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Supermercados limitam venda de produtos por cliente em cidade mineira

foto: Amanda Quintiliano


Supermercados de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, estão limitando a venda de produtos básicos por clientes. Em comunicado nas redes sociais, uma rede que tem lojas espalhadas em 37 municípios do estado alegou "pressão do aumento do custo das indústrias". Na lista estão: leite, óleo de soja, arroz e açúcar.

Presidente do grupo ABC, Waldemar Amaral disse que a decisão visa “evitar o oportunista”. “Varejista oportunista chega na loja, limpa a gôndola e leva tudo. Quinta aconteceu em uma loja nossa. Levou tudo o que tinha. Chega no caixa você fala: não posso fazer, tenho que limitar, porque tenho que atender o consumidor final, aí ele chama a polícia”, explica.

O empresário alega que, o que chamou de “medida preventiva”, é para atender exigências do Ministério Público (MP). “É um preventivo que estamos fazendo para ver se passa a crise. Estamos cuidando dos nossos consumidores. Um preventivo. Se tivermos a placa limitando, o Ministério Público concorda em limitar, se não tiver, ele não concorda”, alega.

Outra rede com atuação em cinco cidades, sendo duas lojas em Divinópolis, também fixou, esta semana, um cartaz limitando a venda de óleo de soja.

“Estratégia de venda”

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Divinópolis e empresário do ramo supermercadista, Gilson Amaral, condenou o que para ele é “estratégia de venda”. Reconhecendo o aumento expressivo dos produtos, disse que não há desabastecimento e que os “supermercados que adotam essa estratégia estão fomentando o desabastecimento”.

“Se o consumidor se sentir pressionado a comprar uma quantidade maior para não faltar, aí ele vai fomentar a inflação, o que é desnecessário até agora. Nenhum fornecedor está deixando faltar produto, eles estão vendendo a quantidade que eu preciso. Estou comprando mais caro, mas falta de mercadoria não tem”, argumenta.

Os aumentos expressivos, segundo ele, são reflexos de vários fatores, o mais recente, a guerra entre Rússia e Ucrânia. “A maioria deles externa, como aumento do petróleo, do frete, produtos que são commodities também sofrem um impacto muito grande pelo desiquilíbrio da oferta e procura devido a essa questão de guerra, os insumos, a maioria deles é importado”, argumenta.

A reportagem entrou em contato com a Associação Mineira de Supermercados (Amis) que, inicialmente, diz não ter ocorrido discussões sobre limitações de venda e que parece ser uma questão pontual de Divinópolis. Entretanto, a assessoria de comunicação ficou de retornar com uma posição oficial. Até o fechamento desta matéria, não obtivemos retorno.
 

Aumento dos produtos


Em Divinópolis, o custo da cesta básica – que tem entre os produtos aqueles limitados pelos supermercados – subiu 36,5% nos últimos 12 meses. Em fevereiro deste ano, a alta foi de 6,93% em relação a janeiro, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicos-Socias (Nepes) da Faculdade Una. O óleo de soja e o feijão aumentaram 7,85% e 6,22%, respectivamente, no mês passado quando comparado ao anterior.

A alta é explicada por um conjunto de fatores. “Um fator importante foi a alta histórica nos preços dos fertilizantes desde o início do ano, o que encareceu o plantio e afetou o rendimento da produção. O conflito na Ucrânia também gera preocupação pois é uma grande exportadora de grãos e óleos vegetais para o Brasil, o que compromete a oferta desses produtos internamente”, afirma o coordenador Nepes, Wagner Almeida.


Além disso, as fortes chuvas do início do ano também impactaram algumas culturas e, em função da fraca demanda interna, a área plantada foi reduzida, afetando a safra atual. “E por fim e não menos importante a alta no preço dos combustíveis, que afeta o custo do frete e gera reflexos em toda a cadeia de alimentos”, lista o professor universitário.


Com este cenário, o consumidor é quem mais sofre na ponta da cadeia, com boa parte do salário comprometido apenas com o básico. “Com esses aumentos,o orçamento doméstico fica cada vez mais apertado e o consumidor tem que começar a fazer malabarismos para conseguir se manter e colocar alimentos na mesa”, destaca.


Momentos como esse exigem que o consumidor coloque prioridades na hora de comprar e busque alternativas para fazer o salário render.

 
*Amanda Quintiliano especial para o EM

 
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