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Um mês após assalto em Itajubá, caso não avança e órgãos fazem 'jogo de empurra'

Foto: Rota 21 Plantão / Reprodução


 Há exatamente um mês, a cidade de Itajubá, no Sul de Minas, foi tomada por assaltantes. Na noite de quarta-feira (22 de junho), os criminosos tinham um alvo: uma agência da Caixa Econômica Federal, localizada no centro da cidade. Os bandidos atiraram contra o batalhão da Polícia Militar, atearam fogo em um veículo, em frente ao batalhão do Corpo de Bombeiros, e utilizaram moradores como escudo.

Na troca de tiros, cinco pessoas ficaram feridas. Quatro policiais e um estudante de engenharia foram baleados. O jovem estava voltando para casa quando foi atingido. Dias depois, o estudante morreu em São Paulo, após um infarto. Um dos militares precisou passar por cirurgia, após ser atingido pelo  disparo de fuzil no braço.

Foram utilizados fuzis .50, .556 e 762, armas que, à época, a PM enfatizou que eram "armamento de guerra". O entusiasmo inicial de que o grupo seria preso foi se desfazendo ao longo das horas seguintes.

Um mês depois, pouco se sabe sobre as investigações e sobre as prisões. Até o momento, a notícia é de duas pessoas foram detidas. A reportagem procurou as forças de segurança envolvidas na operação e se deparou com um jogo de empurra-empurra. A Polícia Militar de Minas Gerais disse que após o roubo, as informações devem ser repassadas pela polícia judiciária. O batalhão de Itajubá respondeu à reportagem que a investigação está a cargo da Polícia Civil.

A Polícia Civil, por sua vez, informou que trata-se de investigação que está sob a competência da Polícia Federal. Procurada, a assessoria da PF disse que repassou os questionamentos à Delegacia de Varginha e aguarda retorno.


Retomada

A agência atingida no assalto voltou a funcionar oito dias depois do crime, no dia 30 de junho. O atendimento ao público ocorre das 10h às 15h, com exceção dos serviços de avaliação de penhor e movimentação de numerário. De acordo com as informações obtidas à época do crime, a área de penhor foi uma das mais atingidas e atacadas pelo bando. O serviço de saque com cartão permanece disponível na sala de autoatendimento.

Por meio de nota, a Caixa Econômica Federal disse que "informações sobre eventos criminosos em suas unidades são repassadas exclusivamente às autoridades policiais e permanece cooperando com as investigações dos órgãos competentes".


Presos

Até o momento, as forças de segurança trabalham com o número de dois presos pelo assalto. Um foi capturado ainda durante o crime, em Itajubá. O homem, de 33 anos, atuava como "batedor" dos assaltantes. Ele chegou a ter uma decisão de liberdade proferida a seu favor, mas após recurso, a Justiça manteve a prisão dele.

O segundo suspeito, de 43 anos, foi preso no Estado de São Paulo, no dia 25 de junho. Ele foi encontrado, na capital paulista, guardando armas, coletes à prova de balas e outros materiais supostamente utilizados no crime. Ele alegou que havia recebido R$ 1.000 para guardar o armamento por alguns dias e confirmou que ele havia sido utilizado no roubo em Itajubá. A carga seria levada para a comunidade de Heliópolis, em São Paulo, segundo o homem. Na delegacia, ele foi autuado, em flagrante, por roubo e posse ou porte ilegal e arma de fogo de uso restrito.


Carros

As informações divulgadas pelas polícias Militar e Civil de Minas Gerais sobre os veículos apreendidos ou localizados, que foram envolvidos no assalto, dias após o crime, indicavam que os fugitivos utilizaram, ao menos, duas rotas de fuga, após o tiroteio. Segundo a Polícia Civil, foram seis carros, produtos de roubos, localizados em Estiva, Brazópolis e Itajubá. Para chegar até Brazópolis, o grupo passou pela MG-295.

O trajeto leva a Cambuí, cidade vizinha de Estiva, mas, para isso, o bando teria que seguir no sentido oposto ao informado pela Polícia Militar, já que foram encontrados veículos em Extrema e também  no Estado de São Paulo, o que indica caminho pela MG-459, que depois encontra com a BR-381.


Explosivos removidos 

No fim da noite de quinta, um dia após o assalto, a PM divulgou que os quatro explosivos deixados pelos criminosos no interior da agência da Caixa Econômica Federal haviam sido removidos pelo Esquadrão Antibombas do Batalhão de Operações Especiais (Bope). 


Carro de babá com crianças baleado pela PM

Também na quinta, o carro de uma babá, que levava duas crianças de 11 e 6 anos para a escola, foi atingido por disparos efetuados pela Polícia Militar (PM). O veículo foi confundido com os utilizados pelos criminosos. Os militares realizavam cerco em uma estrada vicinal de Santa Rita do Sapucaí, também no Sul de Minas.

Por vídeo, o pai das crianças denunciou o erro policial. "O carro vinha daquela direção, não havia cones. Os policiais estavam escondidos atrás de um caminhão e, na hora que o carro chegou nessa altura, eles atiraram de lá. Não fizeram sinal para parar nem nada, só atiraram sem perguntar nada", disse. 

O tiro disparado acabou acertando a coluna lateral do carro, próximo da altura da cabeça da babá, que sofreu ferimentos causados pelos estilhaços do vidro do veículo.  Procurada, a assessoria de imprensa da PM confirmou o ocorrido, por nota. 

A corporação alegou que, por volta das 6h, durante cerco e bloqueio na região de Itajubá, "os militares deram ordem de parada a uma caminhonete, que não acatou, sendo, então, realizado um disparo de arma de fogo, que atingiu o veículo". 

"A PMMG esclarece, ainda, que não houve feridos e que foi lavrado um Boletim de Ocorrência sobre fato para apuração posterior por parte do comando da unidade", finalizou a polícia.

Fonte: O Tempo


 
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