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Crime organizado: Veja porque Minas Gerais se tornou alvo de facções de São Paulo



Nos últimos anos, alguns dos crimes de maior repercussão de Minas Gerais apresentam um ponto em comum: foram cometidos ou comandados por criminosos de fora do Estado. Mais precisamente, por possíveis membros de quadrilhas especializadas de São Paulo. Investigações sobre o roubo à joalheria Manoel Bernardes, no BH Shopping, na capital, indicam que os bandidos podem estar ligados ao Estado vizinho. Vários ataques do chamado “novo cangaço” também. Explosões e assaltos a bancos, feitos por bandidos altamente armados, marcaram o interior de Minas, além de promoverem pânico na população.

Um dos casos mais emblemáticos aconteceu em Varginha, no Sul de Minas. Em outubro do ano passado, 26 suspeitos de integrarem uma quadrilha especializada em assaltos a bancos foram mortos durante ação de inteligência da polícia, que identificou os planos criminosos do bando. Com eles, foram encontrados explosivos e diversos armamentos pesados. Uma fonte ligada às investigações diz que o grupo pode ter associação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A facção criminosa paulista tem ramificações no Triângulo Mineiro e é conhecida por seus ataques coordenados e violentos.

Para o professor da Universidade Federal de Minas Gerais  (UFMG) e pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), Bráulio Figueiredo, uma das possíveis explicações para a participação de quadrilhas de São Paulo nos principais crimes em Minas Gerais está no “mercado”. “É lei de mercado. As gangues de São Paulo são profissionais e fazem uma análise de cenário antes. Elas conseguem encontrar em outros Estados oportunidades de cometer crimes. É um cenário contextual que facilita a ocorrência. O caso da joalheria no BH Shopping, por exemplo, aconteceu porque eles detectaram uma vulnerabilidade na segurança do shopping”, explica. 

Ainda segundo Figueiredo, o mesmo ocorreu nos crimes de roubos de caixas eletrônicos, que ficaram popularmente conhecidos como “novo cangaço”. Normalmente, esse tipo de crime ocorre em cidades do interior do Estado, com pouco efetivo de policiais e um ambiente propício para a fuga. “Eles sempre planejam muito bem e avaliam o mercado. Veja, não é culpa da polícia militar de Minas, que é bem preparada e tem equipamentos. Inclusive é importante deixar claro que não é uma falha na segurança do Estado. É uma questão de oportunidade mesmo”, diz. 

Para Figueiredo, falta uma troca de informações de forma mais consistente entre as polícias de Minas e de São Paulo para cercar esse tipo de ação. O raciocínio é simples: muitos desses criminosos estariam migrando a atuação para cidades mineiras por já estarem de certa forma mapeados e cercados pela polícia paulista. “As análises precisam ultrapassar as barreiras estaduais”, explica. 

Também pesa na escolha de Minas Gerais para prática de determinados crimes a localização. Como Minas e São Paulo são estados fronteiriços, os criminosos acabam tendo uma facilitação logística. “Claro que tudo é hipótese porque não temos dados para dizer que os criminosos de São Paulo estejam preferindo Minas do que outros locais. Acho que eles assaltam em várias partes do país. O fato de São Paulo ter a maior população e, por isso, também o maior número de criminosos, a presença deles vai ser uma constante maior mesmo. São fenômenos que não podem ser ignorados e devem ser pesquisados”, pondera Figueiredo.

 

Questão de oportunidade

Oportunidade também é uma das palavras-chaves utilizadas pelo especialista em segurança Luís Flávio Sapori para classificar as ações dessas quadrilhas que atuaram em alguns dos crimes de maior repercussão de Minas ao longo dos anos. 

De acordo com ele, crimes como o do roubo no BH Shopping e os classificados como “novo cangaço” envolvem organizações criminosas bem-estruturadas e profissionais, que não se restringem ao seu estado de origem. Informações privilegiadas obtidas por bandidos e a disponibilidade de bens de valor acabam sendo um guia para as ações ilícitas.

“Esse tipo de roubo de alto valor, do novo cangaço, não tem ‘território fixo’. Eles podem ser em Minas Gerais, em São Paulo, na Bahia. O que define é a oportunidade, como objetos de valor em grande quantidade”, diz ele.

Quando se trata de Belo Horizonte, por exemplo, muitas vezes não é difícil encontrar algo atrativo para o crime. Sapori lembra que se trata de uma grande e importante capital do país, o que naturalmente já pode atrair outros tipos de olhares. “A cidade recebe atenção. Tem comércio sofisticado, riqueza circulando”, destaca ele.

De acordo com ele, crimes como o do roubo no BH Shopping e os classificados como “novo cangaço” envolvem organizações criminosas bem-estruturadas e profissionais, que não se restringem ao seu estado de origem. Informações privilegiadas obtidas por bandidos e a disponibilidade de bens de valor acabam sendo um guia para as ações ilícitas.

“Esse tipo de roubo de alto valor, do novo cangaço, não tem ‘território fixo’. Eles podem ser em Minas Gerais, em São Paulo, na Bahia. O que define é a oportunidade, como objetos de valor em grande quantidade”, diz ele.

Quando se trata de Belo Horizonte, por exemplo, muitas vezes não é difícil encontrar algo atrativo para o crime. Sapori lembra que se trata de uma grande e importante capital do país, o que naturalmente já pode atrair outros tipos de olhares. “A cidade recebe atenção. Tem comércio sofisticado, riqueza circulando”, destaca ele.

 

Relembre

Crimes de grande repercussão em Minas Gerais tiveram envolvimento de quadrilhas especializadas de São Paulo

 

Outubro de 2021 - Varginha

Uma operação entre a Polícia Militar, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e a Polícia Rodoviária Federal terminou em confronto e na morte de 26 suspeitos de integrarem uma quadrilha especializada em roubo a bancos, em Varginha, no Sul de Minas. Com o bando, que teria ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), foram encontrados explosivos e vários tipos de armas. O serviço de inteligência da polícia identificou que eles assaltariam instituições bancárias.

 

Abril de 2021 - Jacuí

Oito homens causaram o terror em Jacuí, no Sul de Minas, ao explodirem caixas eletrônicos e saírem atirando pela cidade. Um suspeito foi encontrado morto dentro de um carro. O crime, que aconteceu em 8 de abril, foi cometido apenas um dia depois de agências bancárias terem sido explodidas em Mococa, no interior de São Paulo. Ligações entre as duas ações não foram descartadas.

 

Junho de 2019 - Uberaba

Membros de uma quadrilha de São Paulo explodiram uma agência do Banco do Brasil em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Os bandidos colocaram muito medo na população, utilizando fuzis e barricadas com caminhões. Três pessoas foram baleadas durante troca de tiros com a polícia. Dez criminosos se renderam aos agentes de segurança.

 

Fevereiro de 2014 - Itamonte

Em Itamonte, no Sul de Minas, oito bandidos foram mortos após explodirem caixas eletrônicos na cidade. Um refém, usado como escudo humano, também perdeu a vida durante troca de tiros. A base operacional da quadrilha funcionava em Caçapava, no interior de São Paulo, onde um suspeito foi preso.

Fonte: O TEMPO

 
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