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Familiares enfrentam 4 dias de viagem e superam acidente para reencontrar jovem que precisa de transplante de medula em MG



Um jovem que se mudou do Pará para Pouso Alegre (MG) e descobriu uma leucemia conseguiu reencontrar o pai e uma irmã depois de uma vaquinha feita por amigos. O reencontro aconteceu nesta semana depois dos parentes superarem quatro dias e até um acidente no meio da viagem. 

O estoquista Vitor Siqueira Santana aguarda pelo momento de fazer um transplante de medula. A mãe dele foi considerada compatível e será a doadora do próprio filho. 

Vitor foi para Pouso Alegre em busca de uma oportunidade de estudar e trabalhar, mas acabou descobrindo um câncer. A condição delicada na saúde dele acabou reaproximando a família e os amigos por um objetivo: vencer juntos esse momento frágil com esperança. 

Vitor passou meses sozinho em Pouso Alegre e com o diagnóstico de leucemia, os momentos ficaram ainda mais frágeis e desafiadores. 

"Eu sempre fui uma pessoa saudável, tudo, nunca fui de estar tanto tempo em hospital, quando eu descobri, foi muito difícil", disse o repositor Vitor Siqueira Santana. 

Ida para MG e diagnóstico da doença 

Vitor nasceu em Tucuruí (PA). Ele tinha o sonho de estudar, fazer faculdade e conseguir um emprego de carteira assinada. Com o incentivo de uma tia, ele foi para Pouso Alegre e em 2020 conseguiu a oportunidade de trabalhar como estoquista em um supermercado. Tudo caminhava bem, até que veio o diagnóstico. 

"Eu tinha ido trabalhar de manhã, subi para o refeitório tomar café, e não estava me sentindo muito bem, aí fui ver o meu setor que eu abasteço e aí eu pegava os papelões e sentia pesado. Aí de repente deu uma câimbra nas minhas pernas, peguei a cadeira, chamei a moça da limpeza, sentei, descansei um pouquinho, aí olhei pra minha mão e vi seis dedos, minha vista estava embaçada", contou. 

Foram feitos vários exames e a certeza da leucemia, doença que afeta as células do sangue, levou o Vitor para o hospital onde ficou dias internado. Ele chegou a pesar 38 quilos. 

"Quando eu cheguei aqui e vi a situação do meu filho, eu não aguentei, eu não aguentei. Fui direto para o hospital e o bichinho estava deitado lá, magrinho, tava não sei quantos dias sem combrar, a doutora ligou e estava preocupada, que ele não estava comendo mais, quando ela ligou falando que eu poderia ficar com meu filho, que o hospital liberou, foi uma alegria", contou a mãe do Vitor, Auxiliadora Maria Lima Siqueira. 

Vitor passou por quimioterapia e foi reagindo bem ao tratamento. A mãe dele acompanhou tudo de perto, especialmente quando veio a notícia que trouxe o maior alívio: ela era compatível para ser doadora de medula. 

"Em meio de muitas pessoas que estão precisando de um doador e sei que é difícil, eu fiquei muito feliz. Eu não só estou ajudando meu filho nessa situação que ele está passando, como vou ajudar meu filho a ficar curado, ficar bom, livre desse câncer", disse a mãe dele. 

O transplante que deve acontecer em breve vai servir para trocar a medula óssea doente por células normais da medula saudável doada pela mãe. Antes de passar pelo procedimento, Vitor queria rever o pai e a irmã, que ficaram no Para. E para concluir esse sonho, foram os amigos que o ajudaram a reencontrar todos os membros da família. Uma tarefa complicada, cara, mas que deu certo. Uma cena como essa foi desejada e planejada durante um ano. 

Viagem e reencontro 

Quem ajudou nessa missão foi a assistente de RH, Renata Couto Ribeiro. Por também já ter enfrentado um tratamento de câncer, ela decidiu buscar ajuda com os amigos. 

"Foi muito rápido que a gente conseguiu o valor que até então eu tinha olhado para eles virem de avião. Mas infelizmente quando a gente chegou no valor, o avião foi para R$ 10,3 mil, a passagem deles. Aí começou a acontecer que o Covid piorou na cidade, conversamos com o Vitor e ele aceitou então que os pais viessem até Pouso Alegre ao invés dele precisar viajar com os riscos que ele tinha iminente", disse a assistente de RH, Renata Couto Ribeiro. 

Para ir do Pará até Pouso Alegre, foram mais de 90 horas de viagem e quatro dias dentro de um ônibus, e uma situação que ninguém esperava: um acidente. O ônibus em que estavam o pai e a irmã de Vitor se chocou com uma carreta. Um susto, mas ninguém ficou ferido e o reencontro de pai e filho aconteceu na madrugada da última segunda-feira (18). 

"A gente revigora, deu energia, você sente alegria de ver uma pessoa que você ama e saber que está bem, é um alívio, é uma coisa inexplicável", disse o pai do Vitor, Rosinaldo Valente Santana.

Vitor está confiante e acredita que, com os pais por perto, vai dar tudo certo com o transplante. 

"Já me dá um ânimo a mais pra quando eu for para o transplante para terminar esse processo que eu creio que Deus logo logo nos dará a vitória", disse Vitor. 

A mãe agora aguarda o procedimento do filho para que esse pesadelo fique para trás. 

"A minha alegria de mãe, eu não tenho nem palavras pra agradeceu o meu senhor, agradecer todos os dias ao senhor, por esse privilégio de ser a doadora do meu filho. Mas a palavra é não desistir, não desistir pelos seus filhos, é lutar com todas as forças que a gente tem porque quando as nossas acabam, o senhor entra com o dele, é assim que funciona", concluiu a mãe.


G1 Sul de Minas

Foto: Reprodução EPTV


 
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