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Mais de 40% dos caminhoneiros autônomos foram vítimas de roubo na estrada

 Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil


A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) apresentou nesta quinta-feira (23), em coletiva virtual, os resultados da pesquisa "A realidade do caminhoneiro autônomo em 2022." 

O levantamento destacou que a renda média mensal líquida dos motoristas de caminhão é de R$ 4 mil. Também apontou que 43,4% dos entrevistados afirmaram terem sido vítimas de roubo ou furtos nas estradas. 

Confira mais detalhes da pesquisa: 

Perfil 

O perfil dos caminhoneiros: 

  • Cerca de 60% tem mais de 20 anos de profissão; 
  • Apenas 30% possui o ensino médio completo;
  • 23% reside em São Paulo;
  • 64,3% dos caminhoneiros não possuem registro de CNPJ ou Microeemprendedor Individual (MEI)


Renda

De acordo com a pesquisa, a média mensal líquida dos caminhoneiros é de R$ 4 mil. Os motoristas de caminhão trabalham cerca de 23 dias por mês e 13 horas por dia. Mas, segundo o assessor executivo da CNTA,  Marlon Maues, a realidade mais comum é que nos outros 7 dias restantes, os caminhoneiros estão aguardando carga ou descarga, e eles não são remunerados por isso. 

“Isso acaba sendo confundido porque neste dias em que o motorista de caminhão está carregando ou descarregando, as transportadoras utilizam do serviço deles, mas sem remunerá-los,” informou Marlon.  

Segurança 

Do total de entrevistados, 48,6% disseram que seu veículo não possui rastreador. Já sobre seguro, 26,8% afirmaram não ter a proteção veicular. 

Sobre a quantidade de caminhoneiros que não possuem equipamentos de proteção nos veículos, o assessor executivo da CNTA ressalta que “ganhando R$ 4 mil por mês, o trabalhador não tem condições de cuidar do seu equipamento ou de protegê-lo." 

Em relação ao envolvimento em alguma ocorrência de roubo ou furto de cargas, 43,4% dos motoristas de caminhão afirmaram terem sido vítimas de crimes do tipo.  

Lei do piso mínimo do frete 

Aproximadamente 45% dos caminhoneiros disseram não conhecer a Lei nº 13.703, de 8 de agosto de 2018, que determina que os pisos mínimos de frete deverão refletir os custos operacionais totais do transporte, definidos e divulgados nos termos da regulamentação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com priorização dos custos referentes ao óleo diesel e aos pedágios.

“Uma lei que de certa forma não é aplicada, pela ausência de fiscalização”, afirmou o assessor. 

Outra lei que não é cumprida a rigor, segundo Maues, é a lei da Estadia, nº 11.442, de 5 de janeiro de 2007, que prevê que o caminhoneiro tem de ser compensado se prazo de carga ou descarga exceder 5 horas. 

“A lei da estadia não é cumprida como deveria, e com isso, o caminhoneiro perde produtividade. Apesar de ser uma lei que estabelece o tempo de trabalho, muitos acabam tendo que se desdobrar para ter uma remuneração mínima, devido ao baixo valor do frete praticado,” ressaltou Maues. 

Futuro da profissão

Uma preocupação da categoria é quanto ao futuro da profissão, uma vez que os jovens se sentem pouco motivados a exercer a função. “Atrair os jovens para uma profissão que se tem dificuldade de levar adiante é um desafio. As entidades precisam se preocupar em manter a profissão nas gerações mais jovens, caso contrário, vamos ter carência de mão de obra de motoristas,” enfatizou Marlon.  

Pesquisa 

O levantamento realizado pela CNTA, por meio da AGP Pesquisas, ouviu 1 mil caminhoneiros autônomos, entre os dias 4 a 18 de abril de 2022, nas principais praças do país: Porto de Santos (SP), Contagem (MG), Porto de Paranaguá (PR), Feira de Santana (BA) e São Paulo Capital (SP). 


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