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Agenda 21 & Cidadania - 03/09/2021


Dia da sobrecarga da terra

 Imagine que você recebe todos os seus salários de um ano juntos, no dia 01 de janeiro. É preciso administrá-los de forma a durarem o ano inteiro. Porém, você não consegue controlar seus gastos e no final de julho usa seu último tostão. Precisará, então, entrar no cheque especial ou fazer um financiamento para sobreviver o resto do ano. O dia seguinte ao do seu centavo derradeiro é o seu dia de sobrecarga.

Nossa relação com os recursos do planeta segue essa linha de pensamento. Assim, no dia 29 de julho passado foi o dia de sobrecarga da Terra, dia esse em que ultrapassamos o limite de consumo de todos os recursos renováveis do planeta em um ano. Ou seja, gastamos em sete meses o que deveríamos gastar em doze, para dar tempo da natureza se renovar.

Este cálculo é feito anualmente pelo grupo de pesquisa internacional “Global Footprint Network”. A estimativa deles se baseia na comparação entre a capacidade do planeta repor os recursos gastos pela humanidade e tudo aquilo que demandamos da terra durante um ano. Segundo a instituição, este número tem chegado mais cedo a cada ano:

· - 29 de dezembro de 1970; 

· - 4 de novembro de 1980;

· - 23 de setembro de 2000; 

· - 7 de agosto de 2010;

· - 29 de julho de 2019.

No ano passado, por causa da pandemia, tivemos uma pequena redução em nossa pegada ecológica – termo que nomeia os danos produzidos pelos humanos a natureza - e o dia da sobrecarga aconteceu quase um mês mais tarde, em 22 de agosto. As restrições devido a quarentena provocaram uma queda acentuada das emissões de CO2 e, embora este recuo tenha acontecido por um motivo ruim, a situação nos revelou que é possível repensar nossos atuais modelos de desenvolvimento econômico, produção e consumo no intuito de voltar a ficar no azul em nosso orçamento ecológico. 

Em 2021 voltamos a exigir 74% a mais da terra do que ela pode regenerar em um ano, o que significa que precisaríamos de 1,7 planeta para suprir nosso estilo de vida atual. Segundo estimativa do Banco Mundial, em 2050 serão necessárias três Terras, a menos que mudemos de atitude com urgência. Se não o fizermos, daqui a centenas de anos, algum tipo de vida terrestre falará de nós no passado, como hoje nós falamos dos dinossauros.


* Luciane Madrid Cesar

Artigo gentilmente cedido pela autora a título de colaboração com a Agenda 21 Local.

           

Engº Alencar de Souza Filgueiras 
Presidente do Fórum Agenda 21 Local 
Presidente do Conselho Fiscal do IBAPE/MG  
Contato: agenda21localvarginha@gmail.com


 
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