Bolsonaro diz que país está no limite e que espera sinal do povo para agir

 


O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar as medidas de distanciamento social para combater o coronavírus adotadas por Estados e municípios, ameaçar ações contra a prática e criticar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na manhã desta quarta-feira, em conversa com apoiadores, ele afirmou "o Brasil está no limite" e que está "aguardando o povo dar uma sinalização" para tomar providências. Comentando notícias da imprensa sobre pessoas em situação de fome, o presidente da República atribuiu o problema às políticas de restrições para combate ao vírus.

"Olha, o Brasil está no limite. O pessoal fala que eu devo tomar providências. Estou aguardando o povo me dar uma sinalização. Porque a fome, a miséria, o desemprego estão aí. Só nao vê quem não quer, quem não está nas ruas", afirmou.

"Esse pessoal, amigos do Supremo Tribunal Federal, daqui a pouco vamos ter uma crise enorme aqui. Eu vi que um ministro baixou lá um processo para me julgar por genocídio. Olha, quem fechou tudo, quem está com a política na mão não sou eu. Agora, eu não quero aqui  brigar com ninguém, mas estamos na iminência de ter um problema sério no Brasil. O que vai nascer disso tudo? Onde vamos chegar? Parece que é um barril de pólvora que está aí. E tem gente com paletó e gravata que não quer enxergar isso aí", disparou o presidente.

Foi a ministra Cármen Lúcia quem solicitou ao presidente do STF, ministro Luiz Fux, que marque uma data para o julgamento de uma notícia-crime contra Bolsonaro, na qual ele é acusado de genocídio. Na conversa com apoiadores, porém, o presidente mirou em outros ministros também. Ele citou diretamente Edson Fachin, que no ano passado determinou que a Força Nacional de Segurança deixasse os acampamentos do MST na Bahia. Segundo Bolsonaro, isso tem trazido riscos a moradores da região. Bolsonaro ainda lembrou que Fachin proibiu operações da polícia em comunidades do Rio de Janeiro em meio à pandemia.

Ele também criticou o ministro Luís Roberto Barroso, que determinou a instalação da CPI da Covid no Senado.

"É uma interferência, sim, desse ministro junto Senado para me atingir", criticou, elevando o tom da voz, dizendo que isso tem criado animosidade. "Agora, repito, a temperatura está subindo, a população está cada vez em situação mais complicada", completou.

O Tempo

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