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Estudo revela contaminação em Furnas e ameaça turismo



 Lançamento de esgoto das cidades pode ter afetado 
a qualidade da água. Poluição compromete recreação no local


Pesquisa desenvolvida na Univerdidade Federal de Minas Gerais (UFMG) identificou níveis alarmantes de contaminação em quatro estações que desembocam no lago de Furnas, importante atrativo do Sul de Minas Gerais. A notícia, divulgada anteontem, caiu como uma bomba em municípios que são banhados pelas águas da represa. O principal temor é quanto ao prejuízo que isso pode causar para a economia da região, movida pelo turismo.

Coordenada pela mestre em geografia Andrea Leite, a análise identificou que o limite estabelecido pela legislação para contaminação fecal foi excedido em 100% das amostras coletadas entre 2008 e 2018, em cursos d'água que alimentam Furnas – rios Formiga, Machado e Muzambinho, e ribeirão São Pedro. O resultado, segundo a pesquisadora, compromete a balneabilidade do lago.

“É tristíssimo ver como toda essa questão vem sendo tratada. Falta investimento do poder público para que o saneamento na nossa região seja tratado da forma necessária. São pouquíssimas prefeituras que hoje possuem o esgoto tratado”, disse o prefeito de Cristais, no Centro-Oeste do Estado, Djalma Francisco de Carvalho (DEM), que também é presidente da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago).

Os membros da associação também se procupam quanto ao nível da represa. “Nossa luta é para que Furnas respeite o que manda a legislação do Estado e mantenha a cota mínima de 762 metros acima do nível do mar, para que os municípios lindeiros realmente possam ter um lago, e não um pântano, um brejo, que é a nossa realidade atual”, lamenta.

O nível do lago atualmente é de 754,71 metros acima do nível do mar, bem perto do menor nível registrado na represa em 2021, que foi 754,63 metros, em janeiro.


Companhia diz que índice de coliformes está abaixo do limite

A Eletrobras Furnas – que administra a represa – ressalta que é atribuição dos órgãos ambientais fiscalizar lançamentos inadequados no lago. 

A companhia alegou que cumpre a legislação e faz o monitoramento trimestral da qualidade da água. Desde março de 2019, o índice de contaminação mais relevante (coliformes termotolerantes) está abaixo do limite estabelecido, segundo a Eletrobras, "inclusive em pontos de monitoramentos mais próximos daqueles citados na matéria", alega a empresa.

Procurados pela reportagem, a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) não tinham se manifestado até a publicação desta reportagem. 


Detalhes sobre a represa de Furnas

Extensão máxima: 220 km

Área inundada: 1.440 km²

Volume total: 22,95 bilhões de metros cúbicos

Volume útil: 17,217 bilhões de metros cúbicos

A região foi alagada na década de 60, com o represamento das águas do rio Grande, para geração de energia na usina. Formou-se um reservatório com 3.500 km de orla, ao longo de 34 municípios.


Fonte: Jornal O Tempo


 
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