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Carne bovina está mais cara por causa de plano global contra bois, diz Ernesto



Desde que pediu demissão do cargo de ministro das Relações Exteriores do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em fins de março deste ano, Ernesto Araújo tem encontrado espaço em mídias e eventos conservadores para expor interpretações que faz das teorias inspiradas no guru da extrema-direita, Olavo de Carvalho.

A mais recente participação do ex-chanceler foi na estreia do canal Conserva Talk, no YouTube, na noite desta quarta-feira (3). Entre suposições das causas dos principais problemas enfrentados pelo país, Araújo sugeriu que "a carne está aumentando o preço porque existe uma campanha internacional contra a carne bovina sob a desculpa de que a criação de gado emite metano e contribui para o efeito estufa". "Querem controlar a alimentação da humanidade", alarmou. 

Em outro momento, o ex-ministro também lançou uma teoria para a alta dos preços dos combustíveis, que em sua interpretação é causada "porque o mundo está se jogando numa transição energética precipitadamente sem ter condições de fazer". O contexto das declarações, um tanto quanto novas, é a velha teoria de uma agenda global para dominar as nações. 

Sem respaldo na realidade

O problema é que, mais uma vez, as teorias olavistas não encontram respaldo na realidade brasileira. Pessoas diminuíram o consumo de carne bovina devido à alta da inflação e desvalorização da moeda nacional, o que faz com que seja mais lucrativo para o agronegócio exportar a carne.

Além disso, não há menos vontade de comer proteína, como supõe o ex-chanceler, pois têm sido frequentes as cenas de filas para a coleta de restos de carne e de ossos bovinos.

Economistas têm demonstrado que a inflação obriga o brasileiro a abaixar a qualidade da alimentação, fazendo com que as famílias recorram a cortes de carne mais baratos para dar conta de levar um pouco de proteína para o prato. 

A volta da fome e da miséria no país, castigadas pela inflação e desemprego às vésperas das eleições de 2022, passou recentemente a ser uma das preocupações centrais do presidente Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Esse é um dos motores das articulações do governo para desenrolar o Auxílio Brasil, no valor de R$ 400, incluindo mais famílias vulneráveis e aumentando o custo do programa, que ameaça furar o teto de gastos.

Veículos inacessíveis para cidadão comum

Quanto aos combustíveis, Araújo fez alusão a uma transição do combustível fóssil, ou petróleo, para outras formas, como a eletricidade.

No entanto, os chamados veículos eletrificados esbarram no preço pouco acessível para parte considerável dos brasileiros, sobretudo os que não desfrutam dos salários do alto escalão político: custam a partir de R$ 150 mil, segundo reportagem da Agência Brasil. De acordo com a mesma reportagem, atualmente existem cerca de 60 mil carros desse tipo no país.

Na live, as exposições de Araújo, convidado principal da estreia, foram complementadas por perguntas e comentários de outros ex-ministros de Bolsonaro, como Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Abraham Weintraub (Educação), ambos com pretensões políticas para 2022. 

Além deles, também estavam na estreia do canal conservador os deputados federais Paulo Eduardo Martins (PSC-SP) e Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-RJ), junto ao empresário Lucas Bove. O bate-papo foi moderado pelo jornalista Paulo Figueiredo Filho, geralmente associado à figura do avô e ex-ditador militar João Figueiredo.

O Tempo


 
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