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Coluna Fatos e Versões com Rodrigo Silva Fernandes

 


Passeio no parque? 

Servidores do Governo de Minas Gerais receberam na quarta-feira (15/12), o 13º salário, pago integralmente, sem atrasos e sem parcelamento. Essa é a primeira vez, nos últimos seis anos, que o Estado quita o benefício em dia, sem prejuízo para mais de 600 mil trabalhadores, entre ativos e aposentados. O pagamento do abono natalino em dia é um dos “trunfos eleitorais” explicitados pela gestão Romeu Zema para provar que vem tentando equilibrar as contas públicas e arrumar a casa. Apesar da grande dificuldade financeira, a atual gestão conseguiu quitar salários em dia, honrar compromissos e repassar recursos em atraso para cidades e atrair R$ 189 bilhões em investimentos, gerando emprego e renda para os mineiros, entre outras ações. A cada dia de atraso da oposição que não se organiza para lançar um candidato para concorrer com Zema, o governador vai ganhando espaço e mostrando serviço, chegando assim mais perto de uma reeleição. O planejamento político do governo já articulava chegar a este ponto do governo com os pagamentos em dia a fim de ter mais este ponto positivo para apresentar. Além disso, ter os mais de 600 mil servidores públicos, pensionistas e aposentados como “cabos eleitorais” valem muito a pena num dos maiores estados do Brasil. A popularidade de Zema está tão em alta que até mesmo os candidatos a presidente querem se aproximar dele. Contudo, mineiro que é, Zema tem corrido até mesmo de possíveis disputas fora de Minas, onde Bolsonaro, Lula e muitos outros candidatos já começam a se ofender, talvez porque não tenham a mesma situação confortável do governador mineiro que busca a reeleição. Será que as eleições estaduais será mesmo um “passeio no parque” para Zema, como preveem seus assessores? A conferir! 

 

Chapéu alheio 

Quem acompanha bem de perto as ações do governo estadual é a Associação Mineira de Municípios – AMM, comandada pelo ex-prefeito Julvan Lacerda, que é super candidato em 2022, como um dos maiores líderes municipalistas do Brasil. A AMM é a maior associação de municípios do Brasil, e os acordos fechados pelo AMM com o Governo de Minas para pagar os repasses atrasados do área de saúde e educação, garantiram a Associação Mineira de Municípios, mais que prestígio e renda com associados, garantiu também a forte liderança de Julvan junto aos prefeitos que são os maiores cabos eleitorais de Minas. Não se sabe o destino político de Julvan, que está de malas prontas para deixar o MDB rumo a outra legenda para ser candidato em 2022. Alguns especulam que o líder municipalista poderia ser candidato a deputado federal, mas quem está próximo do político diz que Lacerda mira o Senado. Julvan dificilmente teria espaço na chapa de reeleição de Zema, que está comprometido com o Partido Novo na montagem da chapa, além disso, Zema e Lacerda se “bicaram muito para chegar aos acordos fechados em prol dos municípios, o que dificultaria uma aproximação política agora”. Assessores próximos de Zema dizem que a força de Lacerda “viria justamente dos acordos financeiros bilionários que o Governo Zema esta pagando, ou seja, Julvan, estaria acenando com chapéu alheio”, o que nem todo mundo acredita. A conferir 

 

Cadê o dinheiro? 

