Coluna Agenda 21 - 02/04/2021

 


PANDEMIA – APRENDIZADOS DIFÍCEIS!

A história sempre se repete, mas o ser humano tem memória curta.  
Em março de 1918 surgiu, no mundo, a gripe espanhola. Pandemia devastadora, atingiu os cinco continentes. Chegou ao Brasil em setembro daquele ano. Milhares de pessoas morreram em todo o planeta, muitas sem atendimento, pelo colapso dos sistemas de saúde. Alguns lugares negaram a gravidade do problema e o resultado foi catastrófico. Um caso famoso é o de Filadélfia, nos Estados Unidos, que promoveu um desfile com aglomeração de aproximadamente 200 mil pessoas para homenagear os soldados que partiam para a Primeira Guerra Mundial, tendo como consequência a disseminação da doença de forma violenta, ceifando um número alarmante de vidas em pouco espaço de tempo. Toques de recolher, uso de máscaras e a proibição de contato e aglomerações foram as estratégias de alguns países. Notaram alguma semelhança com o presente?
Naquela época, colher dados para estatísticas não era fácil. Assim, temos poucas informações sobre consequências psicológicas, sociais e econômicas causadas por esse período. O conhecimento da ciência também tinha suas restrições. Na medicina, ainda não havia antibiótico, analgésico apenas morfina. A solução, desesperadora, para médicos, enfermeiros e familiares, era esperar que o organismo do doente reagisse ou sucumbisse.
Olhando para os dias atuais, são cem anos de evolução da ciência. Já temos tratamentos mais eficientes, analgésicos menos agressivos, já conseguimos entender melhor o vírus para melhor combatê-lo. E mesmo assim, ainda morrem pessoas por falta de atendimento.  O que faltou aprender?
Além dos problemas imediatos de combate ao vírus, temos dificuldades estruturais que só pioraram no último século. A população cresceu muito e desordenadamente. A distribuição de renda agrava o problema, como antes, só que em proporções ainda maiores.
O Fantástico, programa da rede Globo, trouxe uma reportagem sobre mais um triste aspecto da pandemia: as crianças e adolescentes que perderam os pais e mães por causa da doença. Desamparo familiar e econômico. Pessoas que, de uma hora para outra, perdem o arrimo de família ou mesmo a família toda. Haverá como ampará-los com uma legislação eficiente? E, neste caso, como garantir que a causa-mortis seja corretamente apurada em cada caso para que se enquadrem nos possíveis benefícios? Pois, da mesma forma que há um século, a subnotificação e deturpação de laudos é frequente em todo o país.
 Há ainda a preocupação com insumos e pessoal. Faltam oxigênio, analgésicos, equipamento de segurança... Profissionais de saúde exaustos, doentes, sobrecarregados... O colapso chegou também aos hospitais particulares: em São Paulo estas instituições pediram vagas em leitos para o SUS - imagine o pânico de quem paga plano de saúde.
Diante de quadro tão desolador, só a ciência pode nos mostrar o melhor caminho. No Brasil, a despeito de toda falta de apoio, cientistas tem conseguido importantes avanços, tanto no tratamento, como na imunização da população. Segundo eles, é preciso seguir as regras de distanciamento da maneira mais precisa possível, pelo tempo que for necessário.
Precisamos, urgentemente, modificar nosso estilo de vida e estender a mão a quem não consegue, neste caos, ganhar o seu sustento. Por algum tempo. Afinal, a saúde é o bem mais precioso que temos. Sem ela, nada mais interessa.
* Luciane Madrid Cesar
Artigo gentilmente cedido pela autora a título de colaboração com a Agenda 21 Local.

Engº Alencar de Souza Filgueiras 
Presidente do Fórum Agenda 21 Local 
Presidente do Conselho Fiscal do IBAPE/MG  
Contato: agenda21localvarginha@gmail.com


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