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Voto útil pode ser decisivo de novo na escolha do presidente do país



A partir das eleições de 2010, o eleitorado brasileiro aderiu ao voto útil. A  maioria deixa de lado a identificação ideológica e vota contra quem mais rejeita. Em 2018, cerca de 80% dos votos desta forma elegeram Jair Bolsonaro contra o PT, que disputou o Palácio do Planalto com Fernando Haddad. Ainda que muitos partidos não estejam ao lado de Bolsonaro ou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não conseguem se articular para lançar candidato de terceira via.

Para este ano, até mesmo políticos da base de Bolsonaro esperam decisão baseada no voto útil. Na avaliação do senador Marcos Rogério (PL-RO), o fraco desempenho da terceira via revela essa tendência. “Mais para frente, vai acabar acontecendo, quando as pessoas observarem que nenhum daqueles nomes, que se dizem terceira via, se viabilizam. Nesta eleição a polarização está  muito diferente. Bolsonaro polarizando muito de um lado e Lula de outro. A margem para essa coluna do meio ficou muito pequena. A tendência é Bolsonaro crescer, como está crescendo, e vai vencer”, avalia. O senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS) faz a mesma leitura: “É difícil a pesquisa mostrar, mas há muita resistência antipetista. Os 10% da terceira via, vão, sim, ser decisivos”.

 O senador Fabiano Contarato (PT-ES) acredita que as pessoas votarão por convicção e não porque não querem o outro lado. “O eleitor vai saber comparar duas gestões: uma exitosa, uma gestão que teve olhar além da saúde fiscal, teve uma saúde social. Que soube aliar responsabilidade fiscal com social, e outra que não teve. O atual governo não sabe viver numa democracia e violou principalmente o direito à vida humana. Porque quando  tira verba da área da saúde ele está matando a população. Então, eu não vejo isso (do voto útil)”, afirmou.

O senador Cid Gomes (PDT-CE) acredita que, no primeiro turno, o voto será de identificação. “A meu juízo, a única possibilidade de o voto útil ser utilizado no primeiro turno seria se um dos dois candidatos tivesse real chance de vencer no primeiro. Nenhum dos dois (Lula ou Bolsonaro) está totalmente consolidado. Bolsonaro confia na força da fisiologia do Centrão e Lula é o candidato mais popular. Mas os laços com as pessoas ainda é frágil”, afirma o parlamentar.

Na avaliação do consultor político Orlando Thomé, o movimento político não se mede só com pesquisa de intenção, mas com uma onda nova. “É a reunião das forças em torno de um objetivo: ‘Nenhum de nós é candidato, mas todos nós queremos evitar o desastre da reeleição do Bolsonaro’”. De acordo com o especialista, esse movimento envolve, inclusive, o ex-presidente. “Lula precisa chamar todo mundo, pois ele é a principal liderança de oposição, mas continua insistindo em fazer a campanha em torno dele e não em ideias. Quer que a crítica se achegue por adesão, mas precisaria construir uma solução. Aí sim poderia ser o candidato a ganhar no primeiro turno”, destaca.

“O voto útil de 2018 foi polarizado e radicalizado. Agora, no caso de Jair Bolsonaro, de uns tempos para cá, há movimento dele rumo ao Centrão, como sua entrada no PL, do Valdemar Costa Neto”, diz o cientista político Paulo Kramer. “A eleição deste ano está parecendo que também vai ser radicalizada, mas tem muitos elementos diferentes, como a economia, o pós-pandemia”, continua. Para Paulo Kramer, a terceira via conta com o voto útil para se viabilizar. Porém, a falta de uma candidatura forte dificulta a conquista do eleitorado. “O que você vê nas pesquisas é que o Bolsonaro está tirando votos da terceira via, e não o contrário, como eles esperavam, avalia.

Alternativa


“[O voto útil] Costuma ser um fator forte, ele pode decidir uma eleição com certeza. Bolsonaro herdou muito o voto útil em 2018, com eleitores que votariam no Alckmin. Mas está difícil falar sobre isso agora”, analisa o cientista político André Rosa. Para ele, o voto útil passa a ser um fator mais concreto nas eleições a partir do momento que um candidato alternativo tem chances reais de vitória. Bolsonaro capitalizou em cima desse cálculo político ao se apresentar como uma alternativa viável ao PT, PSDB, e outros grandes partidos. “O voto antipetista foi para o Bolsonaro para tentar fazer ele ser eleito no primeiro turno. Mas no momento atual o eleitor vai votar em quem? Na sequência de Lula e Bolsonaro vem o ex-juiz federal Sergio Moro, com 7% dos votos, e nem sabemos se ele vai concorrer mesmo. O eleitor não vai desperdiçar o voto dele assim”, afirma André.

Sergio Moro se filiou ao União Brasil e ainda não decidiu a qual cargo pretende concorrer em outubro.

EM
(foto: EVARISTO SÁ/AFP )

 
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