Falando nos acordos financeiros em torno de 12 bilhões que estão sendo pagos aos municípios pela gestão de Zema, o que Varginha tem feito com tal recurso? O primeiro acordo, que deve chegar a mais de R$ 60 milhões, oriundo de repasses atrasados de verbas da Educação, o ex-prefeito de Varginha Antônio Silva, criou um mecanismo interessante para garantir o eficiente gasto com “parcimônia”. Silva fez um empréstimo de R$ 17 milhões, que foi aprovado na Câmara de vereadores. Com os recursos deste empréstimo, que é liberado em parcelas, o município tem feito as reformas e pavimentações nas principais vias da cidade. Mais de 100 ruas e avenidas estão recebendo novo asfalto. Por certo os restante dos recursos estaduais deste pagamento (60 milhões pagos em parcela pelo Governo de Minas – 17 milhões emprestados pela Caixa Econômica Federal) estão se transformando em outras obras e benesses que o governo Vérdi tem proporcionado á população. Contudo, tem outros recursos em caixa. E são recursos gordos, como os cerca de R$ 16 milhões destinados a Varginha pelo governo Federal para combate a pandemia. Este recurso estava disponível para gasto na saúde no meio do ano e não se tem notícia do planejamento deste gasto. O que se sabe é que, se o recurso não for gasto e demonstrado, precisa ser devolvido ao governo Federal. Além disso, temos outros R$ 7 milhões que já começaram vir pra Varginha por conta do acordo judicial fechado com a Mineradora Vale por conta de ressarcimentos públicos aos municípios em razão do acidente da empresa na cidade de Brumadinho. Todas as cidades mineiras receberam um pedaço do recurso de R$ 1.5 bilhões pagos pela empresa. A parte de Varginha neste acordo chegou a R$ 7 milhões. Vérdi Melo teria dito que pretendia usar o recurso em obras estruturantes, contudo, nada ainda foi divulgado. Mas não acabou, temos ainda o recente acordo fechado entre o Governo de Minas, a Associação Mineira dos Municípios – AMM e o Ministério Público e Tribunal de Justiça, onde o Governo de Minas se compromete a pagar os recursos atrasados da área de Saúde a todos as cidades mineiras. O total deste recurso chega a mais de R$ 6 bilhões, e  parte de Varginha deve ultrapassar os R$ 60 milhões. As parcelas começaram a serem pagas neste ano, e a exemplo do outro acordo fechado com o Governo de Minas para pagamento de recursos atrasados da Educação, este acordo da Saúde será pago em parcelas mensais e não tem qualquer “carimbo” para destinação. Onde vai pagar esta dinheirama toda? A coluna não saber é um mistério, mas a Câmara não fiscalizar é uma omissão, já o município gastar sem dizer é um sacrilégio! 

 

Chegando para a briga 

Na semana passada a coluna informou sobre a filiação do reitor do UNIS Stefano Gazzola, agora filiado ao Avante, mesmo partido do prefeito Vérdi Melo. Stefano chega para disputar as eleições de 2022. Outro nome que mudou de partido nesta segunda feira (20\12) é o senador mineiro Carlos Viana, que esteve recentemente em Varginha. Viana deixou o PSD para entrar no MDB. Será possivelmente o candidato a governador pelo MDB em 2022. A legenda que vem sofrendo com brigas internas e debandada de lideranças, trouxe agora o senador e jornalista Carlos Viana para equilibrar-se nesta disputa eleitoral. Mesmo sem muita experiência política, Carlos Viana sabe falar ao povo, teve boa votação para o Senado e terá apoio de nomes de peso da política mineira. Em sua filiação ao MDB na última segunda, dezenas de prefeitos, vereadores, deputados e centenas de outras lideranças políticas do interior esperavam Viana e o presidente estadual do MDB Newton Cardoso Junior para a filiação na nova sede do partido, próximo a Assembleia Legislativa de Minas Gerais em Belo Horizonte. Entre diversos políticos, inclusive de outros partidos, estava o deputado estadual professor Cleiton Oliveira, do PSB, que tem conseguido recursos para Varginha junto com o senador. O recurso federal de R$ 2,6 milhões destinados, recentemente, ao Hospital Regional é mérito de Carlos Viana, por solicitação de Cleiton Oliveira. Não sabemos se a candidatura de Carlos Viana a governador vai ter sustentação política, mas pelo menos em Varginha, o candidato terá apoiadores, pelo que já conquistou pela cidade. 

 

