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Governo Bolsonaro reduziu em 44 mil o número de servidores



Desde o início da gestão de Jair Bolsonaro, em 2019, o governo federal reduziu em 7,06% o número de servidores federais ativos. Essa era uma promessa da equipe econômica do governo, que sempre defendeu uma redução do tamanho da máquina pública. O Executivo também diminuiu o número de ministérios de 29 para 22. 

O quadro de pessoal civil no último mês do governo de Michel Temer (dezembro de 2018) era de 630.689 trabalhadores. Já os dados recentes (de abril de 2021), apontados pelo Painel Estatístico de Pessoal no site do Ministério da Economia, mostram um quadro com 586.110 servidores, uma diminuição de 44.579 funcionários neste governo até aqui. 

O número de servidores ativos no Executivo em 2021 é o menor desde 2011, quando o ano fechou com um quadro pessoal de 585.119 trabalhadores. 

No atual governo, o número de cargos comissionados (de livre indicação política) apresentou uma redução de 628 postos, indo de 23.172 em dezembro de 2018 para os atuais 22.544. 

A queda no número de servidores pode ser explicada pela redução do volume de ingressos no serviço público, já que têm ocorrido menos concursos (para vagas permanentes) e processos de seleção (vagas temporárias). Se o número em 2019 (61 mil) já havia sido o menor desde 2012, em 2020, com a pandemia, esse contingente caiu para 45 mil novos funcionários. Só 6.520 deles entraram por concurso público, ou seja, viraram servidores do quadro permanente. Como foram cerca de 14 mil aposentadorias no ano passado, o número diminuiu. O mesmo já havia acontecido em 2019, quando 37.903 servidores se aposentaram, e deve acontecer também em 2021, com uma estimativa de 14.952 aposentadorias até o fim do ano, segundo o Ministério da Economia. 

“Há um tempo que não se fazem concursos, os servidores vão se aposentando, e o governo não tem – ou pelo menos não é transparente – uma política de reposição desses servidores, então a tendência é que esse número vá diminuindo”, explica Pedro Pontual, presidente da Associação Nacional dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental. Ele alerta, porém, para o risco de queda na qualidade do serviço e critica a falta de uma política que realmente avalie o serviço público. 

“A quantidade de servidores ativos no governo federal oscila em torno desse número há pelo menos dez anos.  A população brasileira cresceu nos últimos dez anos, então você pressupõe que a demanda pelo serviço público também cresceu. Se a gente fizer somente uma avaliação mais fria da quantidade de servidores ativos para cada 100 mil habitantes, a queda é bastante expressiva. Só que não temos parâmetro para dizer se essa queda piorou o serviço, porque o governo nunca se preocupou em medir isso. Não temos um parâmetro claro e bem estabelecido para sabermos o limite”, avaliou. 

O advogado e especialista em direito público Carlos Barbosa também vê problemas. “O governo só está diminuindo o ingresso de novos servidores e diminuindo o gasto com a máquina pública, mas não está reestruturando o pessoal com treinamento, qualificação, motivação, ainda mais se a gente pensar que os servidores na ativa passam a desempenhar funções diferentes daquelas para as quais eles foram contratados, antes desempenhadas por servidores aposentados que não foram repostos”, avalia. 

Gastos caíram 6,06% em relação a 2018 

Mesmo com a redução no número de servidores ativos, o impacto no orçamento é mínimo porque o aumento dos salários é maior que a inflação desde 2001, quando passou a valer a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). 

Segundo o Painel Estatístico de Pessoal do Ministério da Economia, corrigindo com a inflação, houve uma queda de 3,65% no gasto com pessoal civil do governo federal (que inclui ativos e inativos), quando se compara janeiro a abril de 2021 com o mesmo período de 2020. Em valores nominais, houve acréscimo de 1,25%. Já a comparação entre o primeiro quadrimestre de 2018 (no governo anterior) com o mesmo período deste ano aponta queda de 6,06% quando os valores são corrigidos pelo IPCA. Em valores nominais, há uma alta de 6,72%. 

As despesas com servidores são gastos obrigatórios, ou seja, o governo não tem como reduzi-las demais. A saída, segundo o ministro Paulo Guedes e a equipe econômica do governo, seria a implementação da reforma administrativa que tramita no Congresso. 

Especialistas ouvidos pela reportagem dizem que é necessário que se reformule o serviço público brasileiro, mas criticam o modelo de reforma em tramitação no Congresso.  

“Não tem como uma reforma como essa que está proposta trazer serviços melhores, porque ela não parte do princípio de que existe uma melhoria de serviços a ser feita. Ela fala que os serviços são ruins, mas não apresenta números. O ideal seria falar:'por resultado que está posto, qual o gasto necessário'. Mas para isso seria importante regulamentar um dispositivo da constituição que é implementar uma avaliação do serviço pelo cidadão e pelo Estado”, aponta Pedro Pontual. 

“Ficou uma discussão cheia de preconceitos e no campo ideológico. Atribuem, por exemplo, a baixa qualidade do serviço público à estabilidade do servidor. Mas não há números nem dados que comprovem que o serviço é ruim porque o servidor tem estabilidade”, diz. 

Para Carlos Barbosa, a reforma precisa focar a qualidade do serviço. “Tem que haver uma reforma responsável. Não é simplesmente tirar o servidor e os direitos e benefícios, tem que ter uma reestruturação entre órgãos e funções, ou o resultado será a precarização do serviço público”, avalia.



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