e famílias", diz o documento.

Orientações

As recomendações são destinadas a todas as etapas de ensino da rede municipal de Belo Horizonte e a escolas de educação infantil da rede privada.

Entre as orientações do Conselho Municipal de Educação, estão a criação de uma comissão em cada unidade escolar para o monitoramento do processo de reabertura e o levantamento prévio de trabalhadores e estudantes pertencentes ao grupo de risco da Covid-19, para a adoção de estratégias remotas de participação voltadas para essas pessoas.

O CME recomenda às escolas planejarem ações de acolhimento da comunidade escolar, após tantos meses de fechamento. Uma ideia é promover momentos de diálogo e escuta para a troca de sentimentos e experiências.

Entre as diretrizes pedagógicas, o conselho aconselha a reorganização do currículo, de forma a identificar as lacunas de aprendizagem dos alunos. O objetivo é incentivar a autonomia dos estudantes, para que eles tenham compromisso com as responsabilidades, como lições de casa e leitura de livros.

Há, ainda, a recomendação de que o currículo passe a incluir temas relacionados à pandemia da Covid-19. Na avaliação do CME, a preparação das escolas para lidar com infecções "será fundamental para mitigar o impacto de potenciais surtos de doenças no futuro".

 Os professores devem ter suporte e capacitação para o uso de novas ferramentas de ensino nas salas de aula e no ensino remoto. Eles devem receber formação sobre como retomar o aprendizado e trabalhar as necessidades sociais e psicológicas dos alunos.

Avaliação dos estudantes e combate à evasão escolar

O CME também orienta mudanças na forma de avaliação dos estudantes, considerando os desafios enfrentados por muitos deles durante a pandemia, seja por falta de estrutura para estudar em casa ou por dificuldades de conexão à internet.

A proposta do conselho é que sejam elaboradas atividades diagnósticas de revisão dos conteúdos trabalhados antes e durante a suspensão das atividades presencias. As escolas são orientadas também a oferecer reforço escolar aos alunos com maior defasagem.

Para garantir o acesso à aprendizagem e incentivar a permanência dos estudantes na escola, o CME recomenda às instituições incentivar a participação dos familiares no acompanhamento das atividades escolares dos filhos.

A reposição dos conteúdos não pode ser realizada de forma acelerada, e estudantes em situação de vulnerabilidade social devem receber apoio especial.


Modelo híbrido

Para a implementação do modelo híbrido de ensino, as escolas devem definir a progressividade do retorno e estudar alternativas de rodízio de alunos.

As instituições devem criar alternativas concretas e de qualidade de ensino remoto, sejam virtuais ou impressas, conforme a faixa etária e a etapa de desenvolvimento escolar dos estudantes.

Segundo a presidente do CME, Bernadete Quirino, não há consenso entre os membros do conselho sobre o retorno das atividades presenciais nas escolas de Belo Horizonte em março. 

"Nós temos o consenso de que só devemos voltar em um momento seguro, determinado pela saúde. Muitos são da opinião de que esse momento seguro para o retorno se dará somente após a vacinação dos profissionais da educação, outros já dizem que é possível retornar neste momento", afirma.

Educação Infantil

O documento do CME faz considerações específicas sobre a educação infantil, considerada a única fase da educação básica em que, "se a criança for privada de acesso na idade própria, não terá a possibilidade de vivenciar seu direito a essa etapa educacional posteriormente".

O conselho lembra que somente a educação infantil foi dispensada, no ano passado, da obrigatoriedade de cumprimento da carga horária mínima anual, de 800 horas.

Segundo o CME, no contexto da pandemia, as práticas pedagógicas devem ser adaptadas e incluir a aplicação dos protocolos sanitários contra a Covid-19 e preceitos básicos como interações e brincadeiras. As atividades não presenciais devem buscar o vínculo com as crianças e as famílias.

G1 MG

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