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Associação de clubes questiona público para o Cruzeiro e pede igualdade



Logo após o empate com o Vitória por 2 a 2, em jogo realizado no Independência, na noite desta quarta-feira (11), pela 17ª rodada da Série B, Sérgio Santos Rodrigues, presidente do Cruzeiro, foi às redes sociais celebrar o fato de que o clube conseguiu converter no STJD a pena da perda de dois mandos de campo (após cumpridos os três primeiros do total de cinco) em medida de interesse social na forma do artigo 171 e seguintes do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva). 

Desta maneira, o Cruzeiro cumprirá, portanto, o último jogo de punição no próximo sábado (14), às 16h30, diante do Sampaio Corrêa, e o público estará, conforme o mandatário, presente nos jogos do time a partir da 20ª rodada da Série B, quando o time enfrentará o Confiança, em 20 de agosto, às 21h30. 

Apesar da celebração do dirigente, a decisão precisa de um acordo a nível nacional, como salientou Francisco José Battistotti, presidente do Avaí e da Associação Nacional de Clubes de Futebol, a ANCF. Para o represantante, que teve participação na luta pelo VAR nas Série B, C e D do Brasileiro, o Cruzeiro não pode ser beneficiado recebendo torcida enquanto outros clubes do país não poderão receber. 

"Não é isso que estamos pleiteando nas reuniões que estamos tendo com a CBF. Estamos procurando algo para todos. Até porque isso dá conflito de torcida. O Confiança, por exemplo, vai jogar no Mineirão com torcida, e nós vamos jogar lá sem ninguém? Não é o STJD que determina a situação de liberação de estádio. Quem tem que determinar isso é a justiça. O STJD pode falar uma coisa e a CBF pode ir lá para derrubar a liminar ou qualquer outro clube que se sentir em condição desigual de disputa" declarou Battistotti, em contato com a reportagem do Super.FC

Ele apontou que a Associação vem deliberando com a CBF a possibilidade de contar com torcida a partir de setembro. Um protocolo foi até passado pelo grupo à entidade que rege o futebol nacional. Ele lembrou ainda dos casos de Flamengo e até mesmo do Atlético, que também ingressaram no STJD para ter torcida nos campeonatos nacionais. A CBF vem buscando derrubar as liminares que concedem tal direito uma vez que o tema fere o acordo de clubes. A decisão do STJD libera o público se a autoridade local der o aval.   

A CBF declarou em recente comunicado que lutará para manter o "equilíbrio técnico" no Brasileirão, indicando que irá recorrer, já que não são todos os clubes que poderão ter torcida em suas partidas. 

Segundo a CBF, o retorno do público aos seus torneios só está previsto para as quartas de final da Copa do Brasil, mas ainda não especificou como isso será feito. 

"Nós protocolamos junto ao governo federal e a CBF para que aconteça a liberação dos campeonatos nacionais sendo que todos tenham a igualdade de condições. Isso aí fere a condição de jogo dentro de estado para estado. O Cruzeiro vai se beneficiar de uma situação, enquanto em Santa Catarina o governo não permite colocar ninguém? Não acredito que isto aconteça. A CBF já recorreu agora no caso do Flamengo. O que nós estamos fazendo é que o governo baixe uma portaria permitindo o retorno dos torcedores. O protocolo apresentado por nós prevê o retorno do publico vacinado e só para sócios, que é a única forma que encontramos para controlar o acesso. Buscamos que o governo permita um percentual de 30% a 40% de público no estádio, com comprovante de vacinação apresentação do cartão de sócio para liberar a catraca para ele e evitar possibilidade de fraudes", salientou Battistotti.  

É preciso ponderar que a prefeitura de Belo Horizonte já liberou o retorno de público limitado nos estádios da capital, mas não prevê apresentação de cartão de vacinação, mas de teste de PCR. O presidente da Associação Nacional de Clubes de Futebol, no entanto, ressaltou que a entidade é totalmente a favor da volta de público nos estádios brasileiros, mas desde que isso seja para todos. 

"A coisa tem que ser a nível nacional. Nos Estaduais acredito que a coisa está fluindo tranquilamente. Nós, na Copa Santa Catarina, já entramos com pedido para receber público. Mas essa questão nacional vai acabar entrando na Justiça. Nós somos plenamente a favor do retorno, temos uma sinalizaão da CBF para isso. Sei que o Kalil (prefeito de Belo Horizonte) foi dirigente de clube e sabe das dificuldades que passamos e está brigando por isso, a receita nossa caiu consideravalmente. Mas é preciso que todos possam sair beneficiados", ressaltou. 

Para Battistotti, a pressão do Cruzeiro pode ser favorável para forçar uma abertura na Série B, mas ele voltou a destacar que a decisão ainda precisa de muita análise já que envolve medidas nacionais e cada estado pode ter sua peculiaridade na tomada da decisão.  

"A medida do Cruzeiro dá uma pressão a nível estadual, pedimos para que todos os presidentes de clubes da Série B consigam em seus estados a liberação também. Tomara que isso possa abrir portas para todos, mas a nossa previsão e o trabalho que estamos fazendo é uma previsão para setembro", finalizou. 

Luta para prevalecer os direitos celestes 

Em um recente contato com membros da diretoria celeste, o Cruzeiro reforçou sua contribuição junto à Associação Nacional de Clubes de Futebol para buscar melhores condições para todos, porém ressaltou o direito do clube de buscar seus interesses, como a luta pelo retorno de torcedores nos estádios, ainda mais com o clube tendo conseguido contornar uma delicada situação de penalização imposta pelo STJD devido aos incidentes em 2019. 

É preciso apontar que quando da petição do Flamengo para ter torcida no estádio, a CBF apontou que a decisão rubro-negra contraria a deliberação tomada pelos clubes em reunião do Conselho Técnico da Série A, ocorrida em 24 de março de 2021 que, dentre outras questões, vedou a presença de público nos estádios até nova apreciação do assunto pelos clubes. Tal vedação é objeto de diretriz técnica que integra expressamente o Regulamento Especifico da Competição. O mesmo também valeria para a Série B. 

Super FC


 
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