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Pesquisador crê que Cruzeiro terá mercado caso Ronaldo não assine compra

foto: XP / Divulgação


Autor do livro 'Clube Empresa: abordagens críticas globais às sociedades anônimas no futebol', da editora 'Na Bancada', o pesquisador Irlan Simões disse que não se surpreenderia se o Cruzeiro encontrasse outro empresário com maior capacidade de investimento e ciente de que teria que pagar a dívida tributária da associação, caso Ronaldo resolva não assinar a compra de 90% das ações da SAF celeste.

Para fechar o negócio, Ronaldo deseja que as Tocas da Raposa I e II sejam transferidas da associação para a SAF, o que demanda aprovação do Conselho Deliberativo. Em contrapartida, ele assumiria a dívida tributária - cerca de R$ 180 milhões - do clube com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

"Francamente, considero essa uma história muito mal contada por todos os lados. Todos parecem ter razão no que falam, mas todos parecem ter cometido erros gravíssimos de condução da negociação lá atrás, ainda em 2021. Não consegui entender ainda se o Cruzeiro realmente acreditava que poderia pagar uma dívida desse porte sem utilizar receitas do futebol. E muito menos entender como a Tara Sports acreditou que essa dívida não seria de sua responsabilidade. John Textor assumiu a dívida tributária do Botafogo. Por que Ronaldo não faria no Cruzeiro?", questionou Irlan Simões, que é doutorando em comunicação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). 

"Além disso, o que está presente no alegado "plano de negócio" da associação para pagar essa dívida? Que tipo de receita a associação seria capaz de gerar só com o clube social? Shows? Aluguel de bares? Bingo? Noite de queijos e vinhos? Vaquinha entre os sócios? Queria muito ter acesso a esse "plano de negócio"", acrescentou.

O pesquisador disse que é preciso ter cautela com a possibilidade de repassar parte do patrimônio da associação do Cruzeiro para a SAF. "Esse é um assunto que torcedores e sócios do Cruzeiro precisam colocar em uma perspectiva de longo prazo. Se o projeto de Ronaldo para a SAF do Cruzeiro fracassar, se Ronaldo tiver problemas em seus outros negócios, se uma crise abater o futebol brasileiro afugentando o acionista majoritário... Como o Cruzeiro poderia recuperar o controle da SAF (isto é, recomprar as ações da Tara Sports) sem ter um patrimônio desses como retaguarda? Isso tem que estar na equação", destacou.


Competitividade em campo


No pré-acordo assinado com o clube, Ronaldo pode investir apenas R$ 50 milhões e conseguir outros R$ 350 milhões na operação do Cruzeiro ao longo dos anos. Dessa forma, não há garantias de que o time celeste voltará a montar equipes competitivas, ao contrário do que ocorreu com o Botafogo, que está ativo no mercado e perto de anunciar a compra de 50% dos direitos econômicos do meio-campista Patrick de Paula junto ao Palmeiras por R$ 33 milhões.

"John Textor, por exemplo, no Botafogo, foi obrigado a garantir um mínimo de competitividade financeira (caso não consiga fazer o Botafogo SAF gerar novas receitas de forma orgânica), o que por consequência vai gerar competitividade esportiva. A associação exigiu no contrato, ele aceitou e o Botafogo SAF vai se servir desse acordo. Já a SAF do Cruzeiro aparenta ter sido feita de forma tão açodada, que nem Ronaldo tem segurança sobre as dívidas que vai assumir, nem a associação Cruzeiro elaborou planos bons para garantir que o Cruzeiro dê um salto competitivo de curto prazo", disse Irlan Simões. 

"Se o efeito Textor vai ser duradouro, ninguém sabe - isso vai depender da capacidade administrativa de quem estiver à frente do futebol clube -, mas os três, quatro, cinco primeiros anos vão ser de subida, sem a menor dúvida, até porque a exigência de aporte está lá. Já no Cruzeiro a coisa vai depender totalmente do interesse/capacidade de Ronaldo", acrescentou.

Fonte: Super Esportes



 
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