Pandemia dobrou pedidos, mas reduziu renda de entregadores

 


Nas ruas de praticamente todos os grandes centros urbanos, entregadores de aplicativo não saíram ilesos da pandemia: é mais trabalho, menos renda e maior risco à saúde. Correndo contra o tempo para realizar as entregas, entre o vai e vem de fechamentos do comércio de Belo Horizonte e outras cidades, motoboys viram os pedidos aumentarem, mas a concorrência acompanhou na mesma proporção.

De acordo com estudo divulgado em dezembro pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Diesse), o número de entregadores e motoboys aumentou 3,5% na pandemia, chegando a cerca de 950 mil em todo o país. Dados do aplicativo 99 Food também apontam para este crescimento desde o ano passado. No país, a alta foi de 910% no número de pedidos, e, só em BH, a estimativa é de crescimento foi de 800% no número de restaurantes cadastrados.

“Aumentaram 90% as chamadas depois da pandemia para os motoboys. Antes, as pessoas preferiam sair, mas, agora, impossibilitados, a alternativa é o delivery, o que antes não era tão usual, você só pedia uma pizza em ocasião especial”, explica a presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos que Utilizam Aplicativos do Estado de Minas Gerais (Sicovapp), Simone Almeida. A entidade reúne 1.600 filiados, entre motoristas e entregadores. 

Daya Arapiara, 21, perdeu o emprego no começo da pandemia e encontrou na atividade uma forma para sobreviver. “No início, eu morria de medo, mas foi o que me salvou”, conta a entregadora, que sai de bicicleta todos os dias do bairro São Gabriel, na região Nordeste de Belo Horizonte, e pedala 40 minutos para chegar na região Centro-Sul e começar o expediente.  “Nesse meio-tempo que comecei a trabalhar com os aplicativos, consegui um emprego, que tinha meus direitos, mas a empresa fechou, e tive que voltar”, afirma. Com BH e também outros municípios da região na Onda Roxa do programa Minas Consciente abertos apenas para estabelecimentos que vendem itens essenciais, a entregadora viu as entregas aumentarem em 40% nas últimas semanas de restrição. 

Segundo a 99 Food, depois do fechamento na capital, no dia 6 de março, os pedidos diários aumentaram 15% na cidade. O número de consumidores também cresceu 6,8% no mesmo período. "A gente passa muito perrengue. Eu queria que a entrega fosse um dinheiro a mais no orçamento. mas a gente precisa colocar comida no estômago, então, vou me virando como dá", desabafa. 

O Tempo

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