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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 28/07/2022


 

Sócios indesejáveis

Poucos dão sorte nas sociedades que a vida nos reserva, embora, às vezes, tenhamos que encarar uma parceria mais estreita e limitada, a fim de somarmos esforços, pois, negociar não é um dom comum a todos; empreendimentos são arriscados e pouco rentáveis a curto prazo, em regra geral, a não ser que sua atividade seja de natureza singular, sem concorrência acirrada ou ilícita. 

Ninguém acha sozinho o “ninho da égua”. Porquanto ilícita, duvidamos que uma pessoa de boa índole que pensa e enxerga além no nariz, possa viver na ilegalidade, afinal, é um acinte a sua paz interior, vivendo expectativas de sobressaltos a esmos, a par de ter curta duração, ou seja, até a polícia descobrir.
A relação societária, por mais perfeita que seja, ela se desgasta com o tempo, especialmente, quando surgem às crises financeiras, começam a desaparecer às amenidades de fim de tarde, os petiscos degustados antes de ir para casa; ficando sob o jugo maldizente das conversas dos parentes dos protagonistas da sociedade, e até mesmo, o estilo de vida de cada um, passa a ser observado diuturnamente, até que uma faísca de um simples isqueiro seja suficiente para causar um incêndio na relação de ambos, (alguns casos) levando a um triste fim ou até mesmo uma tragédia. 

Contudo isso que explanamos, não podemos demonizar uma sociedade, afinal, nem sempre temos como arriscar tudo sozinhos e, associar-se ou reunir-se em sociedade não é só economicamente; somos gregários e precisamos um do outro, portanto, outras junções de natureza diversa existem.

A regra simples seria, contratualizarmos todos os prós e contras e, prestarmos contas periódica e rigorosamente, sobre às ocorrências -  obtendo-se a concordância dos meeiros - de modo a não ficarem dúvidas, de preferência, mediante testemunhas.

Evitar a qualquer custo a liberdade exagerada, pois, com certeza, um dia ocorrerá o desrespeito, especialmente, entre familiares dos sócios; apagar do dia a dia a exibição e o correlacionamento muito estreito, entres os protagonistas diretos e indiretos do em torno pessoal da sociedade. 

Um perigo muito grande é o caráter egocêntrico e presunçosos dos sócios, se começarem a dar por mal empregado o quanto o outro ganha pela quantidade que trabalha, será o primeiro sinal amarelo aceso no âmbito da parceria.

Uma coisa importante na sociedade é que um dos sócios ceda quase sempre e jamais misture às famílias dentro do negócio. Um exemplo que pode parecer absurdo; [nas empresas que trabalhamos e com parceiros que interagimos, inclusive, na área pública, é que jamais nossa família adentrara em nenhum recinto em que estivéssemos em caráter profissional; muito raramente, devidos aos anos de convivência e a imposição social, acontecia a presença de nossos familiares em festas de final de ano, fora isso jamais. 

Se temos estes comentários para expormos, é porque já passamos às dificuldades de algumas sociedades, quando começam a se desgastarem, portanto, uma coisa importante é não misturar seus empregados e ajudantes na sua casa, a não ser em ocasiões sociais especiais, do contrário, às indiretas maliciosas de trabalho, com a finalidade de bajular o interlocutor presente, devasta a raiz e derruba a “arvore”.

Nem sempre tivemos sorte com sociedade e olha que, nossos métodos eram pensados, registrados, disciplinados e resignados, meio bravo, porém, sempre cedendo e debitando ao silêncio ensurdecedor de nossas insatisfações. Tudo para o bem da causa.

Falarmos que fomos roubados por sócios, não podemos de jeito nenhum, apesar de sempre enxergarmos nos olhos deles, às desconfianças de que estávamos levando vantagens as suas custas; não é fácil, mas, é risível, para quem tem senso de humor e consciência tranquila.

Se fossemos começar tudo de novo, acreditamos que teríamos sócios sim, mas seria naquele estilo da dancinha conhecida: “pezinho pra frente, pezinho pra trás” e com certeza, até que pudéssemos separar a sociedade em paz, antes que começassem os desgastes, seria fácil cada um buscar o seu horizonte independente, com harmonia.

Com todo respeito a alguns bons sócios e parceiros que tivemos, de fato e de direito, e àqueles que ousaram achar que estavam trabalhando mais do que nós, portanto, nas suas consciências resolveram fazer justiça a si, sem que déssemos conta do débito, é evidente que declinamos de suas presenças. Estão desculpados, porém, o perdão estará amadurecendo; um dia ele desabrochará em nosso coração.

Tentamos ser melhores sempre, mas hão de nos entender que: quem apanha deve desculpar rapidamente para não revidar, mas o esquecimento é difícil, por mais que sejamos indiferentes, o filme teima em repassar diante de nossos olhos. Até parece que estamos fazendo apologia contra “amarmos o próximo como a nós mesmos”, contudo é cristalino que não negamos o óbvio. Somos politicamente bem incorretos e por outro lado, neste texto, estamos meio que pensando com a cabeça de outro também. 

Este texto foi encomendado com veemência por uma pessoa que no chama de “amigo” quando convém, no entanto, nós preferimos chama-lo de “boi de carro”, afinal só estamos lado a lado. Acontece que o dito cujo está cansado da vida, falido e decepcionado, com tantos prejuízos e problemas que sócios lhe causaram, que nos sensibilizou – achamos que vai ficar mais triste com que pensamos dele.
Que estranho pedido! Foi a nossa capacidade de empatia e identificação com o caso do “boi” frustrado e irado, que falou mais alto - e nos custou apenas vinte minutos de tempo - no entanto, segundo o postulante, para ele vai durar o resto da vida a lição exarada, pois, o mesmo quer guardar e lê o artigo publicado em destaque oficialmente, todos os dias e gritar: “Como fui um burro, idiota, babaca, covarde, confiante e acomodado”!

“Por que não enxerguei que uma porta fecha e duas abrem para os homens de bem que correm atrás”? “Precisávamos ganhar, mas não há dinheiro que pague a nossa autonomia e tranquilidade”.

A princípio achamos esta coluna um pouco patética, contudo pedagógica e como adoramos dividir opiniões fundamentadas, arriscamos.

A propósito, o “boi de carro” perguntou, “como era uma pessoa com baixa estima”, respondemos: Certamente, igual ao camelo, que deve se achar tão feio e desajeitado, que ajoelha para você montar nele.

Coitados dos sócios arrependidos! 


 
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