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Estamos vivendo uma “epidemia” de neurodivergência ou aprendendo a reconhecer o que sempre existiu? Especialista explica

  • 2 de mar.
  • 2 min de leitura
 Denise Ribeiro, psicóloga e terapeuta da Abraço.
 Denise Ribeiro, psicóloga e terapeuta da Abraço.
Que o diferente sempre foi motivo para ser questionado o seu “por quê”, isso não é novidade. Mas, nos últimos anos, tornou-se comum ouvir: “Por que agora todo mundo tem TDAH ou autismo?”. A sensação de aumento repentino gera dúvidas, mas a ciência aponta outro caminho: não estamos diante de uma epidemia, e sim de maior reconhecimento clínico e social.

Com a atualização de critérios internacionais, como o DSM-5-TR, da American Psychiatric Association, e a CID-11, da World Health Organization, o neurodesenvolvimento passou a ser compreendido como um espectro amplo. Isso permitiu identificar perfis antes invisibilizados, especialmente mulheres, adultos funcionalmente adaptados e pessoas com altas habilidades.

“Durante décadas, o entendimento sobre o funcionamento neurodiverso esteve limitado a estereótipos restritos, geralmente baseados em manifestações mais evidentes na infância. Crianças com bom desempenho acadêmico, mulheres, adultos funcionalmente adaptados e pessoas com altas habilidades frequentemente ficaram fora do radar diagnóstico”, explica a psicóloga e terapeuta da Abraço, Denise Ribeiro (CRP 04/36799).

Estudos epidemiológicos indicam que o aumento nos diagnósticos está ligado à ampliação dos critérios, maior capacitação profissional e mais acesso à informação, e não necessariamente a um crescimento real da prevalência. O pesquisador Eric Fombonne reforça que mudanças metodológicas explicam boa parte desse crescimento.

A especialista da Abraço também alerta para a importância de avaliações responsáveis: “A presença isolada de características não é suficiente: é necessário compreender o conjunto dos sintomas, sua persistência ao longo do tempo e o grau de prejuízo associado”. O cenário atual reflete menos uma “epidemia” e mais uma expansão da consciência coletiva sobre saúde mental.

“A neurodiversidade sempre existiu. O que mudou foi nossa capacidade de enxergá-la. Quando esse reconhecimento vem acompanhado de avaliação adequada, intervenção personalizada e acolhimento, ele deixa de ser apenas um rótulo e se transforma em possibilidade concreta de cuidado, autocompreensão e qualidade de vida”, conclui Ribeiro.

Mais do que perguntar por que há mais diagnósticos hoje, talvez devêssemos refletir: quantas pessoas passaram décadas sem compreender por que se sentiam diferentes? A ciência comprovada e a conscientização inclui.

Fonte: Comunicação Startup Abraço

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Gazeta de Varginha

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