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Cruzeiro x Flu: o dia em que torcedores do Galo se dividiram no estádio

foto: Arquivo Estado de Minas


Dia 9 de novembro de 1966, data da semifinal da Taça Brasil de 1966, hoje reconhecida como Campeonato Brasileiro. Em um dos jogos mais importantes entre Cruzeiro e Fluminense, que voltam a se encontrar nesta quinta-feira (23), pela Copa do Brasil, o time celeste contou com a torcida de muitos fanáticos do América e também de alguns atleticanos, que ficaram divididos. 

Essa história é contada pelo jornalista e escritor Roberto Drummond, no Jornal dos Sports, em 1966, ano em que foi convidado a ser correspondente do diário carioca na capital mineira. Por azar - ou sorte - do destino, Drummond, que era atleticano declarado, acompanhou de perto a era de ouro da Raposa, com Tostão, Dirceu Lopes, Procópio, Piazza, Evaldo e Raul, entre outros. 

No texto "Charanga manda os do contra para o inferno", Drummond diz que a torcida do Cruzeiro "já conseguiu a adesão da torcida do América e de parte dos atleticanos, embora a maioria esteja ainda indecisa". 

Se os atleticanos no Mineirão apoiassem o Fluminense, a torcida do Cruzeiro prometeu cantar "que tudo mais vá pro inferno", música de Roberto Carlos, de acordo com a matéria de Drummond.

Na nota, o jornalista destaca que "os atleticanos indecisos explicam sua posição dizendo que nada têm a ver com a 'guerra'. Outros vão além e explicam que a guerra é dos dois times dos pós-de-arroz mineiro contra carioca".  

foto: Reprodução

Nota assinada por Roberto Drummond, cujo nome foi publicado faltando a letra m



Origem do pó-de-arroz 

Embora com origem controversa, a melhor explicação para o termo pó-de-arroz vem do Rio de Janeiro. Em 1914, durante uma partida contra o América-RJ, os torcedores do time colorado começaram a cantar pó-de-arroz para provocar o jogador Carlos Alberto, que havia acabado de trocar o clube pelo Fluminense. 

Carlos Alberto tinha o hábito de usar talco no rosto. Por ser conhecido como um time aristocrata, muitos torcedores ligavam o ato de Carlos Alberto a uma exigência do Fluminense. Historicamente, o clube carioca sempre negou que tenha pedido aos jogadores para 'clarear' o rosto com talco e alegou que Carlos já fazia o mesmo no América-RJ.  

A torcida do time carioca adotou o apelido provocativo e começou a celebrar com talco e pó-de-arroz durante os jogos do Fluminense. Durante um período, o Cruzeiro também foi alvo desse apelido, mas hoje isso já não é visto na boca dos torcedores rivais. 


Roberto Drummond 

Roberto Drummond nasceu em Ferros - a 170 km de Belo Horizonte -, cidade vizinha a Santa Maria de Itabira, onde viveu o autor que subscreve este texto. Na imprensa esportiva, Drummond ganhou destaque no jornal Estado de Minas, assinando a coluna "Bola na Marca". 

O jornalista era atleticano declarado. Foi cunhada por ele a famosa frase: "Se houver uma camisa branca e preta pendurada num varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento". 

Ao mesmo tempo, era muito respeitoso em relação ao Cruzeiro, criando a alcunha "China Azul", em referência ao grande crescimento da torcida celeste em todo estado de Minas Gerais. 

Como escritor, o livro de maior sucesso de Drummond foi o romance Hilda Furacão (1991), obra adaptada para a televisão em 1998. 


Cruzeiro campeão 

Com torcida ou não de atleticanos e americanos, o Cruzeiro superou a soberania do Santos de Pelé, considerado um dos melhores times do mundo na época, e conquistou a Taça Brasil de 1966.  

No primeiro jogo da final, no Mineirão, a Raposa aplicou uma sonora goleada de 6 a 2. No duelo de volta, no Pacaembu, começou perdendo por 2 a 0, mas virou para 3 a 2 e ficou com a Taça Brasil.  

No caminho até a decisão, o Cruzeiro eliminou no mata-mata o Americano-RJ, o Grêmio e o Fluminense. O atleticano Roberto Drummond acompanhou tudo de perto.


Fonte: Super Esportes





 
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