Assessor diz que Trump está frustrado com o Brasil e vê políticas como ameaça à segurança
14 de jul. de 2025
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está “frustrado” com as ações e negociações comerciais do Brasil, segundo declarou neste domingo (13) o diretor do Conselho Nacional Econômico da Casa Branca, Kevin Hassett. Ele explicou que o motivo central para a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros foi justamente o descontentamento de Trump, que considera políticas brasileiras uma ameaça à segurança nacional.
“O presidente tem ficado muito frustrado com as negociações com o Brasil. Estamos tentando colocar a América primeiro”, disse Hassett à ABC News. “Normalmente não é algo direcionado a um país específico, mas com o Brasil sim. As ações chocaram o presidente e ele deixou isso claro.”
Hassett associou a frustração de Trump ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo STF (Supremo Tribunal Federal), por tentativa de golpe de Estado. Ele chegou a mencionar “ameaça à segurança nacional”, sem detalhar.
“A tarifa para o Brasil é muito mais alta por causa da frustração do presidente com Bolsonaro. Ele acredita que as ações e políticas do Brasil são uma ameaça à segurança nacional”, afirmou.
Apesar da retaliação, Hassett disse que Trump analisa propostas de acordos com outros países e poderá rever medidas “quando a poeira baixar”.
Contexto
A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros foi anunciada em 9 de julho, justificada como forma de corrigir “graves injustiças” no comércio e protestar contra a suposta perseguição a Bolsonaro e à liberdade de expressão no Brasil. Trump classificou o julgamento do ex-presidente como “vergonha internacional” e acusou o STF de censurar plataformas norte-americanas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu afirmando que o Brasil não aceita ser tutelado:
“O Brasil é soberano, tem instituições independentes e não aceitará ameaças. Qualquer aumento unilateral de tarifas será respondido com reciprocidade, conforme a legislação brasileira.”
Lula destacou que o processo contra os envolvidos no golpe é de competência exclusiva da Justiça brasileira e reafirmou que a sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio e violência sob o pretexto de liberdade de expressão.
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