Saiba quais os 5 motivos que fizeram a COVID explodir em BH e no Brasil

 


Moradores de Belo Horizonte assistiram, nas últimas semanas, a uma alta nos indicadores da pandemia da COVID-19 que culminaram com novo trancamento da cidade. Em apenas 64 dias de 2021, a capital mineira registrou 74,4% do total de casos de todo o ano passado, e a ocupação das UTIs fechou o último boletim na zona crítica, com taxa de 81%. Essa combinação foi primordial na decisão da prefeitura de fechar novamente o comércio da cidade e permitir o expediente apenas dos serviços essenciais desde sábado. Mas quais são os fatores por trás dessa proliferação em massa do vírus na capital?

Em busca de respostas que ajudem a explicar o fenômeno, o Estado de Minas compilou dados e conversou com o infectologista Geraldo Cunha Cury, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), para tentar entender como BH, Minas e o Brasil em geral apresentaram números tão elevados na última semana. Cinco fatores aparecem como determinantes: a lentidão na vacinação; a circulação de variantes do novo coronavírus, três delas já mapeadas em BH; a gestão errática do governo federal para a pandemia; as festas de fim de ano e as aglomerações e viagens do carnaval; e a queda no isolamento social, ainda uma das providências mais importantes na batalha contra o vírus.

Ainda que toda essa gama de fatores tenha influenciado, Geraldo Cunha Cury aponta duas razões principais para a nova onda de transmissão da doença. “O primeiro é a escassez de vacina, pelo fato de o governo federal não ter contratado de fabricantes no ano passado. E também o aumento no número de casos em função da soma de ano-novo, festas irregulares, praias, férias e carnaval, o que também impulsionou as variantes”, explica.
 
Não é novidade que o Brasil caminha a passos de tartaruga para imunizar a população, após ter dificuldades diplomáticas até para comprar insumos para produção. Belo Horizonte recebeu até agora 293.520 vacinas: 219.520 da CoronaVac (Sinovac/Butantan) e 74 mil da AstraZeneca (Oxford/Fiocruz). Parte deste estoque, exatamente 51,3 mil doses, só chegou à capital mineira no último dia 1º. Antes, a gestão Alexandre Kalil (PSD) não recebia imunizantes desde 11 de fevereiro. Foram 17 dias consecutivos sem novo carregamento. Pegando Minas Gerais como exemplo, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estima que o estado vai levar mais 912 dias para vacinar toda sua população, caso o ritmo de imunização atual se mantenha. Desde o início da campanha, a velocidade da imunização é menor do que a média brasileira.
 
Ainda de acordo com a Fiocruz, Minas vacinou 635.176 pessoas, apenas 3,83% da população. Em BH, são 130.910 pessoas imunizadas com ao menos uma dose. Isso quer dizer que a capital protegeu parcialmente apenas 4,8% de seus habitantes. Desse contingente, 62.140 moradores (2,28% do total) completaram o esquema vacinal.
Na última semana, a cidade deu início à quarta etapa de vacinação, englobando os idosos entre 80 e 85 anos. Todo o novo estoque recebido do governo do estado será empenhado para proteger essa população. Essa fase vai até a próxima sexta-feira. A prefeitura também assinou o consórcio com outros municípios para compra de imunizantes, mas Kalil trata a questão com ceticismo, porque é uma atribuição do governo federal.
Estado de Minas



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