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Área de mineração e garimpo no Brasil cresceu 6 vezes entre 1985 e 2020



Entre 1985 e 2020, a área minerada no Brasil cresceu seis vezes, passando de 31 mil hectares para 206 mil hectares. A expansão foi medida por meio de análises de imagens de satélite com o auxílio de inteligência artificial e foi medida pelo MapBiomas, iniciativa que envolve organizações não governamentais (ONGs), universidades e empresas de tecnologia. O estudo inédito avalia as atividades de mineração industrial e de garimpo.

Segundo o levantamento, em 35 anos, a exploração mineral saltou de 20.800 hectares (ha) para 98.300ha, enquanto o garimpo subiu de 10.600ha para 107.800ha, superando a área da extração de minério. A atividade mineradora é responsável atualmente por 5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Em Minas Gerais, a parcela é de 4% do PIB, segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

O avanço da área ocupada pela extração mineral desperta também a atenção para a necessidade de mais investimentos na segurança na atividade, preocupação que aumentou depois das duas tragédias de rompimentos de barragens de rejeitos de minério ocorridas em Minas Gerais: a da Samarco, em Mariana, ocorrida em novembro de 2015, e a da Vale, em Brumadinho, em janeiro de 2019.

“As nossas minerações industriais não evoluíram do ponto de vista de segurança no mesmo tanto que evoluíram do ponto de vista da eficiência da produção mineral”, alerta o professor César Diniz, especialista em análise espacial do MapBiomas.




A produção de ferro (25,4%) e de alumínio (25,3%) respondem por metade da área de mineração industrial, enquanto a extração de ouro é responsável por 86,1% da área garimpada no Brasil. O estudo aponta ainda que  a expansão do garimpo coincide com o avanço sobre territórios indígenas e unidades de conservação.

De 2010 a 2020, a área ocupada pelo garimpo dentro de terras indígenas cresceu 495%. No caso das unidades de conservação, o crescimento foi de 301%. No ano passado, metade da área nacional do garimpo estava em unidades de conservação (40,7%) ou terras indígenas (9,3%). 

As maiores áreas de garimpo em terras indígenas estão em território kayapó (7.602ha) e munduruku (1.592ha), no Pará, e yanomâmi (414ha), no Amazonas e em Roraima. Entre as 10 unidades de conservação com maior atividade garimpeira, oito ficam no Pará. As três maiores são a APA do Tapajós (34.740ha), a Flona do Amaná (4.150ha) e o Parna do Rio Novo (1.752ha).

Ranking de estados com mais mineração

De acordo com o estudo, Minas Gerais é o segundo estado na lista com mais território explorado pela mineração industrial São 32.700ha, atrás apenas do Pará, que tinha 33.600ha no momento da pesquisa. O levantamento do MapBiomas mostra que a expansão da mineração industrial no Brasil foi de 2.200ha/ano entre 1985 e 2020. No garimpo, o ritmo de crescimento há 35 anos era de 1.500ha/ano, mas a partir de 2010 subiu para 6.500ha/ano.

Em 2020, três de cada quatro hectares minerados no Brasil estavam na Amazônia, segundo o estudo. O bioma concentrava 72,5% de toda a área, incluindo a mineração industrial e o garimpo.  Eram 149.393ha, dos quais 101.100ha (67,6%) de garimpo. No caso da mineração industrial, o bioma amazônico abrigava 49,2% da área ocupada por essa atividade no país.

“Pela primeira vez, a evolução das áreas mineradas é apresentada para a sociedade, mostrando a expansão de todo o território brasileiro desde 1985. Trata-se de dados inéditos, que permitem compreender as diferentes dinâmicas das áreas de mineração industrial e garimpo e suas relações, por exemplo, com os preços das commodities, com as unidades de conservação e terras indígenas”, afirma Pedro Walfir, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e coordenador do Mapeamento de Mineração no MapBiomas.

Estado de Minas

 
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