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Desastre da Vale causa conflitos por água e terra em 11 regiões de Minas Gerais

 


O rejeito que vazou da barragem B1, da mina Córrego do Feijão, contaminou o leito do rio Paraopeba e acabou com a subsistência de comunidades. 

O resultado é ainda mais vulnerabilidade para populações historicamente esquecidas. Comunidades que acumulavam memórias e relações afetivas se transformaram em vilas-fantasmas.

Passados mais de dois anos e meio do rompimento da barragem, em Brumadinho, na região metropolitana da capital, as consequências causam conflitos pela terra e pela água, em 11 áreas do Estado. 

É o que mostrou o levantamento da Comissão Pastoral da Terra de 2020. Das 156 disputas registradas em Minas, 8% estão diretamente ligadas ao desastre. 

Ao todo, são quase 1.600 famílias impactadas por conflitos – como na comunidade de Pontinha, em Paraopeba, na região Central, ou no assentamento Queima-Fogo, em Pompéu, na mesma região. Para o agente da Comissão Pastoral da Terra, Alexandre Gonçalves, tanto o rompimento quanto o processo de reparação conduzido pela mineradora, desestruturaram comunidades inteiras, levando ao conflito.

“Um exemplo é o Parque da Cachoeira, em Brumadinho, parte da área estava no caminho da lama, e também Córrego do Feijão. Há um processo de compra de casas por parte da Vale, que chega, inclusive, a destruir as estruturas com retroescavadeiras. A estratégia é essa, acabar com a localidade e apagar a memória do lugar”, acredita.

O especialista lembrou ainda que muitas comunidades quilombolas que viviam do rio Paraopeba nem sequer foram reconhecidas no processo da reparação da mineradora. 

“Eram pessoas que não moraram na beira do rio, mas viviam da pesca e da venda de produtos como o minhocuçu”, acrescenta Gonçalves.


Número de conflitos tende a aumentar 

Desde 2007, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) faz um mapeamento de conflitos ambientais pelo país. Para o pesquisador e coordenador executivo do Mapa de Conflitos, Diogo Rocha, a tendência é a de que essas disputas aumentem, já que os órgãos de fiscalização estão cada vez mais enfraquecidos. 

Rocha ressalta que o caso da barragem da Vale, em Brumadinho, foi dramático e provocou uma transformação ríspida em comunidades como a dos índios Pataxó Hã Hã Hãe.

 “O primeiro impacto sobre a saúde é justamente sobre a insegurança alimentar desses povos, sobre como eles vão ter acesso a alimento, água de qualidade, o que fica muito prejudicado nessas situações”, diz. 

Ele acrescenta que, quanto mais marginalizadas as populações, piores serão os impactos. 

“Percebemos que grupos com maior renda ou capacidade de transitar pelos espaços de poder – seja Judiciário, Legislativo ou Executivo – conseguem impedir que projetos que promovam degradação, enquanto pessoas que vivem às margens têm mais dificuldade disso”, finaliza.


Fonte : Tv Minas.com 


 
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