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Coluna Fatos e Versões com Rodrigo Silva Fernandes - 16/06/2021




 Registros da história 

A TV Princesa, órgão de comunicação pertencente a Prefeitura de Varginha está comemorando 30 anos. Neste tempo a televisão fez importantes registros da história recente de Varginha. Possui em seus arquivos pérolas de nossa política administrativa, registrou costumes, gravou tradições e entrevistou celebridades. A TV Princesa, como parte do Poder Público controlado pelo chefe do Executivo municipal, nunca foi muito “questionadora”, mas seus arquivos registram o desenvolvimento da cidade e por seus quadros passaram grandes nomes do jornalismo. Nestes 30 anos de TV Princesa uma das ações de comemoração será a digitalização de todo o acervo da emissora, o que possibilitará que seus arquivos sejam mais acessíveis a todos. A digitalização da TV Princesa foi um dos compromissos do atual presidente da Fundação Cultural, Marquinho Benfica, que tem realizado um bom trabalho na pasta. Vale também destacar que o setor cultural ao qual a TV está ligada é uma área polêmica e controversa, na última eleição, tivemos até um candidato a prefeito oriundo do setor cultural, que trabalha justamente na TV Princesa. Veja por ai que o setor está cada dia mais politizado e participativo. 

 

Cheque especial inútil 

O prefeito de Varginha, Vérdi Melo, disse que já tem recursos disponíveis para comprar vacinas, a exemplo de outras prefeituras do Brasil. Contudo, o processo de compras não está disponível para empresas privadas, físicas ou mesmo para prefeituras, visto que toda a produção e importação da vacina é destinada ao Governo Federal que tem feito a distribuição aos estados e municípios. Desta forma, o governo municipal dizer que “já tem recursos e está pronto para comprar vacinas à população e tão eficiente quanto dizer que vai pro céu porque já tem dinheiro pra comprar terreno no paraíso”! O processo de compra e distribuição de vacinas vai continuar, por longo tempo, sendo exclusivo do governo federal. Boa parte dos recursos federais “carimbados” vindos para Varginha no combate a pandemia, provavelmente, precisaram ser devolvidos ou gastos de outra forma se abrirem o leque para o uso do dinheiro. O “cheque especial” criado nas contas municipais com o recurso federal vindo para combater a pandemia, poderia em tese, ser utilizado para ampliar a estrutura permanente da área de saúde o que seria bom para defender o cidadão contra o covid-19, mas que também deixaria um legado permanente e útil na cidade. A Prefeitura de Varginha querer gastar milhões na compra de vacinas, o que somente seria possível no início do ano que vem, provavelmente não seria útil, pois até lá, mais de 70% da população deverá já estar imunizada. Ou seja, gastaríamos milhões de reais sem utilidade prática nenhuma e nada deixaríamos de melhor na estrutura pública de saúde para defender a população de Varginha contra tantas outras doenças. 

 

Fornecedores 

O Executivo municipal descobriu outro “problema” envolvendo um de seus fornecedores. Na semana passada a coluna publicou uma nota sobre empresa que prestou serviços à Prefeitura de Varginha e não pagou seus fornecedores locais o que forçou o governo municipal a reter o pagamento do fornecedor principal para quitar diretamente o comércio local que havia ficado no prejuízo. Agora chega a notícia de outro fornecedor, a Nutriplus, que fornece merenda nas escolas públicas de Varginha. A empresa teria deixado de pagar o Fundo de Garantia (FGTS) e outros direitos trabalhistas de 40 trabalhadoras que atuavam como merendeiras nas escolas públicas municipais. Neste caso, as merendeiras que são funcionárias privadas podem buscar seus direitos junto a Justiça do Trabalho e, em tese, caso a empresa Nutriplus não quite a dívida, é possível que a Prefeitura de Varginha seja acionada a pagar a dívida, como ocorreu no caso anterior noticiado na semana passada. A Prefeitura de Varginha possui milhares de fornecedores permanentes e não seria possível que o município policiasse todas as empresas que lhe presta serviços e produtos. Contudo, seria saudável para os cofres públicos que os principais fornecedores que recebem milhões dos cofres municipais tivessem “atenção especial quanto a sua gestão e saúde financeira”. Afinal o “compromisso solidário” de pagar dívidas dos outros é um risco que todos que estão no mercado correm, inclusive o município. 

