Ocupação de UTIs em 20 estados reforça ameaça no país, diz Fiocruz



Após um curto período de estabilidade, o sistema de saúde brasileiro caminha para o temido colapso de inverno. Anunciada desde o início de abril deste ano, ainda durante o segundo pico da pandemia, a nova crise agora grita nos números.

Dados publicados pelo Observatório da Fundação Oswaldo Cruz na sexta-feira (4/6) mostram que as taxas de ocupação de leitos de UTI do SUS para COVID-19 é superior a 80% em 20 estados brasileiros. Em outros seis, a situação é pré-crítica, ou seja, mais de 70% das vagas disponíveis estão em uso. Treze unidades da federação já acumulam filas de espera por leitos, incluindo Minas Gerais.

As mazelas a que assistiremos desta vez, alertam especialistas, podem ser ainda piores do que aquelas enfrentadas em março, já que o perfil dos pacientes internados mudou: eles, agora, são mais jovens e permanecem mais tempo no hospital. A circulação de novas variantes do vírus é outro agravante do cenário pandêmico.

Estudiosos da Saúde Pública acreditam que o controle da situação está ao alcance das autoridades, mas se mostram pouco otimistas quanto à atuação assertiva do poder público nas próximas semanas. A melhor expectativa é de que o curso natural da vacinação ponha freio à sequência de colapsos.


Sinal vermelho


Elaborado a partir de dados compilados entre 23 e 29 de maio, o mapa de ocupação das UTIs COVID montado pela Fiocruz estampa uma grande mancha vermelha. Onze estados brasileiros apresentam lotação em nível considerado extremamente crítico, ou seja, superior a 90%.
Com 106% de vagas ocupadas, o Mato Grosso do Sul tem o quadro mais delicado. A lista segue com Pernambuco (98%), Rio Grande do Norte (99%), Sergipe (96%), Paraná (95%), Mato Grosso (95%), Distrito Federal (95%), Ceará (92%), Alagoas (92%), Santa Catarina (92%), e Tocantins (91%).

Em outros nove estados, o cenário é tido como crítico, com lotação que oscila entre 80% e 89%. São eles: Piauí (89%), Goiás (89%), Bahia (86%), Rio de Janeiro (85%), Rio Grande do Sul (83%), Maranhão (83%), São Paulo (82%), Minas Gerais (81%) e Paraíba (81%). Seis unidades da federação estão na zona de alerta intermediário (entre 60% e 80% de ocupação). Apenas o Acre está fora da zona de alerta.

Doze estados e o Distrito Federal já acumulam lista de espera por leitos, já que vários municípios tiveram a capacidade de atendimento estrangulada. O Paraná lidera o ranking, com 647 pacientes na fila. O Mato Grosso do Sul, com 291 pessoas, ocupa o segundo lugar. Pernambuco (269) é o terceiro, seguido por Minas, com 264 doentes na espera. As informações são das secretarias estaduais de saúde, divulgadas na sexta-feira (4/6).

Estado de Minas

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