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Servidores do Banco Central aprovam continuidade da greve



Os servidores do Banco Central aprovaram a continuidade da greve da categoria nesta terça-feira, 12, após novo fracasso nas negociações com a diretoria da autarquia. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do BC (Sinal), Fábio Faiad, a continuidade do movimento foi aprovada com 80% dos votos, em assembleia com 1.300 servidores do BC, de um total de 3.500 na ativa.

A categoria está de braços cruzados desde o dia 1º de abril, em busca de recomposição salarial de 26,3% e reestruturação de carreira, como a mudança do nome do cargo de analista e exigência de ensino superior para concurso para técnico.

Mais cedo, Faiad já havia afirmado ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que o sindicato se posicionaria a favor da continuidade do movimento na assembleia, uma vez que não houve avanços nas negociações com a diretoria da autarquia ou com o governo. Era esperada para a manhã desta terça-feira (12) uma reunião com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, que não ocorreu.

Os sindicatos que representam os servidores do BC se reuniram com a diretora de Administração, Carolina de Assis Barros, mas, segundo Faiad, ela informou apenas que o encontro com Campos Neto só ocorreria quando o presidente do BC tivesse uma sinalização mais concreta de proposta para a categoria.

Também nesta terça a Associação Nacional de Analistas do Banco Central (ANBCB) iniciou um relatório diário com os impactos da greve sobre os setores do órgão. A primeira divulgação trata do Departamento de Operações Bancárias e de Sistemas de Pagamentos (Deban), ligado à diretoria de Política Monetária.

Segundo a ANBCB, 78% dos servidores do departamento estão em greve (57 de 73) e 61% (20 de 33) dos titulares de função comissionada solicitaram dispensa do cargo. Além disso, todos os 24 servidores da divisão de monitoramento e gestão dos sistemas de transferência de fundos do BC (Gemon) estão em greve, inclusive o chefe de subunidade, relatou a associação.

Dentre os impactos, o documento cita a paralisação da homologação de 14 instituições para participarem do SPI (sistema de liquidação de Pix interbancários) e para abertura de Conta PI (Pagamentos Instantâneos) no BC, "impossibilitando que estas instituições ofereçam Pix a seus clientes por meio de acesso direto ao SPI". Segundo a ANBCB, algumas já entraram em contato para reclamar, informando que a paralisação da homologação impacta o prazo em que planejavam começar a oferecer Pix a seus clientes.

Além disso, o sindicato afirma que o monitoramento do Sistema de Transferência de Reservas (STR) e o SPI está ocorrendo apenas entre 6h e 19h. Da mesma forma, a prestação de informações e esclarecimento de dúvidas gerais das instituições participantes do STR e do SPI não está sendo feita pela equipe de monitoramento. Houve ainda adiamento na implementação da remuneração da conta PI e deve haver atraso no projeto piloto do real digital, inicialmente previsto para o quarto trimestre deste ano.

De maneira geral, a greve já atrasa a divulgação de diversos indicadores e relatórios da autarquia, como o Boletim Focus, que é uma importante bússola do mercado sobre os rumos da economia brasileira. O "apagão de dados" ocorre também em um momento crucial para a política monetária. Na segunda-feira, Campos Neto indicou que o BC vai analisar se houve mudanças na tendência após a surpresa com o IPCA - índice oficial de inflação - de março (1,62%).

O movimento deve ainda afetar a publicação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de fevereiro, cuja divulgação estava marcada para o dia 14. Os dados do fluxo cambial não têm atualização há duas semanas. Da mesma forma, o BC não divulgou as notas de setor externo, crédito e fiscal de fevereiro. (Estadão Conteúdo)




 
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