 

Inimigos ontem e amigos hoje 

A coluna recebeu diversos e-mails e mensagens questionando a quantidade de “amor” que fez com que diversos ex adversários políticos do PT, PSB, PDT, e outros tantos que no passado eram adversários de Vérdi Melo hoje estejam felizes trabalhando no governo! Foram fotos, discursos e filmagens que mostram personalidades públicas que atuavam em partidos da oposição xingando o governo, mas que hoje trabalham com o prefeito, inclusive no primeiro escalão e outros cargos relevantes. Isso não quer dizer que o atual governo municipal está sem oposição, mas que boa parte dela é “sensível ao oferecimento de CPCs no Executivo”. De qualquer forma, um dos últimos bastiões da oposição municipal está se preparando para viabilizar sua candidatura a deputado estadual: Zacarias Piva. O ex-vereador está sumido das manchetes, mas, não longe da política. Segundo Piva, boa parte do grupo que o apoiou em 2020 estará com ele em 2022, quando o governo Vérdi também deve apoiar outros nomes a estadual. Será que teremos uma “revanche” de 2020? 

 

Retomada 

Com o avanço da vacinação, aos poucos, algumas regiões do Brasil vão retomando a normalidade com a volta da população. Claro que isso ainda vai demorar e para os especialistas, 2021 já está comprometido. Contudo, a esperança é que em 2022 já teremos vida próxima do normal de antes do Covid-19. Mas vale registrar que em alguns “setores”, nada mudou no funcionamento. A criminalidade, infelizmente, não alterou em nada seu funcionamento em todo o Brasil! A corrupção e tráfico de drogas, por exemplo, tiveram até aumento em muitas cidades devido aos repasses de recursos federais para municípios e o pagamento do auxílio emergencial a população carente. Já os roubos e assaltos também tiveram aumento em algumas cidades. Em Varginha as apreensões de drogas reduziram, mas isso não significa que o tráfico diminuiu, pelo contrário. Já quanto aos assaltos e roubos há diversos registros, inclusive em áreas centrais e movimentadas. Nossa polícia militar é eficiente, embora a polícia civil, sem recursos financeiros, não tenha condições de fazer as investigações necessárias para prender grandes quadrilhas. Em tempo, o Governo de Minas precisa investir mais em Segurança Pública para garantir que, a retomada da economia, não venha também acompanhada por uma retomada da criminalidade pelo estado. Já a Guarda Civil Municipal precisa ter um efetivo capacitado e entrosado com as demais instituições de segurança para garantir que Varginha terá apenas a retomada da economia e não da marginalidade também. 

 

Desigualdade vacinal 

A imprensa da Capital já denunciou o caso da desigualdade vacinal promovida pelo Governo Zema que tem distribuído vacinas de forma desigual pelas regiões e cidade do Estado. A Capital Belo Horizonte e outras cidades estão recebendo bem mais vacinas que outras cidades mineiras. O Governo Estadual alega que as vacinas são distribuídas de forma igualitária e proporcional a população em cada cidade. Contudo, a verificação dos números populacionais mostram que Zema está beneficiando a Capital em detrimento do interior. Em Varginha não temos ainda o número de vacinas entregues em comparação com outras cidades de igual população da região, mas também não se sabe se nossas autoridades municipais estão atentas para isso! No encontro que teve com o secretário estadual de Saúde, o prefeito Vérdi Melo não reclamou da demora e da pequena quantidade de vacinas entregues a Varginha, mas apenas se comprometeu a vacinar rapidamente a população quando entregues as vacinas. Será que a passividade do município frente a todo o processo de distribuição do imunizante estaria causando o atraso da vacinação na cidade? O famoso ditado “quem não chora não mama” caberia bem nesta situação! 

