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Coluna Fatos e Versões com Rodrigo Silva Fernandes

 Copasa e Cemig: Falta de investimentos e de compromisso 

Não é a primeira vez que chega a coluna reclamação de moradores de Varginha sobre a falta de água em vários bairros da cidade. Na semana passada faltou água nos bairros Bela Vista, Bela Vista II, Belo Horizonte, Belo Horizonte II, Belo Horizonte III, Boa Vista, Bom Pastor, Condomínio Parque do Imperador, Campos Elíseos, Centro, Jardim Aurea, Jardim Zinoca, Jardim Bouganville, Jardim Europa, Jardim Corcetti, Jardim Indaiá, Jardim Mont Serrat, Jardim Oriente, Santa Alice, Santa Clara, Porto Real, Parque Alto Pinheiros, Jardim Estrela, Jardim Estrela II, Park Rinaldo, Pinheiros, São Geraldo, São Lucas, São Joaquim, Parque Boa Vista, São José, São Marino, Parque Ileana, Vila Maristela, Vila Belmiro, Parque Mariela, Vale das Palmeiras, Parque das Américas, Treviso, Vila Registânea, Vila Flamengo, Vila Mendes, Vila Paiva, Vila Barcelona e Vila Monte Castelo. A justificativa da Copasa foi que faltou energia elétrica (Cemig) o que implicou no corte do abastecimento de algumas regiões da cidade. Já a Cemig disse que chuvas com ventos de forte intensidade registradas em Varginha na semana passada provocaram desligamentos acidentais no sistema elétrico em diversas regiões da cidade. Ou seja, no jogo de empurra, o cidadão que paga altos valores à Copasa e à Cemig tem o serviço interrompido, amargam prejuízos que não são ressarcidos e nada é feito. E este processo acontece reiteradas vezes sem qualquer proteção a estes consumidores. No caso da Copasa, tendo em vista a importância do abastecimento de água em algumas regiões populosas da cidade, ou mesmo área com hospitais e grandes empresas que precisam de água sob pena de perda de vidas ou grandes prejuízos, seria inteligente e honesto por parte da Copasa, manter geradores prontos para tais eventualidades. Já no caso da Cemig, a falta de ações preventivas como poda de árvores, modernização da rede, bem como cabeamento subterrâneo reduziria as interrupções de energia após fortes chuvas e ventos. Contudo, tanto Copasa quanto Cemig não fazem os investimentos necessários para prestar um serviço de qualidade. O pior é que as estatais sabem que precisam fazer tais investimentos, mas ainda assim, enganam o consumidor com lorotas e mostram que, além da falta de investimentos, também falta compromisso destas empresas públicas. Não é por acaso que as estatais possuem péssima imagem perante a população e cada dia mais a ideia de privatizar tais empresas ganha força entre a população. 


Falta de planejamento 

Em 2015, quando Varginha possuía o Hemocentro funcionando, liderado por um grupo médico local, havia coletas de sangue diariamente na cidade, bem como o processamento e distribuição de hemoderivados aos hospitais públicos e privados de Varginha e região. Por pressão do Hemominas, muitas cidades do interior que possuíam estrutura semelhante a de Varginha perderam esta importante estrutura por conta da promessa de que o Hemominas criaria estrutura melhor no interior do estado a fim de melhor atender a rede hospitalar e dar maior conforto aos doadores. No caso de Varginha, já se passaram 6 anos que o Hemocentro (com prédio adequado próximo a Rodoviária) foi fechado. O município doou um terreno ao Hemominas que não tem recursos ou competência para construir sua sede, com estrutura para receber os doares, processar o sangue e fornecer aos hospitais da região. O resultado do pouco caso do Hemominas com Varginha é que diversas operações estão sendo canceladas ou suspensas por falta de hemoderivados, bem como muitos dos doadores regulares que tínhamos em Varginha estão deixando de doar por não termos na cidade uma estrutura apta para fazer as coletas de sangue. Diante do impasse, o prefeito Vérdi Melo deu “um ultimato” no Hemominas, que é um órgão do Governo de Minas, para que resolva o problema da falta de hemoderivados na rede públicas de saúde. O prefeito se reuniu no 30/11, com a direção do Hemominas de Belo Horizonte para cobrar a instalação de um Posto Avançado de Coleta de Sangue no Município. Num primeiro momento a proposta era da construção de uma sede própria para a instituição (conforme terreno doado pela Prefeitura), porém, durante a reunião a diretora Técnico-Científica do Hemominas, demonstrou interesse por um prédio no bairro Vila Verde, próximo do Terminal Rodoviário, justamente onde funcionou o Hemocentro de Varginha, fechado em fevereiro de 2015. Segundo a equipe do Hemominas o local oferece condições para atender as necessidades da instituição, inclusive por estar estrategicamente localizado. Daí fica a pergunta. Se o Hemominas, por incompetência ou falta de recursos para realizar suas funções e construir sede própria em Varginha, vai agora utilizar o mesmo prédio do antigo Hemocentro que bem atendia nossa cidade, porque a instituição do Governo de Minas não permitiu que o Hemocentro continuasse a funcionar, até que o Hemominas tivesse condições de atender a cidade? 


