Caso Orelha: MP diz que adolescentes não estavam com o cão na praia
13 de mai.
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Divulgação
MP pede arquivamento do caso Orelha e aponta ausência de provas de agressão em Florianópolis.
O Ministério Público de Santa Catarina pediu o arquivamento das investigações sobre a morte do cão Orelha, ocorrida em janeiro deste ano, na Praia Brava, em Florianópolis. Segundo a Promotoria, não foram encontradas provas que confirmem a versão de que o animal teria sido agredido por adolescentes.
De acordo com o órgão, a análise de laudos periciais, vídeos, depoimentos e quase dois mil arquivos digitais concluiu que o cachorro apresentava uma condição grave e preexistente de saúde, incompatível com a hipótese inicial de espancamento.
O relatório, com cerca de 170 páginas, foi encaminhado à Vara da Infância e Juventude da Capital na última sexta-feira (8). Conforme o Ministério Público, as investigações demonstraram que os adolescentes investigados e o cão não estavam juntos na praia no momento em que a suposta agressão teria ocorrido.
A Promotoria destacou que a versão inicial ganhou força após comentários em redes sociais e rumores sobre um suposto vídeo da agressão, material que, segundo o órgão, nunca existiu. O MP afirma ainda que a repercussão do caso acabou direcionando prematuramente as investigações e prejudicando outras linhas de apuração.
As análises periciais realizadas após a exumação do animal também afastaram sinais de violência. Segundo o Ministério Público, o cão apresentava osteomielite na região maxilar esquerda, uma infecção óssea grave possivelmente associada a doenças periodontais avançadas. O exame não identificou fraturas ou lesões compatíveis com agressão humana.
Ainda conforme o relatório, imagens e registros analisados indicaram que o animal mantinha capacidade normal de locomoção mesmo após o horário em que a suposta agressão teria acontecido. O MP também apontou inconsistências nos horários das câmeras utilizadas pela investigação inicial, o que teria alterado a cronologia dos fatos.
O órgão informou que o cão foi submetido à eutanásia devido ao quadro clínico apresentado. Inicialmente, a polícia havia atribuído a morte às agressões, versão posteriormente modificada.
Além do arquivamento do caso principal, o Ministério Público também pediu o encerramento do inquérito que apurava suposta coação contra testemunhas. O órgão informou ainda que vai investigar possíveis irregularidades durante a condução da investigação, incluindo eventual vazamento de informações sigilosas.
A Polícia Civil de Santa Catarina afirmou que concluiu o inquérito e encaminhou os autos ao Ministério Público, ressaltando que eventuais manifestações sobre o arquivamento cabem exclusivamente ao órgão ministerial.
O caso teve ampla repercussão nacional após a divulgação da suspeita de maus-tratos contra o cão comunitário conhecido como Orelha.
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