Em Minas Gerais, empresas doam até refrigeradores

 


Falta de câmara de refrigeração, de computadores e de qualidade no acesso à internet foi um dos principais gargalos encontrados pelo movimento Unidos pela Vacina em uma pesquisa feita antes do início dos trabalhos da iniciativa para garantir a vacinação em massa. Há ainda locais que precisam de insumos, como aventais e luvas, e outros que demandam tendas para a realização de drive-thru. Além da consulta a 4.500 prefeituras – 700 delas em Minas –, o grupo escolheu duas cidades como projeto-piloto: Rio de Janeiro e Nova Lima, na região metropolitana de BH. 

Para contornar os entraves, empresas mineiras estão amadrinhando as cidades. No caso do Estado, 316 municípios já foram agraciados: os empresários verificam os gargalos do local e agem para resolver os problemas. 

“As cidades pedem de tudo, desde algodão a álcool em gel e jaleco para profissionais. Há municípios que precisam de banda larga para conseguir alimentar o cadastro de vacinação no SUS, e temos muitos pedidos por câmaras frias. Fora de Minas, há cidades que pediram combustível para os carros que fazem a vacinação volante dos acamados, porque já havia pessoal se voluntariando com carro próprio”, detalha Patrícia Tiensoli, coordenadora regional da iniciativa no Estado.

Realidade

Manhuaçu, na Zona da Mata, por exemplo, solicitou caixas térmicas, termômetros clínicos e para refrigeradores, câmaras refrigeradas e serviço de internet, lista.

Já em Brumadinho, na região metropolitana, a prefeitura solicitou 19 refrigeradores. “Temos que fazer o transporte de vacinas dentro de caixas de isopor com gelo, o que é sempre um risco, pois o carro pode quebrar ou estar muito calor, por exemplo”, detalhou a prefeitura, em nota.

Em Igarapé, na região metropolitana, 229 doses de vacina chegaram a ser perdidas em fevereiro devido a um defeito no refrigerador, substituído pouco tempo depois. De acordo com o prefeito, Arnaldo Chaves (PP), o caso da perda das doses serve como exemplo dos problemas que outras localidades enfrentam. 

"O técnico que nos ajudou disse que nunca havia trabalhado tanto quanto naquela semana, porque outras prefeituras foram despertadas para esse problema e precisaram analisar seus sistemas de refrigeração. Agora, nosso maior problema é a falta de vacinas”, diz.  

Voluntários se unem a grupo de empresários

Além do empresariado, o movimento Unidos pela Vacina conta com milhares de voluntários Brasil afora trabalhando para que a vacinação contra a Covid-19 possa acontecer de maneira mais veloz e eficiente em todo o território nacional. São profissionais das mais diferentes áreas engajados nessa ideia.

Patricia Tiensoli explica que os primeiros contatos entre o movimento e as prefeituras de Minas Gerais só foram possíveis graças ao empenho de voluntárias do Grupo Mulheres do Brasil. “Quarenta e cinco voluntárias fizeram uma espécie de telemarketing com prefeitos e secretarias (de Saúde). Nesse primeiro momento, elas conseguiram 240 respostas”, conta Patricia. 

Informações

Quem quiser mais informações sobre a pesquisa ou tiver dúvidas sobre o movimento, pode enviar um e-mail para prefeituras@grupomulheresdobrasil.com.br. Se quiser descobrir se seu município já aderiu ao movimento, basta conferir a listagem na bio do movimento no perfil do Instagram @unidospelavacina.

O projeto também desenvolveu uma plataforma que conecta a iniciativa privada com o poder público e pode ser acessada por quem deseja participar. Qualquer um – pessoa física ou pessoa jurídica – pode entrar e se cadastrar como doador para visualizar ou para adotar um município ou Estado brasileiro. O endereço é https://www.unidospelavacina.org.br.

Internet é um dos principais gargalos

O empresário Marcelo Costa de Oliveira contribui com o movimento oferecendo a expertise de suas duas empresas de tecnologia. Sócio da Take Blip e da Minu, ele colabora com o mapeamento de soluções. 

“Verificamos, por exemplo, quais são as cidades que precisam de acesso à internet e já conseguimos uma empresa de telecomunicações que vai levar esse serviço para os municípios”, diz.

“O movimento está mapeando as demandas do Brasil inteiro, os fornecedores e as empresas madrinhas. Pegamos essas informações e transformamos em mapas e gráficos, para que os integrantes do movimento possam visualizar melhor os dados”, complementa o empresário.

Desconectados

E a ajuda é muito bem-vinda. Isso porque a pesquisa desenvolvida pelo movimento junto aos gestores para entender a realidade dos municípios brasileiros revelou que um dos principais problemas país afora é a falta de computadores e acesso à internet nos centros de saúde. 
De acordo com a empresária Betânia Tanure, uma das líderes do Grupo Mulheres do Brasil, garantir a conectividade dos municípios é um ponto crucial para a agilidade e transparência no processo de vacinação. 
“Quem vai ao posto de saúde para receber a vacinar precisa ser registrado. Até porque essa pessoa vai voltar ao posto depois para tomar a segunda dose, e é preciso aplicar a vacina correta”, argumenta Betânia Tanure. Até o momento, mais de 4.500 prefeituras já responderam ao questionário.

Fonte: O Tempo



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