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Por dia, sete vítimas denunciam crime de perseguição em Minas

 


Após terminar um relacionamento de dez anos, a administradora de empresas Fernanda Kelly Santos, 33, começou a ser perseguida pelo ex-namorado, que assumiu um comportamento obsessivo.

 “Ele me ligava desesperadamente diversas vezes ao dia, me seguia na rua, me esperava na porta da faculdade”, relatou a mulher. Relatos como este têm se tornado cada vez mais frequentes.

 Tanto que, em abril deste ano, entrou em vigor a Lei 14.132/2021, que tornou crime episódios de perseguição física ou digital de homens e mulheres. A modalidade criminosa foi batizada de “stalking”, do inglês, que significa “perseguição”.  Por dia, sete pessoas procuram as delegacias mineiras para registrar boletim de ocorrência por crime de stalking. De abril a julho deste ano, 885 vítimas fizeram denúncia na Polícia Civil de Minas Gerais. No primeiro mês da nova lei, foram 179 casos. Em julho, último mês divulgado pela corporação, foram 247, um aumento de 38%.

 Em Belo Horizonte, a alta desse tipo de ocorrência é ainda maior, de 50% – foram 22 denúncias em abril e 33 em julho. A média é de uma vítima por dia na capital, com base nos dados da Polícia Civil. A delegada Larissa Mascotte Carvalhaes, explica que o aumento no número de denúncias ocorre devido à divulgação da nova lei, que fez com que as pessoas tomassem conhecimento de que perseguir é crime.

 “A lei que pune perseguidores ainda é muito nova. Quanto mais a lei se populariza, mais as pessoas procuram informações e, por consequência, pedem mais ajuda”, explicou Larissa.


Perfis 

Qualquer pessoa pode ser vítima de perseguição, mas atualmente a maioria das vítimas de stalking são mulheres. Já o perseguidor, conforme a delegada, pode ser o ex-companheiro ou atual companheiro, um colega de trabalho, “um crush” e até mesmo um desconhecido. “Quem persegue quer atenção a qualquer custo. 

Mas o stalking também pode ser motivado por inveja, vingança ou ódio. Lembro que uma paquera insistente também pode se assumir como uma perseguição. Até quem pratica brincadeiras que passam do limite pode possuir características de perseguidor”, classificou.

 A prática é muito comum na internet e atinge principalmente famosos.


Crime pode evoluir e se tornar fatal

A delegada Larissa Mascotte Carvalhaes ressalta que denunciar o perseguidor é de extrema importância, já que o crime de stalking pode evoluir e se tornar fatal. “A prática da perseguição pode piorar com o tempo e evoluir para violência corporal, até chegar a um feminicídio tentado ou consumado”, alertou. A vítima deverá apresentar na delegacia provas que comprovem a perseguição. 

No entanto, a palavra da vítima e o depoimento de testemunhas também são válidos. “Contribui para a investigação se a vítima apresentar prints de mensagens, e-mails, registros de chamadas telefônicas. Mas, para a comprovação do crime, basta a palavra da vítima”, disse Larissa. Se condenado, o perseguidor poderá cumprir pena de seis meses a dois anos de prisão em regime fechado. 

“Se o crime for cometido contra mulher (adicionada a Lei Maria da Penha), criança, adolescente ou idoso, a pena poderá ser aumentada para até três anos de reclusão”, pontuou a delegada.


Fonte: O Tempo


 
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