Ex-presidente do BRB passa primeira noite preso no Complexo da Papuda após operação da PF
17 de abr.
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O ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, passou a primeira noite preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, após ser transferido na tarde de quinta-feira (16). A mudança ocorreu depois de ele passar por audiência de custódia, após prisão preventiva decretada na quarta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
A operação investiga fraudes envolvendo o Banco Master e apura a atuação de Costa em negociações entre as instituições financeiras. Segundo a decisão judicial, há registros de mensagens trocadas entre o ex-presidente do BRB e o empresário Daniel Vorcaro, nas quais Costa afirma que estava empenhado nas tratativas e que trabalhava intensamente para resolver pendências entre os bancos.
As mensagens foram citadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, como indício de proximidade e alinhamento entre Costa e Vorcaro. O material foi utilizado para sustentar a investigação sobre possível participação em um esquema envolvendo operações financeiras consideradas irregulares.
De acordo com os autos, o BRB adquiriu carteiras de crédito do Banco Master entre julho de 2024 e outubro de 2025, em operações que teriam alcançado R$ 12,2 bilhões. Essas aquisições teriam ocorrido mesmo diante de pareceres técnicos e jurídicos contrários às negociações.
Na avaliação do ministro, a conduta de Costa não se limita a falhas administrativas, mas pode indicar adesão consciente ao esquema investigado, com atuação deliberada para favorecer a liquidez do Banco Master em troca de vantagens indevidas. A decisão também aponta a atuação do advogado Daniel Monteiro, que teria estruturado empresas de fachada para ocultar patrimônio e dar aparência de legalidade às operações.
As investigações mencionam ainda negociações estimadas em R$ 146 milhões em imóveis de luxo entre Costa e Vorcaro. Segundo o processo, as tratativas foram interrompidas após o empresário tomar conhecimento das apurações sobre o suposto esquema de propinas e ocultação patrimonial.
O ministro André Mendonça considerou que medidas cautelares alternativas à prisão seriam insuficientes diante da complexidade do caso, do nível de articulação dos investigados e da continuidade dos atos de lavagem de dinheiro. A defesa de Costa, representada pelo advogado Cleber Lopes, afirmou que o cliente não cometeu crime e classificou a prisão como desnecessária, informando que analisará a decisão antes de tomar providências judiciais.
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