Escândalo financeiro leva Justiça a bloquear participações milionárias no BRB
27 de fev.
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Divulgação
Justiça do DF bloqueia ações do BRB ligadas a investigados na Operação Compliance Zero.
A Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio e o arresto de ações do Banco de Brasília (BRB) pertencentes a investigados na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master. A decisão foi concedida em caráter liminar pela 13ª Vara Cível do Distrito Federal, após pedido apresentado pelo próprio BRB.
A medida judicial impede a alienação das participações acionárias, avaliadas em aproximadamente R$ 376,4 milhões. Apesar de o processo tramitar sob sigilo, o banco público divulgou fato relevante informando o ajuizamento da ação e a determinação judicial.
O bloqueio alcança ações vinculadas a pessoas físicas e a diversos fundos de investimento, entre eles Deneb Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, Borneo Fundo de Investimento, Siracusa Fundo de Investimento, Delta Fundo de Investimento e Asterope Fundo de Investimento, além das empresas Blue Solutions Asset Management e Casamata Administração e Participações.
Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master; o ex-sócio Maurício Quadrado; o investidor Nelson Tanure; e o fundador da Reag, João Carlos Mansur, teriam ingressado no quadro societário do BRB por meio da aquisição indireta de ações realizadas por terceiros apontados como “laranjas”. Com as operações, o grupo Master/Reag passou a deter cerca de 25% do capital do banco público do Distrito Federal.
Ressarcimento e investigação interna
No fato relevante divulgado na quinta-feira (26), o BRB informou que ingressou com tutela cautelar com pedido liminar visando ao bloqueio das participações societárias dos investigados no próprio capital social da instituição.
De acordo com o banco, a medida busca assegurar eventual ressarcimento de prejuízos decorrentes de operações envolvendo o Banco Master, atualmente em processo de liquidação extrajudicial. No processo, o BRB sustenta que os investigados teriam ingressado no capital social da instituição de forma considerada ilegal.
A instituição também comunicou o envio de relatório preliminar de investigação interna à Polícia Federal. A apuração é conduzida pelo escritório Machado Meyer, com apoio da consultoria internacional Kroll.
Prejuízo bilionário
O BRB é alvo de investigação relacionada à aquisição de mais de R$ 12 bilhões em carteiras do Banco Master que apresentam indícios de fraude. A estimativa inicial aponta prejuízo mínimo de R$ 5 bilhões, valor que deverá ser confirmado após a divulgação do balanço financeiro prevista para março.
A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025. Na ocasião, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado por decisão judicial e posteriormente demitido do cargo.
Compra rejeitada pelo Banco Central
Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central rejeitou oficialmente a proposta de compra do Banco Master pelo BRB, após mais de cinco meses de análise. A operação previa a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total da instituição financeira.
O negócio, anunciado em março daquele ano, já enfrentava resistência no mercado financeiro em razão do modelo de captação considerado arriscado e da qualidade questionada de parte dos ativos do Banco Master.
Antes da decisão do Banco Central, o Ministério Público Federal havia recomendado ao BRB a comprovação da lisura e da consistência dos ativos envolvidos na negociação, alertando para possíveis passivos ocultos e ativos inflados.
Com o avanço das investigações e a rejeição da operação, o BRB busca recompor sua liquidez e fortalecer os índices de capitalização, ao mesmo tempo em que tenta garantir, judicialmente, o ressarcimento de eventuais prejuízos.
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