Nova regra dos técnicos no Brasileirão pode ajudar o ex-país do futebol a melhorar a cultura à força

 


Miguel Angel Ramírez fez seu segundo jogo como treinador do Internacional, na vitória por 2 x 0 sobre o Caxias. Com duas vitórias em duas partidas, dá sinais de que pode fazer sucesso com seu conceito de jogo posicional. Mas na primeira derrota, alguém dirá que muda critérios antigos do futebol brasileiro e no terceiro insucesso alguém perguntará se deve permanecer até o final do ano. O décimo terceiro técnico estrangeiro em clubes da Série A, nos últimos 14 meses, indica como falta mais cultura do que dinheiro no ex-país do futebol.

Dos treze treinadores estrangeiros que assinaram contratos desde janeiro de 2020, sete já se foram: Eduardo Coudet, Domenec Torrent, Rafael Dudamel, Sá Pinto, Ramon Díaz, Jesualdo Ferreira e Jorge Sampaoli. O argentino está na lista, porque, apesar de ter chegado ao Brasil em 2018, assinou com o Atlético em março de 2020.

Seguem Abel Ferreira, Miguel Angel Ramírez, Gustavo Morínigo, Ariel Holan, Hernán Crespo e Antonio Oliveira, português que chegou ao Santos junto com Jesualdo e foi confirmado como treinador do Athletico Paranaense.

O que os estrangeiros têm a ver com a nova regra do Brasileirão, de que clubes só podem demitir uma vez e terão, no máximo, dois treinadores por campeonato? Ora, a regra parece ditatorial, mas é o único jeito de acabar com a gastança e com a falta de sequência que castiga até os estrangeiros, fazendo com que sete deles tenham ido embora antes do final de um ano.

Na Itália, esta regra já existe há décadas. Um time que demitiu um treinador na Série A não pode contratar outro que já tenha trabalhado no mesmo torneio. Isto inibe as demissões. Na Itália, há dez demissões por temporada. Na Inglaterra, foram sete na temporada passada. No Brasil, 28.

Só aqui, já se entende o efeito imediato. Se todos os vinte clubes tiverem dois treinadores, as trocas caíram de 28 para 20, perto de 30%. Em teoria, isto reforçará a ideia de ter mais trabalhos de longo prazo, o que pode servir para ter times mais bem montados, que joguem de memória.

É a teoria. Na prática, os dirigentes terão de contratar de maneira mais certeira e não poderão demitir apenas para dar satisfação a torcedores e conselheiros. Quem não trabalhar bem vai sofrer muito mais para se recuperar.

A media é forçada, mas pode ajudar o Brasil a melhorar sua cultura do jogo de futebol.

Globo Esportes

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