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Brasil tem mais de 4.000 jovens à espera de adoção



Existem diversos motivos que levam a criança ao abrigo como, por exemplo, abandono, violência doméstica, violência psicológica, abuso sexual, exploração do trabalho infantil, dentre outros. De acordo com dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), há no Brasil, cerca de 29.637 jovens acolhidos, mas apenas 4.102 estão disponíveis para adoção. Em Minas Gerais, são acolhidos aproximadamente 4.211 e, desses, 579  crianças e adolescentes estão disponíveis para adoção.  Já os pretendentes habilitados atualmente são 33.066. 

Segundo Maria Luíza Magalhães, diretora do Colmeia - Unidade de Acolhimento Institucional em Belo Horizonte, após a chegada ao abrigo da criança e do adolescente são realizados trabalhos com psicólogos voluntários, conforme o histórico de cada um. 

“Existem casos de crianças de 2 anos que realizam esse acompanhamento devido a grandes traumas e agressões. É importante ressaltar que as consequências deles podem afetar os desenvolvimentos da fala e motor, por exemplo, por isso todos passam também por avaliação de especialistas que atuam na fonoaudiologia e fisioterapia também”, explica.  

O perfil mais procurado para adoção 

Segundo o Conselho Nacional de Justiça, os perfis mais procurados por pretendentes à adoção são de crianças de 2 a 4 anos. O gênero, a cor e a naturalidade costumam não pesar na decisão dos adotantes. Porém, algumas famílias têm suas preferências. 

“Tratamos muito do tema criança real x criança almejada por pretendentes a fim de conscientizar mais as pessoas. Infelizmente existe um perfil traçado de criança perfeita e sem nenhum problema de saúde. A realidade nos abrigos são crianças maiores, com problemas de saúde tratáveis, mas causados pelo uso de substâncias ilícitas por parte da família biológica e, principalmente, grandes traumas psicológicos”, declara Maria Vânia Medeiros, consultora social da ONG Colmeia em BH. 

Conforme a consultora da unidade de acolhimento, o perfil de criança perfeita ainda perdura muitas vezes após a chegada da criança. “Infelizmente, existem pretendentes que não se preparam tão bem e esperam que a criança ou adolescente de fato seja perfeita. Não acolhem as histórias da criança, o que pode resultar em alterações de humor, rebeldia, mau comportamento, desconfiança e medo, resultando momentos de desafio para a família”, completa. 

'Devolução'

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece adoção como irrevogável. No entanto, pedidos de pais que desejam não dar seguimento ao processo de adoção costumam ser acolhidos pela Justiça, para evitar que a criança permaneça em uma família que não quer mais conviver com ela. 

“Quando não dá certo, é algo muito delicado. Isso, porque, gera mais um trauma para a criança ou adolescente. Aquele processo é reiniciado, ou seja, é realizado um estudo com a família biológica e eles têm a oportunidade de tentar novamente. Além disso, é uma situação exaustiva para a criança, que causa abalos psicológicos que podem perdurar por toda vida”, explica.


*Por: Bárbara Ribeiro

O Tempo


 
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