Agenda 21 e Cidadania 07/05/2021



 ZOOLÓGICOS, UM TRISTE LEGADO


“Para ver muita coisa é preciso despregar os olhos de si mesmo” -  Friedrich Nietzsche. É uma verdade difícil de ser assimilada. Despregar nossos olhos de nós mesmos é perceber o mundo ao redor e intervir de maneira a deixa-lo mais humano, na plenitude da palavra. 

Neste sentido, hoje escolho escrever um pouco sobre os Zoológicos, tema que, por certo, poucos se atentam. 
Lembrado na maioria das vezes como mero entretenimento, quase sempre são estruturas palco de extremo sofrimento animal. 
Com existência milenar, estudos de civilizações antigas constataram a prática de coleções de animais selvagens, em cativeiro, utilizadas a época para desfrute das classes hierarquicamente dominantes. Ainda com o mesmo propósito esta prática foi acolhida pelas realezas europeias, a partir do século XV.
A revolução industrial, a ascensão da burguesia urbana e a queda das monarquias imperiais fizeram com que os zoológicos começassem a ser explorados como atividade econômica por meio da visitação pública mediante pagamento de ingresso. 
A recreação dos visitantes proporcionada pelo encarceramento de exemplares de uma fauna exótica, em espaços totalmente inapropriados ao bem-estar animal persistiu por longos anos e ainda persiste.
Há quem afirme que este modelo exploratório, utilizado para  deleite do público, está superado.  Há ainda quem afirme ou até mesmo acredite que atualmente os zoológicos assumiram seu real papel de conservação das espécies, preservação da biodiversidade e do patrimônio natural. 
Não vejo tais afirmações como uma realidade. Zoológicos de estrutura e manutenção inapropriados estão por toda parte e quase sempre entregues ao acaso. Geralmente são locais com animais presos em espaços minúsculos desprovidos de qualquer característica que remonte seu habitat natural, sem contato com outras espécies, sem qualquer companhia, onde a tristeza, apatia, desolação modelam o semblante de toda coleção.  Alguém é capaz de imaginar como é viver assim, dia após dia, esperando o consolo de ver seu sofrimento abreviado por uma morte rápida.
É uma situação deveras delicada e angustiante àqueles com o mínimo de sensibilidade. Foge completamente a razoabilidade pensar que pessoas ainda aprovem a exploração destes animais com visitações constantes.
Porém, a partir do momento em que essas coleções animais foram organizadas seu desmonte deve ocorrer de forma apropriada, pela impossibilidade de reinseri-los nos habitats naturais, pela desconexão da sua coletividade e falta de instintos necessários à uma vida de liberdade. 
Com certeza, enquanto este desmonte não é viabilizado, existem soluções que, se não capazes de resolver o todo, poderiam amenizar. Uma delas, com certeza, passa pela proibição de aprisionamento, com fins exploratórios, de novos exemplares.
E por fim, peço a todos aqueles alcançados por este texto que repenssem o legado deixado às próximas gerações, e que este repudie o prazer em entretenimentos tão mórbidos.
 

Engª Civil Stella Maria Sulz Barbosa 
Vice-Presidente do Fórum da Agenda 21 Local 
Contato: agenda21localvarginha@gmail.com

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