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Disputas eleitorais em 2022 serão hiperconectadas



Os 150 milhões de usuários de redes sociais no Brasil têm rotinas predominantemente conectadas desde o início da pandemia de COVID-19. É o que indica o estudo da Hootsuite em parceria com a We Are Social, divulgado em agosto de 2021. O número de usuários das redes, quando comparado ao total de habitantes, é de 70,3% da população. Esse dado coloca o Brasil como uma das nações protagonistas da interação social por meio das telas. O brasileiro é o terceiro do mundo a passar a maior média de tempo nas mídias sociais, o equivalente a 3h42min diárias. Isso representa mais de 56 dias por ano inteiramente vividos no feed das redes sociais.

Com atividades cada vez mais digitais, a política brasileira também encontra seu espaço no mundo virtual. Em 2018, as redes sociais foram decisivas para a eleição de Jair Bolsonaro. O presidente fez uso delas como arma política para angariar votos, e ainda faz, para manter a conexão e interação com os eleitores – todas as quintas-feiras, por exemplo, o chefe do Executivo realiza uma live, na qual traz novidades sobre o governo e declarações sobre os principais assuntos da semana.

Para as eleições de 2022, o esperado é que os candidatos às vagas nos poderes brasileiros tenham que dançar conforme a música, e adaptar seus discursos e estratégias políticas para o mundo das mídias sociais. É o que acredita a socióloga e professora da Universidade de Brasília (UnB) Christiane Coelho. Para ela, o uso das redes sociais como forma de conquistar o eleitorado será mostrado com força no pleito que se aproxima. “Neste processo, duas questões são importantes: o personalismo e a aparente proximidade como essas redes se dirigem aos eleitores. Este tipo de abordagem tem impactos políticos fortes, e quem dominá-los terá vantagens”, avalia.

A socióloga ainda complementa que, por estar mais presente nas redes sociais, o público mais jovem deve ser mais impactado – mas a estratégia não deve ser restringida a eles. “Considero que será uma estratégia fundamental e decisiva, que terá impactos generalizados, podendo influenciar mais os jovens, mas que será importante para a população em geral”, diz. Christiane ainda observa que, com a mudança das formas de consumo de informação, há uma tendência muito maior de que a população decida seus votos por meios digitais.

É preciso compreender aspectos característicos destas novas plataformas de comunicação, a exemplo do potencial de viralização natural destes meios, como explica o especialista em marketing digital e diretor de Comunicação e Marketing da Fundação Getulio Vargas (FGV), Marcos Facó. “Hoje, fala-se muito dos candidatos principais, mas pode ser que ainda surja um outro candidato, às vezes fora do meio da política, que viralize tão rápido que seja eleito, provocando uma adesão rápida”, destaca.

Além desta peculiaridade, Facó aposta em uma constante renovação nos cargos políticos por conta das redes sociais. “Os partidos também começam a mudar o olhar. Antes, o candidato era aquele que tinha presença e influência na comunidade. Hoje em dia, um influenciador tem uma facilidade de angariar votos até maior do que alguns políticos. Pode ser que surja uma troca de perfis na política brasileira”, projeta. Para ele, o TikTok será a principal plataforma virtual nas eleições em 2022.

Fake news 


Mas quando se trata de redes sociais, uma pauta continua latente: a disseminação de notícias falsas e a desinformação que determinados comportamentos no consumo de notícias podem gerar. Christiane alerta para as “bolhas virtuais” que, em forma de grupos de referência e a confiança – com membros da família, por exemplo –, se tornam propagadores de desinformação. “A desinformação e as fake news têm invadido também a nossa realidade. Muitas vezes, as pessoas não questionam as informações que recebem e, na rapidez e velocidade da sociedade moderna, não param para refletir de forma crítica”, analisa.

Há ainda, a complexificação das fake news, divididas em dois grupos: as cheap fakes (falsificação barata, em tradução livre) e as deep fakes (falsificação profunda). Facó destaca que tanto uma quanto a outra estratégia poderão ser usadas para gerar notícias falsas, colocando um candidato em situações em que sua credibilidade possa ser questionada por meio da distorção da realidade. “Você vê uma reportagem que incrimina um político na grande mídia e começa a duvidar. O político se defende dizendo que é fake news. Há uma desestabilização na sociedade”, explica.

Estado de Minas

 
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