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Coluna Arte e Cultura em Ação - 23/05/2024



CABO DE GUERRA


Muitas vezes escrevo de um fôlego só; outras vezes levo horas para estruturar ideias que sejam compreendidas por todos, ainda que as divergências existam.
Em situações complexas procuro por palavras que traduzam o cenário correto, mas que não firam suscetibilidades, vaidades e egos, pois ninguém quer ser atacado naquilo que eles possuem por defesa ou por construção das suas verdades.

A CULTURA está inflamada em todos os lugares do Brasil, não só aqui em Varginha ou Minas Gerais, isso porque a CULTURA sempre foi o calcanhar de Aquiles ou o cabo de guerra entre governantes e artistas.

A ARTE, expressão de todas as culturas, mostra o lugar de pertencimento de cada ser de maneira ímpar, portanto se a ARTE é a expressão de uma cultura, podemos, ainda que em suposição, quase afirmar que políticos também são artistas, fazedores de uma ARTE que requer representações sérias e o contrário também se faz pertinente.

Aí, pergunto: SE PODEMOS FAZER TAL ANALOGIA DE QUE UM GOVERNANTE É UM ARTISTA EM POTENCIAL, POR QUE AS POLÍTICAS PÚBLICAS RECHAÇAM TANTO O SETOR CULTURAL, FAZENDO POUCO DAQUELES QUE O TOMARAM COMO ESCOLHA PROFISSIONAL OU MESMO AMADORA?

Preâmbulos devem existir para uma compreensão mais ampla e efetiva.
Setores da administração que deviam estar em sincronia se desabalam em vias contrárias e, se não fosse o bom senso dos próprios personagens culturais a coisa seria ainda mais desoladora.

Locução e interlocução – mecanismos tão necessários para se estabelecer acordos e diretrizes básicas nas questiúnculas da CULTURA – acabam quase sempre por terra, formando uma grande rinha, onde, de um lado estão os entes federados que são responsáveis pela logística da distribuição dos fomentos, por meio de editais, que nem sempre agradam as expectativas dos produtores culturais e, de outro lado, os produtores, ávidos pela competição na aprovação de seus projetos.

Nesses meios, tem gente que parece fina, mas ama um “barraco”.
É o que essa colunista tem observado nas infinitas reuniões da classe artística, agora denominadas OITIVAS.

Não há críticas, apenas sugestões que a administração pública, no órgão responsável pela cultura, não compreende e, muitos da classe artística também não, por ser um caminho complexo, onde todos têm direitos e deveres.
O bom senso tem caído por terra, haja visto resultados dos muitos editais da Lei Paulo Gustavo do município de do estado.

Uso a seguinte observação puramente figurativa: “Tião Gavião sai a caça e Penélope Charmosa, a doce mocinha nada ingênua, tira proveito de tudo o que pode para chegar ao podium.”

A classe, que deveria ser unida e ajustar os ponteiros por meio de demandas específicas de cada segmento cultural, apresenta várias rachaduras, ou melhor dizendo, subsegmentos dentro dos segmentos.

Uns dominam as questões burocráticas que a Lei pede e fazem interpretações que acham justas e corretas, desde que essas interpretações os beneficiem totalmente; outros não tão conhecedores das Leis fazem apontamentos descabidos e uma terceira parte da classe que não se manifesta, porém não quer dizer que não participem de editais e concorram às possibilidades de apresentarem suas expressões culturais artísticas.

Com essa fomentação cultural gigantesca, muitos artistas estão criando um novo segmento de CULTURA – a EXPRESSÃO CULTURAL ANIMALESCA, DO DESRESPEITO, chegando um a depreciar o espaço do outro entre caras e bocas, no meio de reuniões que deveriam ter finais felizes e equilibrados para todos os lados.
Mas crê essa colunista que, é da natureza humana cada qual defender seu território.

Chove na horta cultural do Brasil inteiro, mas percebo que nesse “agronegócio da cultura”, alguns campos serão mais fecundos e abundantes do que outros.
Tudo vai depender do produtor que puxará com mais força o cabo da guerra, seja por meio de experiências anteriores nas questões de editais de fomento direto ou indireto ou por qualquer outro conhecimento.

Além de chover na horta cultural também fico muito feliz porque tem chovido muito artista e produtores culturais, nunca antes se manifestado enquanto fazedor de cultura e, essa é uma afirmação muito verossímil, sem cinismo algum.
O caldeirão da ARTE esta borbulhante de gente que promete, como contrapartida, apresentar aos demais seres humanos, esses denominados expectadores, uma tempestade de apresentações culturais nunca antes vista, na face da terra.

Eu, enquanto escritora, e para quem não sabe LITERATURA também é ARTE e escritor também é ARTISTA, aguardo o desfecho dessa história de CONSTRUÇÃO DEMOCRÁTICA E DESCENTRALIZADORA DA CULTURA e, que ela tenha um FINAL FELIZ, pois a trama dessa novela, bem como toda a estruturação pertinente a ela, possui um gosto amargo de incertezas, indecisões e agressões.

Na verdade, eu denominaria um filme de Sir Alfred Joseph Hitchcock ou atrelaria a The Crown, uma série que se vulgarizou pelo excesso de diálogos. banais.



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