Gás para Varginha 

A vantagem competitiva de uma cidade que possui gás natural é imensamente superior às localidades que não possuem esta fonte de energia. Além de servir para o transporte público e particular, com diversos veículos a gás que são mais baratos e econômicos que os veículos a gasolina, álcool ou diesel, o gás natural também pode ser utilizado nas residências, fazendo grande economia em condomínios residenciais. Mas é na indústria que o gás natural mostra seu destaque. No Sul de Minas, Poços de Caldas foi a primeira grande cidade a conseguir investimentos da Gasmig (estatal controlada pelo Governo de Minas) e oferecer o gás as empresas, como a Indústria Alcoa que muito emprega na cidade. A Alcoa não somente conseguiu se manter em Poços de Caldas, como também ampliou vários trabalhos em Poços depois da chegada do gás natural na cidade. Em Varginha existe projeto antigo para receber o gasoduto da Gasmig, inicialmente para atender a empresa Cooper Standard Automotive, contudo, devido a problemas da empresa para fazer a mudança de sua planta industrial, o projeto de Varginha para receber o gasoduto foi paralisado. O Governo municipal chegou a fazer algumas cobranças à Gasmig, mas nada relevante. Talvez por desconhecer a importância e impulso do gás nos parques industriais, a Prefeitura de Varginha não tenha dado a atenção e cobranças necessárias para o assunto. Segundo a Gasmig, é necessário que exista na cidade um consumo mínimo de 100 mil metros cúbicos diários para justificar que a empresa traga o gasoduto até Varginha. Claro que diversas empresas, condomínios e mesmo postos de combustíveis na cidade poderiam bater esta meta facilmente, se houvesse empenho e organização do governo estadual, municipal e dos setores beneficiados, contudo, por falta de liderança, ainda estamos sem o gás.  


Gás para Varginha - 02 

Mas este pouco caso não é a realidade de outras cidades, mesmo municípios menores que Varginha, como por exemplo a cidade de Extrema, os resultados têm sido diferentes. Na pequena cidade que fica depois de Pouso Alegre, quase na divisa com São Paulo, os empresários cobraram e as autoridades municipais se empenharam, organizaram a demanda e a Gasmig está levando gás às muitas empresas daquela cidade. Já em 2022, várias empresas têm protocolo de instalação na pequena e atuante cidade de Extrema. E muitos destes investimentos somente serão possíveis em decorrência do gás canalizado da Gasmig naquela região. O sucesso industrial foi tamanho que até mesmo a cidade de Pouso Alegre, distante cerca de 100 km de Extrema será beneficiada com a pujança empresarial da região. Ocorre que, segundo compromissos assumidos pela Gasmig e também por empenho dos políticos e empresários locais, já em 2023, o gás da estatal mineira Gasmig também chegrá a Pouso Alegre, gerando novos empregos e investimentos naquela cidade que concorre diretamente com Varginha. Certamente que a parceria política e empresarial entre Extrema e Pouso Alegre (distantes 100 km) foi importante para tal conquista, com a classe política organizando e estimulando, bem como os empresários apostando e modernizando suas plantas industriais, sem falar nos ganhos indiretos no transporte com carros a gás e toda a cadeia de investimentos que acompanham o setor. Já no caso de Varginha, é importantíssimo uma parceria com Três Corações, unindo empresas destes dois municípios e seus parques industriais que são bem mais próximos que Extrema e Pouso Alegre. Além disso, o potencial de empresas como Cooper Standard Automotive, Mangels, torrefadoras de café entre outras empresas que podem demandar e adaptar a linha industrial para o gás, nosso potencial de crescimento é enorme e facilmente superaria os 100 mil metros cúbicos diários solicitados pela Gasmig. Basta apenas o empenho e força de vontade das Prefeituras de Varginha e Três Corações, bem como a cobrança ao Governo de Minas, que sem cobrança, faz “corpo mole” com a Gasmig que atende tão pouco o interior de Minas. 


