Médico alerta falta de oxigênio em hospital de Três Corações: ‘Povo preocupado com cerveja’



 O presidente da fundação hospitalar São Sebastião, José Pereira da Cunha, alertou para a falta de oxigênio no hospital de Três Corações. De acordo com ele, a instituição precisou reabastecer cilindros em Poços de Caldas na terça-feira (23). Ele lamentou que enquanto o hospital vive o problema, a população está preocupada com o decreto que proíbe venda de bebidas alcoólicas na cidade.

“Tivemos que colocar um carro correndo para buscar oxigênio em Poços de Caldas. Enquanto muitas pessoas estão preocupadas com cerveja, nós da saúde estamos preocupados em providenciar oxigênio para salvar vidas”, disse, em áudio divulgado nas redes sociais.

“Já tivemos o primeiro alarme de falta de oxigênio. Não faltou oxigênio para os nossos pacientes ainda. Mas estamos vendo que em breve vai faltar em Minas Gerais”, completou.


Falta de leitos

A ocupação de leitos de UTI atingiu o limite em 10 das 12 maiores cidades da região nesta quarta-feira (24). O problema se torna ainda maior conforme o Painel de Monitoramento da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que aponta que 98,42% dos leitos exclusivos para Covid-19 estão ocupados no Sul de Minas. “Nem leito particular encontra no Sul de Minas. Todos os hospitais particulares estão lotados e não têm vagas. Estou com um paciente de Carmo da Cachoeira precisando de vaga, inclusive particular, e não acha no Sul de Minas. Já fiz um comunicado ao Ministério Público, à Regional de Saúde de Varginha, à Secretaria de Estado de Saúde comunicando o fato. Se continuar do jeito que está aumentando o número de casos, não teremos leitos e nem oxigênio para salvar vidas”, disse José Pereira da Cunha.

O presidente da fundação hospitalar ainda destacou que tentou montar mais leitos em Três Corações, mas não há oxigênio.

“Fui tentar montar mais leitos, mas não há oxigênio. Não há o que fazer, o que tem que fazer agora depende da população. Oxigênio não se busca em outro lugar e não se produz. As usinas fornecedoras de oxigênio têm um limite e o que está acontecendo é que todos os hospitais estão no limite. Nesse momento, não há vaga no Sul de Minas para receber paciente”, falou.

G1 Sul de Minas

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