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Veja quem são os pivôs do escândalo da liberação de verbas do MEC

Foto: Reprodução/Redes sociais


O assunto da semana nos gabinetes do poder em Brasília é o escândalo do suposto gabinete paralelo do Ministério da Educação (MEC), que envolve verbas públicas e pastores evangélicos.

Folha de S. Paulo revelou na segunda-feira (21) áudio em que o ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro, afirma que o governo prioriza prefeituras cujos pedidos de liberação de verba foram negociados pelos pastores Gilmar Silva dos Santos e Arilton Moura Correia.

Ribeiro afirmou que a ordem para favorecer os amigos de Arilton e Gilmar, que não têm cargos no governo de Jair Bolsonaro, partiu do presidente da República.

Já na noite de terça-feira (22), o  jornal O Estado de S. Paulo publicou reportagem em que o prefeito de Luis Domingues, Gilberto Braga (PSDB), afirma que o pastor Arilton pediu 1 kg de ouro para liberar verbas de obras de educação para o município maranhense.

Ministro foi indicado por André Mendonça, o ‘terrivelmente evangélico’ do STF

Paulista de Santos, Milton Ribeiro tem 63 anos, é teólogo e advogado, com doutorado em Educação. Ele é pastor da Igreja Presbiteriana. 

Foi nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro, em maio de 2019, para a comissão de ética pública ligada à Presidência da República, cuja função é investigar ministros e servidores do governo.

Segundo seu currículo na plataforma Lattes, Ribeiro tem graduação em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul (1981) e em Direito, pelo Instituto Toledo de Ensino (1990), com mestrado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2001) e doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (2006).

O ministro da Educação foi reitor em exercício e vice-reitor da Universidade Mackenzie, em São Paulo, e membro do Conselho Deliberativo do instituto Presbiteriano Mackenzie, entidade mantenedora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, e relator da Comissão de Assuntos Educacionais do Mackenzie, além de integrar a Administração Geral da Santa Casa de Santos.

Ribeiro assumiu o Ministério da Educação em julho de 2020 por indicação de André Mendonça, também um pastor evangélico e então à frente da Advocacia Geral da União (AGU) – ele se tornou ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) por, segundo Bolsonaro, ser “terrivelmente evangélico”.

Em janeiro último, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Milton Ribeiro, no STF por crime de discriminação contra homossexuais.  

A denúncia tem como foco entrevista concedida pelo ministro ao Estado de S. Paulo, em setembro de 2020. À época, Ribeiro disse, entre outras coisas, que o adolescente “muitas vezes opta por andar no caminho do homossexualismo" e disse que isso decorre de algumas “famílias desajustadas”.

Pastor Gilmar é “doutor em divindade” e casado com a pastora Raimundinha

Na gravação divulgada pela Folha de S.Paulo e que deu origem à crise no MEC, Milton Ribeiro afirma: "Minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar", conforme, segundo disse, pedido do presidente Jair Bolsonaro.

No caso, o "pastor Gilmar" citado no áudio é Gilmar Silva dos Santos, 61 anos. Nascido em São Luís (MA), ele comanda o Ministério Cristo Para Todos, uma das várias ramificações da Assembleia de Deus em Goiânia (GO).

O ministro Milton Ribeiro já pregou no templo do Ministério Cristo Para Todos, em Goiânia, durante culto denominado Ceia Geral. 

A igreja de Gilmar é de pequeno porte se comparada a outros braços da Assembleia de Deus com atuação nacional. Além de Goiás, está em estados como Maranhão, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

Em sua biografia nas páginas da Internet em que oferece cursos de teologia, Gilmar dos Santos diz ser formado em teologia, “doutor em divindade” e casado há 38 anos com a pastora Raimundinha.

Em 2017, também comandou um programa em um canal de televisão de Goiás. Agora, investe na criação de um canal de televisão virtual para transmitir conteúdos do Ministério Cristo Para Todos.

Ele, que dirige o Instituto Teológico Cristo para Todos (ITCT) e preside a Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil (Conimadb), afirma já ter comandado cultos na Ásia, na Europa, na África e na América do Norte. 

Em setembro de 2021, Gilmar promoveu culto em que “convocou a igreja” para clamar “em favor de Bolsonaro”. Em dezembro, prometeu ao ministro Ciro Nogueira (Casa Civil) que apoiaria a campanha do presidente à reeleição em 2022.

Em suas páginas nas redes sociais, Gilmar exibe diversas fotos de seus encontros com políticos, incluindo o presidente Bolsonaro e os ministros Milton Ribeiro e Ciro Nogueira.

Filiado ao Podemos, pastor Airton foi secretário no Pará

Já o pastor Arilton Moura Correia é bem mais discreto. Em um dos seus perfis, ele aparece como morador do estado do Pará. 

Segundo a Convenção Nacional de Igrejas e Ministros de Assembleias de Deus no Brasil Cristo para Todos, ele preside o Conselho Político da entidade.

Em 30 de maio de 2018, foi nomeado para o cargo de secretário estadual extraordinário de Integração de Ações Comunitárias pelo então governador do Pará Simão Jatene (PSDB). Foi exonerado do cargo em 1º de novembro do mesmo ano.

Em 2020,  Arilton passou um mês nomeado em cargo de confiança na Liderança do MDB na Câmara dos Deputados.

O pastor também aparece em registros do Tribunal Regional do Pará (TRE-PA) como presidente estadual do antigo PHS, incorporado pelo atual Podemos.

Pastores do MEC tinham trânsito livre no Palácio do Planalto

O jornal O Globo mostrou nesta quarta-feira (23) como os dois pastores têm livre trânsito nos gabinetes da Esplanada dos Ministérios no governo de Jair Bolsonaro.

Com o presidente, por exemplo, foram no total quatro encontros em Brasília: três no Palácio do Planalto e um no Ministério da Educação, junto com Milton Ribeiro. 

Segundo os registros de compromissos do presidente, dois dos encontros aconteceram no primeiro ano de mandato, em 2019: nas duas ocasiões em eventos com outras lideranças evangélicas. 

Em 2020, Bolsonaro novamente recebeu o pastor Gilmar Santos em seu gabinete. Dessa vez, para uma audiência a sós. No mesmo dia, logo após o encontro com o Bolsonaro, o religioso foi ao Ministério da Educação se encontrar com Milton Ribeiro, de acordo com os horários das reuniões.

Em fevereiro do ano passado, os três participaram de um evento no Ministério da Educação. Em publicação nas suas redes sociais, Gilmar destacou que levou mais de 40 prefeitos de quatro estados "para tratar dos avanços e desafios da educação atual" para a sede da pasta.

Além de conseguir espaço na agenda mais disputada, a do presidente, Gilmar e Arilton também circularam por outros prédios da Esplanada: os compromissos indicam que desde o início do governo, os dois pastores tinham acesso a ministros.

Em março de 2019, com o vice-presidente Hamilton Mourão ocupando a presidência na ausência de Bolsonaro, Gilmar foi recebido no Palácio do Planalto. Em julho de 2019, a agenda do então ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, também indica um encontro com uma pessoa identificada como "Pastor Gilmar".

Em novembro, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esteve com o pastor Arilton Moura para um encontro que contou com a presença do embaixador de Israel, Daniel Zonshine, e o deputado federal Vicentinho Junior (PL/TO).

Por fim, em dezembro, foi a vez de Gilmar e Arilton serem recebidos pelo ministro Ciro Nogueira junto com o deputado federal João Campos (Republicanos-GO). Campos costumava acompanhar os religiosos em algumas das reuniões que tinham com a cúpula do Ministério da Educação.


Fonte: O Tempo




 
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