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Deputada alerta para risco de contaminação de lençol freático por radiação no Sul-MG

Comissão de Meio Ambiente da ALMG fez visita à barragem de urânio na cidade sul-mineira e cobrou levantamentos sobre aumento dos casos de câncer na região.



Causadora de muita apreensão há décadas entre a população de Caldas, no Sul de Minas, a barragem desativada de urânio da empresa estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) foi alvo de visita técnica da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na última semana. Depois de vistoriar o local, a deputada Bella Gonçalves (Psol) alertou para o risco de um "desastre invisível", que pode ocorrer caso o material radioativo atinja o lençol freático.

A parlamentar esteve na cidade no último dia 22 de setembro, conversando com a população local e com representantes da empresa responsável pelo descomissionamento da estrutura. "Eu já vistoriei muitas barragens de rejeito, perigosíssimas, mas nada me impactou tanto quanto esse complexo da antiga mina de urânio da INB. Se trata de um lixão radioativo e tóxico a céu aberto, que está contaminando os cursos de água que abastecem a população de Caldas e Poços de Caldas", disse Bella.

A deputada estadual pontuou ainda que a barragem, construída na década de 80, provavelmente está atrelada aos altos números de câncer na região. "O Sul de Minas, inclusive, não tem Hospital do Câncer. Estamos solicitando estudos sobre o impacto na saúde. Isso foi feito há alguns anos atrás, mas o estudo foi encerrado por ausência de informações adequadas nos centros de saúde, nos hospitais da região. Mas é saber o nível de contaminação que a população já está exposta", completou a parlamentar.

Bella também criticou a ausência da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) na visita e, ainda, a ausência de fiscalizações da pasta na barragem nos últimos cinco anos. "Não estão acompanhando as questões do risco ambiental e do risco à saúde pública que essa barragem significa", finalizou.

O Tempo procurou a INB, mas, até a publicação desta reportagem, a estatal ainda não tinha se posicionado. Já a Semad, por meio do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), informou apenas que a gestão de empreendimentos nucleares no Brasil é de "responsabilidade exclusiva da União", conforme artigo 21 da Constituição Federal.
Empresa admite fraturas em mina

Durante a visita técnica da ALMG, João Viçoso, que é o gerente da Unidade de Descomissionamento de Caldas (UDC) da INB, admitiu a existência de "pontos de fratura" na cava da mina que podem demandar intervenções para que o material ácido não contamine o lençol freático. Além disso, também foi detectada a necessidade de intervenções para reforçar a barragem, que, agora, demanda um fator mínimo de segurança maior.

“Esse é o grande desafio e a parte mais complexa, pois envolve fluxos subterrâneos de água, que vão sendo contaminadas por material resultante de rochas ricas em urano, tório e manganês, entre outros”, explicou Viçoso.

No entanto, o orçamento existente para o descomissionamento é de R$ 190 milhões em dez anos, quanto que está bem abaixo dos R$ 2 bilhões previstos para esse trabalho num período entre 27 e 30 anos.

Fonte: O Tempo

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