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Agenda 21 & Cidadania - 18/06/2021




 Você acha que velhice é doença?

A OMS - Organização Mundial de Saúde - pretende incluir a velhice na classificação de doenças descritas pelo CID (classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde), sob o código MG2A, entrando em vigor em janeiro de 2022. Esta classificação existe desde 1900 e consiste numa tabela publicada e revisada periodicamente pela OMS – esta será a CID11 - cujo objetivo principal é padronizar os diagnósticos. Utilizada por seguradoras, gestores nacionais de programas, especialistas em coletas de dados e outros profissionais que acompanham e determinam a alocação de recursos na área da saúde é, também, uma importante ferramenta epidemiológica no cotidiano médico, monitorando a incidência e prevalência das enfermidades.
  A notícia causou desconforto a especialistas, que temem uma simplificação na descrição das doenças que acometem idosos. Isto pode mascarar enfermidades neste público, interferindo em seu tratamento e pesquisa. Assim, doenças coronárias, câncer e outras poderão vir discriminadas em atestados médicos ou de óbito, genericamente, com o código de velhice. “Morrer de velho” não será apenas uma metáfora. Em reportagem de Constança Tatsch no Yahoo! Noticias, o presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort, ressalta: — O novo código é simplista e só atrapalha. Se vai fazer seguro de vida e tem 66 anos, perguntarão se tem doença, e sim, terá: velhice. E o paciente que morre poderá receber o diagnóstico de... “velhice”.
  Outro ponto relevante é o padrão utilizado para a classificação. A proposta não é clara em relação a idade necessária para que a pessoa seja considerada velha. Nos países da América Latina, geralmente, os seguros e previdências consideram velhas pessoas com 60 anos, diferente da Europa, como na Itália, por exemplo, que é 75. Ao olharmos para trás, no tempo, perceberemos que os 60 anos de nossos avós não foram os mesmos de nosso pais e não serão, com certeza, os mesmos nossos. Vivemos cada vez mais e com mais saúde e, além disso, temos diferenças individuais de modo vida que se refletem no vigor e imunidade de cada um. Seria justo estipular um tempo fixo para se ficar doente de velhice? 
  Acredito, entretanto, que o pior dano em consequência deste novo CID é o agravamento do ageísmo – o preconceito por idade. Num mundo que privilegia a produção, o consumo e a pressa e onde a juventude é padrão de beleza e competência, identificar a velhice como doença é negar o que ela realmente é – uma fase da vida a que quase todos nós chegaremos. E, é bom lembrar, quem chega a velhice é um vencedor na loteria da vida.

* Luciane Madrid Cesar
Artigo gentilmente cedido pela autora a título de colaboração com a Agenda 21 Local.

                 
Engº Alencar de Souza Filgueiras 
Presidente do Fórum Agenda 21 Local 
Presidente do Conselho Fiscal do IBAPE/MG  
Contato: agenda21localvarginha@gmail.com


 
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