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Ômicron pode se tornar predominante no Brasil em 2022, aponta infectologista



Apontada por cientistas como mais transmissível e como a responsável pela alta de casos de coronavírus em vários países europeus, a variante ômicron deve se tornar predominante no Brasil ainda no começo de 2022. A avaliação é do professor da Faculdade de Medicina da UFMG e integrante do Comitê de Enfrentamento à Pandemia da Covid-19 da Prefeitura de Belo Horizonte, Unaí Tupinambás. “Com certeza a variante ômicron vai ser preponderante aqui no Brasil a partir de fevereiro. A gente ainda não sabe qual é o impacto dessa variante no nosso meio”, alerta. 

Tupinambás lembra que a variante delta acabou não impactando de forma significativa na assistência hospitalar do país, mas, em relação à ômicron, “ainda não sabemos se vai ser melhor ou pior”.

O governo de Minas Gerais já está ciente da presença da nova variante em solo mineiro. “Nesse momento, não há dúvida de que a variante se espalha por todas as regiões do Estado. No mundo inteiro é assim, quando se percebe uma nova cepa e começa a monitorar, o vírus já está um passo à frente”, afirmou o Secretário de Saúde, Fábio Baccheretti, em entrevista a O TEMPO

A Fundação Ezequiel Dias (Funed) faz, em Minas Gerais, a análise de amostras aleatórias para determinar se são casos da variante ômicron. Segundo o chefe do Serviço de Virologia da Funed, Felipe Iani, o número de casos detectados ainda é baixo, mas aponta para um aumento futuro. “O que a gente percebe, agora, é a entrada da ômicron e ela crescendo cada vez mais, assim como foi com a delta, um tempo atrás”, aponta. 

 

Maior incidência no Sul de Minas

O painel de monitoramento da Secretaria Estadual de Saúde, atualizado pela última vez no dia 23, aponta 32 casos da ômicron em Minas Gerais. A maioria deles - 19, ao todo - foram registrados em Extrema, no Sul do Estado. Outros dois casos também foram confirmados em Maria da Fé e Três Pontas, municípios da mesma região. Por lá, a variante representa cerca de 3% das amostras analisadas pela Funed desde o início da pandemia. Belo Horizonte concentra os outros 11 casos confirmados da variante no Estado. 

“Os casos do Sul de Minas, especialmente de Extrema, estão ligados a um mesmo evento porque todos eles tiveram contato com quem esteve em um mesmo evento realizado em São Paulo”, detalha Baccheretti. Segundo ele, os outros dois casos são de pessoas que voltaram da Espanha e da Nigéria. Na capital, porém, a situação é diferente: “Em BH, embora haja menos casos de ômicron, eles não estão relacionados, já se percebe uma transmissão comunitária”, afirma o chefe da pasta. 

Segundo Felipe Iani, os dados coletados pela Funed só vão poder indicar a real situação epidemiológica de Minas Gerais daqui a algum tempo. “A ômicron ainda é muito nova, então ainda não conseguimos falar desta forma mais generalista. A distribuição dos casos a gente só vai conseguir perceber numa análise macro, daqui a um ou dois meses, para entender se está havendo, de fato, uma transição de uma variante [predominante] para a outra”, explica. 

Mesmo dando como certo o aumento dos casos da ômicron, o Secretário aposta em um cenário sem um novo colapso do sistema de saúde. “Devemos ter mais casos de Covid, mas a alta não deve ser acompanhada de internações e óbitos. Muitos países com vacinação parecida com a nossa tiveram aumento de casos, mas não graves. E o Brasil tem uma vantagem: a gente vacinou a segunda dose no segundo semestre e terminamos o ano com boa parte da população já com a dose de reforço. A gente enfrenta a ômicron com imunidade mais recente e mais forte com sobre a variante”, afirma. 

Independentemente do cenário futuro, o professor Unaí Tupinambás ressalta que a medida mais importante a ser adotada é a vacinação. “Temos que vacinar a população que não foi vacinada ainda. Quem ainda não recebeu a terceira dose, que o faça, porque três doses protegem contra a ômicron”, ressalta. 

VIGILÂNCIA, UM PROCESSO DEMORADO

O acompanhamento feito pela Funed e pela Secretaria Estadual de Saúde faz uma média do número de casos de cada variante em meio ao total de confirmações de covid-19 em Minas para determinar a circulação de cada mutação do vírus. Isso o sequenciamento completo do vírus, feito pela Fundação Ezequiel Dias, é um processo complexo e demorado, impossível de ser feito com todos os casos diagnosticados no Estado. 

“A gente pega algumas amostras por semana, espalhadas no território de Minas como um todo, de uma forma aleatória, para tentar identificar as linhagens ou variantes que estão circulando. E nós temos também o sequenciamento [genético] dos casos que nós chamamos de ‘inusitados’. Esses são aqueles enviados pela vigilância epidemiológica do estado, como os de pessoas que estiveram na África do Sul, por exemplo, e estão com sintomas”, explica Felipe Iani.


 
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