 Fiscalização no transporte 

O transporte coletivo de Varginha nunca teve uma fiscalização eficiente! Prova disso é que as reclamações de atraso de ônibus, veículos danificados e assaltos nos coletivos sempre foram comuns na cidade. Sem falar na falta de investimentos e o alto custo do transporte coletivo em Varginha, onde temos apenas uma empresa atuando em monopólio. Mas com a pandemia do Covid-19 a falta de fiscalização tomou contornos perigosos que precisam ser vistos e corrigidos pelo governo municipal. Ocorre que nos horários de pico, além da falta de ônibus, temos visto veículos lotados, com promoção de aglomerações e passageiros sem máscara ou com uso incorreto do equipamento de proteção. De nada adianta a fiscalização severa no comércio, fechando bares e restaurantes sem que o mesmo rigor seja levado também ao transporte coletivo. Há registros de bares que foram multados por conta de centímetros a menos no distanciamento entre clientes usando máscaras. Já no transporte coletivo, a fiscalização faz “vista grossa” para ônibus lotados onde passageiros espremidos não usam máscaras. Isso beira o deboche e precisa ser mudado e também multado! 

 

Certezas e possibilidades do PTB 

O Partido Trabalhista Brasileiro – PTB é um dos poucos partidos com diretório regularizado em Varginha, visto que a maioria das legendas locais são comandadas por Comissões Provisórias ou alguns poucos que estão constituídos por diretório apresentam problemas como falta de documentos ou falta de prestação de contas. Aliás a falta de prestação de contas é um dos principais problemas das legendas que lançaram candidatos em 2020. Mas o PTB de Varginha, até mesmo por ter sido poder vários anos, tem estrutura e recursos para se manter em dia e com pretensões para 2022. O partido manteve o ex-deputado Dilzon Melo como o “barão da política estadual” por décadas, seguido pelo governo de Antônio Silva, que filiado ao PTB, administrou Varginha por oito anos. Agora sem um deputado estadual forte na região e depois de perder a Prefeitura de Varginha, o PTB quer voltar ao poder, tanto em âmbito estadual quanto municipal. Nos bastidores uma família tradicional da política local tem desejo de voltar ao centro do poder: Os Ottonis! A família que ganhou destaque com Eduardo Ottoni que no passado foi prefeito e depois deputado estadual voltou a política com seu sobrinho quando Carlos Honório Ottoni Junior (Honorinho) ganhou para vereador e chegou a presidente da Câmara e hoje é secretário de Governo. O mesmo ocorreu com seu primo, Dudu Ottoni (filho de Eduardo Ottoni), que também ganhou para vereador e depois chegou ao posto máximo do Legislativo municipal, presidindo a Câmara de Varginha. Tanto Honorinho quanto Dudu Ottoni são filiados ao PTB e, dizem as notícias, terão os caminhos unificados nos próximos anos. Honorinho, como secretário de Governo, é cabo eleitoral para fazer do vereador Dudu Ottoni o próximo presidente da Câmara, substituindo Zilda Silva. A tarefa não é fácil, visto que alguns vereadores já trabalham numa chapa com nome diferente para presidente. Já Dudu Ottoni deve apoiar o primo Honorinho em seu desejo de ser candidato a deputado estadual por Varginha. Honorinho tem tarimba para ser deputado, e se Dudu estiver como presidente da Câmara, as chances do primo como candidato a deputado aumentam. E se Honorinho vier a ganhar como deputado estadual pelo PTB de Varginha, tem conhecimento e competência para ocupar o espaço político que um dia foi de Dilzon Melo. Caso isso ocorra, o sonho de Dudu Ottoni também fica mais fácil de virar realidade! Dudu Ottoni tem o desejo de ser prefeito de Varginha, ocupando o cargo que um dia foi do pai dele, Eduardo. Honorinho também tem desejo de ser prefeito de Varginha, mas certamente atrasaria o sonho para ser deputado, se a sorte o sorrir! Só falta agora combinar com a concorrência, que não é pequena! Afinal, interessados em ser presidente da Câmara, deputado estadual e prefeito de Varginha é coisa que não falta, o inferno está cheio! A conferir o “bate bola” dos primos.



 
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