Falha a corrigir 

O prefeito Vérdi Melo sabe que precisa restaurar os voos entre Varginha e Belo Horizonte e Varginha e São Paulo. Estas conexões são importante para integrar o mundo comercial e industrial de Varginha com grandes centros, bem como mostrar que nosso aeroporto é mesmo um ‘hub de desenvolvimento para a cidade’ Mesmo que o foco da maior empresa que utiliza o aeroporto seja a utilização para cargas e não de passageiros. E ai entra a visão e atuação que nosso prefeito precisa ter. A volta dos voos ao aeroporto de Varginha vai melhorar o turismo em Varginha e região, recolocando a cidade no protagonismo turístico, sendo referência para outras cidades que não possuem a mesmo estrutura aeroportuária que Varginha. Além disso, a volta dos voos também mostra que o governo municipal está pensando no aeroporto como uma estrutura para toda a cidade e não apenas como suporte para uma ou duas empresas que controlam politicamente aquela estrutura, e que “dizem, tem forte influencia neste governo”. Desta forma, não resta dúvida do ganho coletivo conquistado se os voos comerciais entre Varginha e as capitais retornarem. Vale lembrar ainda que, na gestão de Antônio Silva, a quem Vérdi sucedeu, a retomada dos voos passou por subsidio do município, que passou a utilizar os voos para levar doentes para tratamento na Capital, contudo, rapidamente, os voos se estruturaram sendo que a linha Varginha – Belo Horizonte passou a ser lucrativa, deixando assim de precisa de apoio público. Não se sabe porque o governo Vérdi Melo ainda não retomou as negociações para volta da linha, mesmo porque, com a retomada do turismo, após dois anos de pandemia, promete altos ganhos para o turismo na região. Será que Vérdi Melo vai correr o risco de perder este ganho perpétuo para a cidade e ficar com “fama arranhada por fazer apenas a vontade de uma ou duas empresas e esquecer o bem maior de toda a cidade que pode ser beneficiada pela volta dos voos?” 

 

Cereja do bolo 

Não sabemos qual será a estratégia do reitor Stefano Gazzola para a disputa eleitoral de 2022, quando dizem o líder educacional pretende disputar vaga para deputado federal. Mas é certo que a exemplo do governador Zema que usou o pagamento em dia do 13 salários dos servidores para mostrar que é “bom de gestão”. O reitor poderia conquistar logo o almejado curso de medicina para Varginha para mostrar que é “bom de serviço”, antes mesmo de colocar seu nome numa disputa eleitoral. Com o desenvolvimento do UNIS e atual estrutura da instituição, certamente a criação do curso não se trata apenas de estrutura, mas deve haver algo a mais. Que aliás não é a demanda, pois existe demanda na região, ainda mais de um curso com a qualidade dos demais oferecidos pelo UNIS. Fica ai um mistério, pois Varginha possui o UNIS, a UNIFENAS e a UNIFAL, ambas com possibilidade e estrutura para implantar na cidade o curso de medicina e beneficiar toda a área de Educação e Saúde local. Contudo, há mais de uma década o almejado curso não chega. Será essa uma das bandeira de Stefano Gazzola? Será que alguma outra instituição educacional de Varginha vai trazer o curso? Será que existe algo a mais que não seja estrutura e demanda para conquistarmos o curso de medicina em Varginha? Quem saberá? Stefano Gazzola? 

 

Silêncio barulhento 

Em que pese o foco nas eleições de 2022 estão batendo as portas, o caminhar da política na Câmara de Vereadores de Varginha segue também um rumo silencioso, mas não menos disputado e barulhento. Ocorre que o comando da casa legislativa é importante para eleições próximas como as de 2022, bem como para a sucessão de Vérdi Melo em 2024. A atual presidente da Câmara, Zilda Silva, discreta e leal, pode não mostrar, mas a vereadora e seu grupo de aliados no plenário possuem hoje o controle da eleição, com os oito votos que lhe garantiram a vitória. Todavia, a disputa para a sucessão de Zilda tem novos postos há muito tempo, como o vereador Rodrigo Naves e do ex-presidente Dudu Ottoni. Ambos tem condições de fazerem boas gestões, mas é certo que os grupos políticos de cada um representam administrações diferentes para o Legislativo. Dudu Ottoni é politicamente distante do deputado federal Dimas Fabiano, um importante cabo eleitoral na disputa da Câmara. Rodrigo Naves não tem proximidade com Dimas Fabiano também, contudo, não possui nenhum desgaste com o parlamentar ou seu grupo político, e justamente nisso, Naves sai a frente de Ottoni. A eleição da mesa diretora da Câmara ainda está fora do foco dos eleitores, mas não deixa de estar fervilhando no traçado de ações de muitos dos políticos locais, tanto do Legislativo como do Executivo municipal. Vérdi Melo parece não ter preferências, visto que possui ampla maioria de votos no parlamento municipal. Mas é certo que o prefeito também vai fazer valer sua liderança quando da escolha do novo comando da casa, que alias precisa estar em sintonia com a Prefeitura de Varginha para garantir o sucesso da gestão Vérdi Melo. A conferir.     

 


 
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