Em 1 ano, UFMG desenvolve mais de 200 pesquisas sobre a Covid, mas pode ter corte de R$ 34 milhões

 


Há exatamente um ano, no dia 8 de março de 2020, o governo de Minas Gerais confirmava o primeiro caso de Covid-19 no estado. E os cientistas começaram imediatamente a se movimentar para tentar entender e enfrentar esse novo desafio. Tanto que, menos de um mês depois, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) já transformava seus laboratórios em centros de testagem. Em pouco tempo, se tornou a responsável por um terço dos diagnósticos dos testes RT-PCR no estado. "Os principais desafios foram relacionados à emergência da situação. Treinamento de equipes, implantação de métodos novos para trabalhar com o vírus. E claro, saber lidar com estudantes e colegas em estado de fragilidade psicológica devido à pandemia", disse o professor Jônatas Abrahão, que participou da implantação dos centros de diagnóstico.

Ele teve Covid-19 em julho do ano passado e ainda luta para se recuperar totalmente.

"Sinto um pouco de falta de ar e tenho coagulopatias (dificuldade de coagulação do sangue). E muito cansaço", disse o professor de 38 anos.

Em um ano de combate ao coronavírus, a UFMG liderou mais de 200 pesquisas sobre a doença. Sete delas são de desenvolvimento de vacinas, todas em fase de estudos pré-clínicos que procuram atestar a capacidade da substância de provocar uma resposta imune do organismo. Uma delas pode vir a ser a primeira criada no Brasil.

De acordo com a reitora da universidade, Sandra Goulart, há a expectativa que os testes clínicos comecem no fim do ano.

“Estamos muito esperançosos com o progresso das pesquisas. Se tivermos uma vacina brasileira, isso aliviaria muito a demanda. Mas para que isso aconteça com mais velocidade, precisamos de recursos, de investimento”, disse a professora.

Mesmo com verbas vindas do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência e Tecnologia para mais de 20 iniciativas de enfrentamento à Covid-19 (produção de álcool em gel 80%, confecção de escudos faciais, desinfecção do ar), além do projeto liderado pela UFMG que reúne laboratórios de diagnóstico de 13 outras instituições, a universidade corre o risco de sofrer novos cortes no orçamento.

“O Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) que está para ser voltado no Congresso Nacional prevê uma redução de 16,5%, o que seria R$ 34 milhões a menos para investimentos na universidade. Serviços de manutenção, ampliação de laboratórios, aquisição de materiais, obras, tudo isso ficaria comprometido”, disse a reitora.

A proposta da União é um “balde de água fria” nas expectativas da universidade, importante agente no combate à pandemia no país.

“Nós nunca trabalhamos tanto. Quem respondeu à altura a crise da pandemia foram as universidades. Universidades públicas que têm o dever de gerar conhecimento e de devolvê-lo à sociedade. Nós mostramos isso e acho que todos reconhecem a importância da UFMG. Mas estamos muito preocupados com a situação do país”, disse a reitora.

G1 MG

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