Daniel Vorcaro aposta em delação discreta para expor conexões políticas do caso Banco Master
16 de mar.
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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro estuda adotar uma estratégia de negociação discreta para tentar firmar um acordo de delação premiada no inquérito que investiga uma fraude bilionária envolvendo o Banco Master. Segundo apuração da coluna de Clarissa Oliveira, a defesa pretende apresentar informações que evidenciem conexões políticas relacionadas aos negócios do banco, apostando que isso pode aumentar as chances de validação do acordo de colaboração.
Nos bastidores das investigações, a expectativa é que Vorcaro forneça dados capazes de atingir o chamado “andar de cima”, com foco em relações políticas que teriam sustentado ou facilitado as operações do banco. Essa possível exposição de vínculos políticos é vista como um dos principais trunfos do ex-banqueiro para negociar com as autoridades responsáveis pelo caso.
A condução da estratégia mudou recentemente com a troca na defesa. O advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, assumiu a linha de frente após a saída de Pierpaolo Bottini. Nos últimos dias, a nova equipe jurídica tem se dedicado a analisar os detalhes do processo e a estruturar uma atuação considerada mais reservada devido à sensibilidade do caso.
A tentativa de colaboração ainda enfrenta ceticismo dentro da Polícia Federal do Brasil. Investigadores avaliam que Vorcaro estaria no topo da estrutura que teria organizado as fraudes do Banco Master, o que pode dificultar a aceitação de um acordo de delação premiada. Ainda assim, a rede de relações políticas associadas ao banco poderia servir como elemento relevante nas negociações com as autoridades.
Segundo a coluna, a estratégia também inclui evitar tensionar o Supremo Tribunal Federal. As investigações mencionam referências aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, e a avaliação é que a defesa deve conduzir a eventual colaboração de forma cautelosa para não ampliar conflitos institucionais.
A decisão de apostar em uma possível delação ganhou força após o início de um julgamento na Segunda Turma do STF sobre a prisão preventiva do ex-banqueiro. Na sessão iniciada na última sexta-feira, três votos já haviam sido registrados pela manutenção da prisão, restando apenas o voto do ministro Gilmar Mendes. O cenário aumentou a pressão sobre Vorcaro e foi interpretado como o gatilho para a nova estratégia da defesa.
Até então, os advogados trabalhavam com a possibilidade de reverter a prisão preventiva e tentar invalidar parte das provas utilizadas na Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Com o avanço do julgamento no STF, a negociação de um acordo de colaboração passou a ser considerada a principal alternativa para o ex-banqueiro diante do avanço das investigações.
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