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Clima, custos e câmbio ajudam a levar preço do café à maior alta em 27 anos

 


A seca e as geadas recentes provocaram uma quebra na safra de café. A situação atual se soma a outros fatores, como a elevação da taxa de câmbio, o aumento nos custos dos insumos, o volume da safra e a continuação da pandemia. A estimativa é de que o preço do café sofra aumento de 35% a 40% nas prateleiras dos mercados até o final do mês de setembro, projeta a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

Ao produtor, a cotação da saca de 60 quilos quase dobrou em um ano. de acordo com o indicador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), em junho de 2020 a saca era negociada em torno de R$ 472 e, após 12 meses, chegou a R$ 871. Atualmente, ultrapassa R$ 1.100.

Celírio Inácio, diretor executivo da Abic, explica que, como o ano safra do café é de baixa bienalidade, já era esperada uma produção menor de arábica, principal variedade cultivada no país. Mas a combinação com outros motivos agrava a situação. “Há 27 anos, o café não passava pelo que está passando agora. Existem vários motivos que elevam o preço do café, mas há muito tempo não temos todos esses motivos juntos”.

O clima segue provocando insegurança na cadeia produtiva. Ainda não se sabe ao certo o impacto das geadas ocorridas neste ano. “Para 2021/2022, esperávamos uma supersafra, mas com todos problemas climáticos somados à insegurança da florada que começa daqui dois meses, o café deve continuar sendo prejudicado”, comenta o diretor da Abic.

As margens das indústrias de café, afirma o diretor da Abic, estão no pior patamar e devido à forte valorização dos insumos. Segundo Celírio Inácio, muitas não serão capazes de evitar o repasse ao consumidor.

“Sem reajuste, há um comprometimento na sustentabilidade do negócio. Para o consumidor continuar tendo acesso a um produto de qualidade, que ele está acostumado, precisará compreender o reajuste que a prateleira irá apresentar. Inácio garante que a qualidade do café não será comprometida, mas alerta: “diante deste cenário, o consumidor terá que ficar atento e desconfiar daquelas marcas que oferecem preços muito baixos”, explica.

De acordo com estudo feito pela Associação, entre dezembro de 2020 e julho de 2021, o valor pago pela matéria-prima está, em média, 82% mais caro. Nas prateleiras, o reajuste atingiu a média de 15,9% no mesmo período. Ainda abaixo de outros produtos básicos, como leite, arroz, óleo de soja e feijão, com média de 57%.

“Um quilo de café é o suficiente para manter uma família de quatro pessoas durante um mês. 

Então, financeiramente, o impacto do aumento ainda está muito aquém se compararmos com outros alimentos da cesta básica. No entanto, nós sabemos a responsabilidade, ninguém nunca vai ficar sem café, e isso acaba somando a todas as outras dificuldades. Tudo cria grandes preocupações”, afirma Inácio.

Economista da Associação Paulista de Supermercados (APAS), Diego Pereira acredita que o preço deve ser manter alto. E aponta mais um fator que pode sustentar as cotações. 

“A Colômbia tem tido dificuldades para exportar a commodity por conta de distúrbios socioeconômicos que prejudicam o envio de suas safras, impactando ainda mais nos valores. Vale destacar também que o café não dispõe de estoques públicos, fazendo com que o mercado fique ainda mais sensível às variações externas”.

O economista da APAS aponta que a queda no consumo preocupa o setor, importante para a economia do país. “Os supermercados têm sentindo o peso da inflação, tanto é que o faturamento de janeiro a julho registrou queda de 9,95% em relação ao mesmo período do ano passado. É perceptível que a demanda de consumo caiu em todos os itens comercializados”, conclui.


Fonte: CCCMG


 
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