Capital popular x remédios amargos 

A Coluna não deixa de registrar os avanços, conquistas e promessas cumpridas deste governo municipal. O prefeito Vérdi Melo vive um bom momento político/administrativo e econômico pois mantem uma gestão praticamente sem oposição organizada e com caixa sadio e boas perspectivas de novas receitas, mesmo neste período de pandemia. Esse é o momento ideal para o prefeito “queimar seu capital popular para dar os remédios amargos que precisam ser ministrados agora”, como por exemplo reduzir a folha do funcionalismo (acabar com benesses), aumentar investimentos (necessários em várias áreas), equacionar a cobrança de impostos (alguns precisam pagar mais e outros menos), modernizar a máquina pública (tecnologia e inovação para reduzir custos e mão de obra), fazer reforma administrativa, no trânsito etc, coisas que normalmente contraiam alguns interesses localizados, mas que precisam ser feitas para melhorar a cidade. Não é sempre que teremos novamente a “confluência de fatores positivos que permitem que o governo municipal tome estas atitudes importantes, mas impopulares”. Vejamos, por exemplo, o caso do trânsito com a pavimentação de diversas vias na cidade. Recentemente a Avenida dos Imigrantes foi recapeada. Sem dúvida uma obra importante, tendo em vista o alto fluxo de veículos que passam naquela via. Todavia, a necessária transformação daquela avenida em mão única não foi concretizada, embora já tenha sido apontado tecnicamente a enorme necessidade de fazer tal mudança. Contudo, (dizem) por receio do desgaste com alguns comerciantes daquela avenida o Departamento Municipal de Trânsito – Demutran não fez a conversão da Avenida dos Imigrantes em mão única. Este é apenas um pequeno exemplo para ilustrar as grandes oportunidades que o prefeito Vérdi Melo está perdendo.  


Capital popular x remédios amargos - 02 

Quando no passado o ex-prefeito Antônio Silva construiu (apenas com recursos municipais) o Conjunto Habitacional Imaculada Conceição, ou quando o também ex-prefeito Eduardo Ottoni construiu o atual terminal Rodoviário, também contrariaram interesses localizados. Contudo estas decisões foram importantes para o desenvolvimento da cidade. Vale registrar que estes ex-prefeitos citados, no momento destas obras/mudanças não tinham a mesma popularidade e situação política/econômica favorável que tem hoje Vérdi Melo. Da mesma forma, o ex-prefeito Dilzon Melo quando “comprou briga para trazer a Copasa” para Varginha tomou uma “atitude impopular naquele momento”, para garantir uma grande melhoria no saneamento básico da cidade. Assim, falta ao atual prefeito Vérdi Melo a coragem e desprendimento para tomar as importantes decisões (algumas impopulares) que estão na mesa e precisam ser tomadas, para o bem de toda a cidade. Neste momento é que vemos a falta de “conselheiros leais ao prefeito, pois estes falam ao chefe do Executivo o que ele precisa ouvir, e não apenas bajulações”. Varginha precisa adotar para “ontem” algumas decisões referentes ao Plano Diretor, precisa ter mais de uma empresa concorrendo no transporte coletivo urbano, precisa de muitas tomadas de decisão que demandam “coragem para mudar”. Será que o prefeito Vérdi Melo sabe disso ou tem algum conselheiro leal que lhe diga as verdades inconvenientes? 


Cavalos de corrida 

Na bolsa de apostas dos nomes que estão sendo prospectados para as eleições de 2022 existe muitas curiosidades. Uma delas é que alguns “candidatáveis”, embora não despertem entusiasmo do eleitorado a primeira vista, prometem ser dos mais apoiado$$! Se as apostas se concretizarem, será a primeira vez que os “azarões terão mais apoiadores que os favoritos”. A conferir!



 
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