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Mortes no trânsito cairiam em MG com uso correto equipamentos de proteção



Ao mesmo tempo em que Minas Gerais vê crescer o número de motos nas ruas e avenidas, amarga números preocupantes de violência no trânsito envolvendo os condutores: nas últimas três décadas, a taxa de mortalidade de motociclistas cresceu 37,5% no Estado. Para cada 100 mil habitantes, o número de mortes de motociclistas subiu de 4,8 em 1990 para 6,6 em 2019. Foram registrados 1.193 óbitos em 2019, ante 654 em 1990. 

Os dados são de um trabalho divulgado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) no início de maio deste ano. Baseada em dados do estudo “Carga Global de Doenças”, de 2019, a pesquisa aponta que, no Brasil, a taxa de mortalidade de motociclistas no período foi de 53%. 

“A realidade tão violenta de acidentes e mortes é reflexo da conjunção de mais motos adquiridas e maior desrespeito às regras de trânsito, com práticas inseguras e mistura de álcool e direção”, analisa a pesquisadora Deborah Carvalho Malta, professora da Escola de Enfermagem da UFMG que participou do levantamento. 

Palavra de especialista 

Para o gerente do Centro Educacional de Trânsito da Honda, Leonardo Donato, o uso correto de equipamentos básicos de proteção já contribuiria para a redução da taxa de mortalidade dos motociclistas. “A pessoa acha que, só por usar capacete, está segura. Mas vemos muita gente com o equipamento vencido, a viseira aberta ou a cinta jugular (faixa que deve ser travada abaixo do queixo) aberta ou mal afivelada”, comenta.  

Ele ressalta que, para a segurança no trânsito aumentar, é fundamental pilotar de forma preventiva. “Esteja concentrado e antecipe os problemas que possam surgir. Use os freios corretamente e respeite as leis. E tenha em mente que sempre terá alguém esperando que você volte para casa”, aconselha.  

Nem só de capacete é feita a segurança do motociclista 

Embora o capacete seja o primeiro item que vem à mente quando se fala em equipamento de proteção para motociclistas, outros acessórios e algumas vestimentas são essenciais para diminuir a gravidade dos acidentes, alerta o gerente do Centro Educacional de Trânsito da Honda, Leonardo Donato. Para ele, inclusive, alguns deles deveriam se tornar obrigatórios.

“Em um acidente, as mãos são uma das primeiras partes do corpo a ter contato com o asfalto. Uma luva de proteção poderia evitar ralados que levam o motociclista para o hospital e o incluem nas estatísticas”, exemplifica. 

Calça, jaqueta e sapato fechado, como bota, são itens essenciais, principalmente para quem usa a moto como veículo de trabalho, diz Donato.  

Perfil de acidentados

Motociclistas são maioria entre as vítimas de acidentes de trânsito que chegam ao Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte. Em 2021, dos 7.211 socorridos na unidade, 66,4% (4.795) estavam em motocicletas. 

Imprudência é comum 

Estudo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares, de 2020, mostrou que 88% dos acidentes causados por motociclistas foram resultado de imprudência. O piloto provocou 49% das colisões; e 51% delas foram causadas pelo outro veículo. 

Apostar na educação é essencial 

Há necessidade de investimento em educação e infraestrutura para reduzir as taxas de mortalidade entre motociclistas, segundo a professora da Escola de Enfermagem da UFMG e pesquisadora Deborah Carvalho Malta. “Muitas vezes, as regras de trânsito não são seguidas de forma adequada. Mas precisam ser feitos investimentos na infraestrutura das vias, (na conscientização sobre) o uso de equipamentos de segurança e na fiscalização. Até temos boas leis no país, mas falta fiscalização”, avalia. 

Gerente do Centro Educacional de Trânsito da Honda, Leonardo Donato também considera essencial apostar na educação e na melhoria do processo de formação de condutores: “O governo precisa investir, colocar a educação no trânsito como uma disciplina nas escolas. Temos que formar melhor as novas gerações”. 


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