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Detentos do Presídio de Itajubá iniciam confecção de produtos para empresa parceira



Quinze detentos iniciaram a produção de bolsas de maternidade esta semana, em um galpão do Presídio de Itajubá, na região Sul do estado. Outros 20 passam por capacitação em corte, costura e bordado para, em breve, fazerem parte da equipe. Todo o material produzido será encaminhado ao centro de distribuição da empresa parceira, para atender pedidos de todo o Brasil. A meta é atingir a fabricação diária de 350 bolsas. E os planos vão além: a expectativa é a de que o projeto empregue mais de cem custodiados e inclua a confecção de roupas e móveis para o público infantil.

As tratativas tiveram início em dezembro de 2021, quando a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), por meio do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG), e a empresa Grão de Gente assinaram um termo de compromisso. Em março deste ano, a parceira reformou e adaptou o galpão que está sendo utilizado, com recursos próprios. Todo maquinário instalado pertence à empresa: máquinas de costura industrial, bordadeira industrial e outras utilizadas no processo de produção. Pelo trabalho, os detentos recebem ¾ do salário mínimo e, a cada três dias trabalhados, diminuem a pena em um dia.Para o diretor de Atendimento do Presídio de Itajubá, Adão Almeida, projetos como esse fortalecem a ressocialização dos custodiados. “Eles aprendem uma profissão, despertando assim um senso de responsabilidade e novas perspectivas de futuro”, observa.

Equipe

Com experiência de dois anos na produção de uniformes para o sistema prisional, que também ocorre dentro do Presídio de Itajubá, e uma capacitação de corte e costura durante o cumprimento da pena, Jurandir Marcelino, de 35 anos, conquistou uma vaga na linha de produção.

Os estudos também ganharam um reforço. Ele, que parou de ir às aulas com 14 anos, no ensino fundamental, agora completa o ensino médio dentro do sistema prisional e ainda ambiciona uma faculdade. As aspirações são inspiradas em sua família. “Mesmo cumprindo pena há mais de dez anos, não vou desistir de viver, tenho esposa, mãe e filha. Preciso usar este tempo para me aperfeiçoar cada dia mais, me preparando para quando terminar a minha sentença. O mercado de trabalho não é fácil para um trabalhador comum, imagina para um ex-detento”, conclui Jurandir. 

Leonardo Gonçalves, de 32 anos, também dividia a linha de produção de uniformes do sistema prisional com Jurandir. Agora, segue com o colega para o projeto de produção de bolsas de maternidade. Antes de entrar para o sistema, Leonardo desconhecia o ramo de corte e costura. Já trabalhou com manutenção de fios de alta tensão e em obras, atuando como servente e pedreiro. Entretanto, ele conta que de tudo que já fez, se identificou mais com o ofício da produção de bolsas. “É muito bom fazer o serviço que a gente gosta. Tendo vontade, se dedicando, temos orgulho quando termina”, destaca. 

Empresa parceira

Luciana Santana, head de Parcerias Estratégicas e Responsabilidade Social da Grão de Gente, conta que a ideia veio após um contato prévio com o sistema prisional, quando a empresa reformou berçários de duas unidades, uma em João Pessoa, na Paraíba, e outra em Cariacica, Espírito Santo, por meio do projeto Maternar Lactantes Presas. “Observamos a importância de olhar para as pessoas que estão no sistema prisional”, conta. 

Para os negócios a aliança também gerará bons frutos. Com a estrutura montada no Presídio de Itajubá, a empresa irá dobrar a produção de bolsas. “Este é um projeto piloto. Queremos que cresça ainda mais na Penitenciária de Itajubá, para que possamos levar para outras unidades prisionais do Sul de Minas”. 


 
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