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Guedes quer pagamento de renda básica 'direto no bolso do pobre'



O ministro da Economia, Paulo Guedes, dedicou boa parte de seu discurso à defesa do Auxílio Brasil de R$ 400 e, de modo mais amplo, da renda básica para as famílias mais vulneráveis. Ele participou do evento de comemoração do aniversário da Secretaria de Política Econômica, vinculada à pasta, nesta quinta-feira (18).

Inspirado em Milton Friedman – um dos principais intelectuais da Escola de Chicago, cujas ideias ultraliberais embasaram as reformas econômicas da ditadura chilena de Augusto Pinochet, admiradas e acompanhadas por Guedes nos anos 1980 – o ministro da Economia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez uma longa argumentação sobre a importância de se pagar a renda básica diretamente para o beneficiário, sem intermediários estatais.

"[Friedman] é o 'Papa da simplicidade', ele diz assim: 'Quer ajudar o pobre? Dá renda mínima para ele'. Dá dinheiro para o cara e ele vai atingir a curva de satisfação máxima. Agora, quer fazer o trabalho mal-feito? Cria uma autarquia, passa o dinheiro para a autarquia”, declarou Guedes. 

Em seguida, foi mais longe na projeção de como deveria ser feito o pagamento: “Aliás, primeiro, cria o 'Ministério da Pobreza', aí passa o dinheiro para esse ministério, depois ele passa para a autarquia, que passa para o banco público, que passa para o gerente... Dos R$ 1.000 ou R$ 100 que você quer dar, vai chegar R$ 1 para o pobre. Faça a ligação direta, renda básica, dá o dinheiro direto para o bolso do pobre, sem condicionante”.

O ministro, no entanto, não explicou em nenhum momento como seria possível pagar diretamente os beneficiários da renda básica sem depositar o recurso em uma instituição pública, como ocorre atualmente.

Os benefícios sociais do governo federal são pagos via Caixa Econômica Federal, cujo presidente, Pedro Guimarães, é um aliado de Bolsonaro que costuma acompanhá-lo em viagens internacionais, nas comitivas das quais Guedes também participa.

Imposto sobre emprego

Indo além, Guedes também sinaliza que sua equipe projeta um meio de incentivar que os beneficiários da renda básica paguem imposto de forma diferenciada. “De preferência cria um imposto de renda negativo, ou seja, se ele começar a trabalhar, dá um 'plus' para ele se formalizar. Nós já estamos desenhando isso também, um mecanismo para pagar imposto de renda negativo”, anuncia o ministro. 

Logo depois, ele explica: “Se ele ganha bolsa de R$ 200, se começar a trabalhar e ganhar mais R$ 200, paga pela parte que trabalhou 20% de imposto. É um incentivo para ele se formalizar e dizer: 'Estou recebendo e estou trabalhando aqui'". 


 
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